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Por José Teixeira
Pesquisa divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira mostra que recuperação mensal não compensou queda de julho; faturamento do comércio tradicional cresce, mas volume de mercadorias vendidas recua na comparação anual
O comércio varejista de Mato Grosso apresentou uma recuperação de 0,6% no volume de vendas em agosto de 2026, na comparação com julho, mas continuou registrando desempenho negativo em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), e revelam dificuldades na recuperação do consumo no Estado.
Apesar do resultado positivo na comparação mensal, o avanço não foi suficiente para compensar a retração de 2,2% registrada em julho. Na comparação com agosto de 2025, o volume de vendas do comércio varejista mato-grossense apresentou queda de 1,2%, indicando que o setor comercializou uma quantidade menor de produtos do que no mesmo mês do ano anterior.
O desempenho também mostra uma diferença entre o crescimento do faturamento e a evolução efetiva das vendas. Enquanto o volume comercializado caiu 1,2% na comparação anual, a receita nominal do comércio varejista aumentou 3,9%.
A diferença entre os indicadores significa que o faturamento medido em valores correntes cresceu, mesmo com a redução do volume de vendas. A receita nominal, entretanto, não desconta os efeitos das variações de preços e, por isso, não representa necessariamente aumento da quantidade de mercadorias comercializadas.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o comércio varejista de Mato Grosso registra crescimento de apenas 0,4% em volume. O resultado indica uma expansão limitada das vendas durante os oito primeiros meses do ano.
Na comparação acumulada dos últimos 12 meses, a alta chega a 1,5%, mantendo o indicador positivo, mas em ritmo moderado.
A situação é mais desfavorável quando considerados os resultados do comércio varejista ampliado, indicador que inclui, além das atividades tradicionais do varejo, a comercialização de veículos, motocicletas, peças, materiais de construção e o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Nesse segmento, Mato Grosso registrou crescimento de apenas 0,1% em agosto, na comparação com julho, resultado que caracteriza estabilidade das vendas.
Na comparação com agosto de 2025, entretanto, o varejo ampliado apresentou retração de 5,8% em volume, uma queda significativamente superior à registrada no comércio varejista tradicional.
O faturamento nominal do varejo ampliado também apresentou resultado negativo, com recuo de 2% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Diferentemente do comércio varejista tradicional, que registrou aumento da receita nominal apesar da redução do volume vendido, o varejo ampliado apresentou retração nos dois indicadores.
Os resultados mostram que a recuperação mensal observada no comércio de Mato Grosso ainda não se traduziu em crescimento consistente na comparação anual.
A diferença entre o varejo tradicional e o ampliado também revela que o desempenho das atividades adicionais consideradas pelo segundo indicador contribuiu para tornar o resultado agregado mais negativo.
A Pesquisa Mensal de Comércio acompanha a evolução das vendas no país e permite comparar o desempenho das unidades da Federação em diferentes períodos. O levantamento considera tanto o volume comercializado, indicador que desconta os efeitos das variações de preços, quanto a receita nominal obtida pelas empresas.
No cenário nacional, o comércio varejista registrou crescimento de 0,1% em agosto na comparação com julho, após retração de 0,8% no mês anterior.
O resultado de Mato Grosso, com avanço mensal de 0,6%, ficou acima da média brasileira nessa comparação específica.
Entretanto, a situação se inverte quando analisado o desempenho anual. Enquanto o varejo brasileiro cresceu 0,4% em volume na comparação com agosto de 2025, Mato Grosso registrou queda de 1,2%.
No acumulado de janeiro a agosto, o varejo nacional apresentou expansão de 1,7%, também superior ao crescimento de 0,4% registrado em Mato Grosso.
No comércio varejista ampliado, o Brasil registrou retração de 0,2% entre julho e agosto, enquanto Mato Grosso apresentou variação positiva de 0,1%.
A comparação demonstra que o Estado teve desempenho mensal ligeiramente melhor que a média nacional, mas enfrenta dificuldades para recuperar o nível de vendas observado no ano anterior.
Os números da pesquisa não permitem atribuir o desempenho mato-grossense a uma causa isolada. A evolução do consumo pode ser influenciada por diferentes fatores econômicos, incluindo renda das famílias, acesso ao crédito, endividamento, preços e condições de financiamento.
Também não é possível concluir, apenas com os indicadores agregados divulgados, quais atividades específicas foram responsáveis pela maior parte da queda de 5,8% no varejo ampliado de Mato Grosso.
A identificação dessa contribuição depende de informações setoriais adicionais, uma vez que o indicador reúne segmentos com características e condições de comercialização diferentes.
Os dados referentes a agosto foram publicados pelo IBGE em 15 de outubro de 2026, com base na movimentação comercial registrada durante o mês de referência.
O próximo levantamento, referente a setembro, está previsto no calendário oficial do instituto para 13 de novembro de 2026.
Até lá, o balanço disponível mostra que Mato Grosso encerrou agosto com uma recuperação mensal insuficiente para reverter integralmente a perda anterior e com retração anual tanto no volume do comércio tradicional quanto, de forma mais acentuada, no varejo ampliado.