PLEITO SIMULTÂNEO E DESGASTE

Grupo de prefeitos preparam ação judicial para barrar eleição antecipada da AMM

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Grupo de prefeitos preparam ação judicial para barrar eleição antecipada da AMM

PREFEITOS EM REAÇÃO

JB News

Gestores questionam prazo para formação de chapas e defendem votação após as eleições gerais para evitar que a disputa pela entidade amplie divisões políticas nos municípios

Um grupo de cerca de mais de dez prefeitos decidiu recorrer à Justiça para tentar suspender a eleição antecipada da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). A articulação, liderada pelo prefeito de Nobres, José Domingos Fraga Filho, o Zé Domingos, pretende transferir a escolha da diretoria para depois das eleições gerais. O argumento é que o calendário imposto à sucessão restringe a organização de candidaturas e abre uma nova frente de disputa entre gestores que já estão em campos diferentes na campanha estadual.

A decisão foi encaminhada durante uma reunião realizada na tarde de terça-feira (1º). Entre os participantes citados estão, além de Zé Domingos, os prefeitos João Bang, de Nova Xavantina, Bruno Mena, de Matupá, e Juliano Berticelli, de Ipiranga do Norte. O grupo articula uma medida judicial para interromper o calendário e abrir espaço à negociação de outra data.

A previsão informada à reportagem é que a ação seja protocolada nesta quinta-feira (3). Até o momento, porém, não foi apresentado comprovante de protocolo nem confirmada a modalidade jurídica que será adotada pelos advogados.

A eleição está marcada para 16 de setembro. Conforme o calendário divulgado, o edital foi publicado em 25 de agosto e o registro de chapas termina em 8 de setembro, às 17h30. São, portanto, 22 dias entre a publicação e a votação, com um prazo ainda menor para a formalização das candidaturas. É esse intervalo que os articuladores consideram insuficiente para uma disputa com participação ampla dos municípios. Calendário do pleito.

Nos bastidores, a reclamação é que a convocação encontrou os prefeitos concentrados nas campanhas para governador, senador, deputado federal, deputado estadual e presidente da República. Na avaliação do grupo, a sobreposição dos processos compromete o tempo necessário para discutir propostas, construir alianças internas e organizar uma chapa alternativa para a associação.

Os participantes também relatam que havia prefeitos sem conhecimento da realização da eleição. Para os defensores do adiamento, a divulgação formal do calendário não resolve, por si só, o problema político: seria necessário assegurar condições para que os gestores acompanhem o processo e tenham oportunidade efetiva de participar da composição da futura direção.

A movimentação leva a insatisfação com a antecipação a outro patamar. Zé Domingos já havia defendido publicamente o adiamento e admitido a possibilidade de disputar a presidência, condicionando uma candidatura ao apoio dos colegas. Agora, a articulação relatada à reportagem busca uma intervenção judicial para impedir que a votação aconteça antes de uma discussão mais ampla. Posicionamento público de Zé Domingos.

O receio dos gestores vai além da formação de chapas. A avaliação discutida na reunião é que a eleição da AMM, realizada em plena campanha, pode transportar para dentro da entidade as divergências entre os palanques estaduais. Prefeitos que apoiam candidatos diferentes ao governo e ao Senado, ou mantêm compromissos com grupos distintos nas disputas proporcionais, passariam a enfrentar uma segunda disputa simultânea.

Nesse cenário, a escolha da diretoria poderia ser interpretada como demonstração de força de determinadas alianças, aumentando o desgaste entre lideranças municipais. O grupo teme que o acirramento interno também produza reflexos nas campanhas em andamento, com cobranças de alinhamento e atritos entre prefeitos que precisam manter diálogo em torno das pautas municipalistas.

Segundo o relato da articulação, a contestação se concentra na condução da sucessão e no calendário, sem representar uma rejeição à administração atual. A crítica é que a rapidez do processo favoreceria quem já está organizado e dificultaria o surgimento de concorrentes. Essa é a avaliação dos integrantes do movimento, sem decisão judicial apresentada que reconheça irregularidade no pleito.

A proposta é obter primeiro a suspensão e, depois, negociar uma data posterior às eleições gerais. Os articuladores ainda não definiram um dia para a nova votação. Defendem que a escolha ocorra com os prefeitos menos envolvidos nos compromissos de campanha e com tempo para debater a direção da entidade.

Com a iniciativa, a sucessão da AMM passa a enfrentar uma contestação organizada ao próprio calendário. O desfecho dependerá da apresentação da ação, da análise judicial e da possibilidade de entendimento entre os gestores e a direção da associação.