SEM VAGA NO PRESÍDIO

Ex-estagiária de Fórum acusada de golpes cumprirá prisão em casa com tornozeleira

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Ex-estagiária de Fórum acusada de golpes cumprirá prisão em casa com tornozeleira

JBN

Por Redação

Justiça mantém preventiva de estudante de Direito, mas determina recolhimento domiciliar diante da falta de vagas no sistema prisional feminino de Mato Grosso

A falta de vagas no sistema prisional feminino de Mato Grosso levou à determinação de prisão domiciliar para Lília Grazielly Correia da Silva, ex-estagiária do Fórum de Tangará da Serra investigada por suposta participação em golpes pela internet. O Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva, mas estabeleceu que ela seja cumprida integralmente em casa, com tornozeleira eletrônica e restrições de contato.

A decisão foi relatada pela juíza convocada Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima e acompanhada por unanimidade pela Quarta Câmara Criminal. Lília é acusada de estelionato virtual, falsa identidade e participação em organização criminosa ao lado do namorado. Segundo as investigações, ela se apresentava como funcionária de instituição bancária para obter dados pessoais e induzir vítimas a acessar links fraudulentos. Única News

A defesa havia recorrido ao Tribunal para substituir a preventiva por medidas cautelares menos gravosas. Sustentou que a nova ordem de prisão se apoiava em elementos antigos e não considerava o comportamento da investigada durante o período em que esteve fora da prisão.

Os advogados também informaram que Lília permanecia na carceragem da Delegacia de Polícia de Nova Olímpia porque não havia vaga disponível em unidade prisional feminina. Essa situação levou à mudança na forma de cumprimento da custódia.

Ao analisar o caso, a relatora considerou que a prisão preventiva continuava necessária para preservar a ordem pública e evitar a repetição das supostas práticas criminosas. A ausência de vaga, entretanto, motivou a determinação de recolhimento domiciliar integral.

Além de usar tornozeleira eletrônica, Lília ficará proibida de manter contato com partes e testemunhas e deverá comparecer aos atos do processo. A decisão preserva os fundamentos da preventiva, alterando o local e as condições de seu cumprimento.

O caso passou por sucessivas decisões sobre a custódia. A estudante e o namorado foram presos em dezembro de 2025. Em maio de 2026, a preventiva dela foi revogada e substituída por cautelares. Posteriormente, houve uma nova ordem de prisão, cumprida em julho, em Nova Olímpia. A defesa contestou o restabelecimento da medida. Única News

De acordo com informações da investigação, o esquema utilizava celulares, diferentes números de telefone, perfis falsos e contas bancárias de terceiros. Na residência da estudante, os policiais teriam apreendido seis celulares, um notebook, chips e dinheiro. Conversas encontradas nos aparelhos foram apontadas como elementos de sua suposta participação.

A defesa também questionou a forma como as provas dos celulares foram obtidas e preservadas. O Tribunal entendeu que essa discussão exige análise aprofundada, incompatível com uma resolução imediata no habeas corpus. Os advogados citaram ainda os estudos em Direito, a bolsa do ProUni e o histórico de estágio no Judiciário como circunstâncias favoráveis à investigada. Folhamax

Com a decisão, Lília permanece submetida à prisão preventiva e à fiscalização judicial, agora em ambiente domiciliar. As acusações seguem em discussão no processo, sem que a análise da custódia represente julgamento definitivo sobre sua responsabilidade.