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Gaeco identifica R$ 275 mil em repasse empresarial e cinco boletos pessoais de vereador pagos por empresa em MT

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Gaeco identifica R$ 275 mil em repasse empresarial e cinco boletos pessoais de vereador pagos por empresa em MT

DINHEIRO SOB ANÁLISE

JBnews

Por José Teixeira

Relatório financeiro da Operação Cathedra Venalis revela movimentações envolvendo Kleberton Feitoza e R. Barros Ribeiro EIRELI; investigadores não identificaram os negócios que justificaram as operações.

Um levantamento financeiro realizado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) identificou movimentações de R$ 275.125 envolvendo uma empresa relacionada ao vereador Kleberton Feitoza Eustáquio (PSB), da Câmara Municipal de Várzea Grande, e a R. Barros Ribeiro EIRELI, além do pagamento de cinco boletos emitidos em nome do parlamentar, no valor conjunto de R$ 18.648, pela mesma empresa.

As informações constam do Relatório Técnico nº 146/2026, elaborado no contexto da Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção, negociações de apoio político e possíveis irregularidades envolvendo integrantes do Legislativo municipal.

O documento foi produzido a partir da análise de Relatórios de Inteligência Financeira encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e incorporado ao procedimento criminal apresentado à Justiça em 14 de setembro de 2026.

Segundo os registros, a principal transferência identificada ocorreu em maio de 2023, quando uma empresa vinculada a Kleberton realizou um repasse de R$ 275.125 à R. Barros Ribeiro EIRELI.

Em outro conjunto de operações, a R. Barros Ribeiro realizou pagamentos de boletos emitidos em nome da pessoa física de Kleberton.

Os dois primeiros pagamentos ocorreram entre fevereiro e março de 2023 e totalizaram R$ 7.459,20.

Outros três boletos foram pagos entre junho e setembro daquele ano, alcançando R$ 11.188,80.

Somadas, as cinco obrigações quitadas pela empresa chegaram a R$ 18.648.

Considerando o repasse empresarial de R$ 275.125 e os pagamentos dos boletos pessoais, o relatório individualizou R$ 293.773 em operações relacionadas aos dois núcleos financeiros.

O Gaeco ressalvou, entretanto, que os valores possuem naturezas distintas e não podem ser interpretados como um fluxo líquido entre as mesmas pessoas.

Enquanto o repasse de maior valor ocorreu entre empresas, os pagamentos de boletos foram destinados a credores de obrigações registradas em nome do vereador.

A análise não identificou, nos documentos financeiros examinados, os contratos, negócios ou outras justificativas econômicas que deram origem a cada uma das movimentações.

Essa ausência de individualização levou os investigadores a considerar necessário o aprofundamento da apuração sobre as relações comerciais e financeiras entre os envolvidos.

A R. Barros Ribeiro EIRELI aparece no levantamento com capital integralizado de R$ 4 milhões e atuação em diferentes atividades empresariais, incluindo comercialização de materiais de construção, obras, saneamento, engenharia, locação de máquinas, transporte e serviços auxiliares.

O relatório identifica Raul Barros Ribeiro como titular do capital empresarial no cadastro examinado.

Os investigadores também fizeram uma ressalva temporal: as informações cadastrais identificadas não devem ser automaticamente utilizadas para definir a estrutura societária existente em todas as datas das transferências de 2023.

A investigação procura estabelecer se as operações corresponderam a relações comerciais regulares, pagamentos de obrigações contratuais, empréstimos ou outras transações econômicas.

O fato de uma empresa pagar boletos em nome de uma pessoa física não comprova, isoladamente, favorecimento indevido. A natureza da obrigação e a justificativa do pagamento precisam ser demonstradas por documentação complementar.

O mesmo cuidado se aplica ao repasse empresarial de R$ 275.125, cuja origem e finalidade deverão ser analisadas em conjunto com os contratos e registros contábeis das empresas envolvidas.

Kleberton Feitoza está entre os investigados alcançados pela Operação Cathedra Venalis, deflagrada em 20 de outubro, com buscas realizadas em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

No caso do parlamentar, a Justiça também autorizou diligências no Hospital Municipal de Cuiabá, onde ele estava internado para tratamento de queimaduras graves.

A frente financeira, entretanto, examina movimentações realizadas em 2023, anteriores aos acontecimentos políticos de maio de 2026 relacionados à eleição antecipada da Mesa Diretora de Várzea Grande.

Por essa razão, não é possível afirmar, com base apenas nesses registros, que os pagamentos estejam relacionados à suposta compra de votos investigada pelo Gaeco.

O relatório também não estabelece que a R. Barros Ribeiro EIRELI tenha participado de fraude em contratos públicos ou utilizado recursos governamentais para custear obrigações pessoais do parlamentar.

Para verificar eventual conexão com a administração pública, será necessário identificar os contratos firmados pelas empresas, os serviços executados, os pagamentos recebidos e sua correspondência temporal com as transferências examinadas.

Até a conclusão desta reportagem, não foi localizada manifestação específica de Kleberton Feitoza ou dos representantes da R. Barros Ribeiro EIRELI sobre os cinco boletos e o repasse empresarial detalhados no relatório.

Também não foi identificada decisão judicial reconhecendo a origem ilícita dos valores ou responsabilizando os envolvidos por essas operações.

O próprio relatório do Gaeco ressalta que os registros indicam uma relação financeira a ser esclarecida, mas não demonstram, isoladamente, sociedade de fato, desvio de recursos, compensação ilícita ou triangulação financeira.

A apuração permanece em andamento, e qualquer conclusão sobre irregularidades dependerá de elementos adicionais, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência dos envolvidos.