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Por Nayara Cristina
Advogados de Antônio Gomes da Silva afirmam que réu falará sobre motivação do assassinato e dizem que suposta venda de sentenças provocava “indignação” no acusado
A defesa de Antônio Gomes da Silva, réu confesso pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, afirmou na manhã desta quarta-feira (30), durante a retomada do julgamento no Tribunal do Júri de Cuiabá, que pretende apresentar em plenário informações sobre a motivação do crime e as circunstâncias que teriam levado ao assassinato ocorrido em dezembro de 2023.
Os advogados Nilman Augusto Monteiro e Milton Ribeiro de Souza, que integram com Paulo Fabrini a equipe responsável pela defesa de Antônio, fizeram declarações antes da abertura dos trabalhos desta quarta-feira e prometeram revelações durante os debates.
“Hoje vai ser um dia diferente em Cuiabá, porque a verdade vai aflorar. Depois de vários anos, num caso emblemático, num caso enigmático, a verdade vai sair hoje aqui. A bomba vai estourar”, afirmou a defesa.
Segundo os advogados, o plenário deverá conhecer a versão de Antônio sobre a origem, a motivação e o desenvolvimento dos acontecimentos que culminaram na execução de Zampieri.
“Nós vamos mostrar o porquê isso aconteceu, como isso surgiu, de onde surgiu, de onde veio isso. Nós vamos deixar muito claro o que aconteceu”, declarou um dos defensores.
Questionada sobre as referências feitas durante o julgamento a supostos episódios de venda de decisões judiciais, a defesa afirmou que Antônio teria relatado informações sobre o assunto durante as conversas mantidas com seus advogados.
“Sim, relatou. Muita coisa sobre isso”, respondeu o defensor.
Na sequência, o advogado afirmou que Antônio demonstrava indignação com aquilo que descreveu como uma prática que teria prejudicado pessoas e famílias em Mato Grosso. As declarações representam a versão da defesa e deverão ser confrontadas com as provas e demais teses apresentadas durante o julgamento.
“O Antônio estava indignado com essa situação. Porque a prática no Mato Grosso estava lesando muita gente. Muita família honrada, muito pai de família foi lesado por essa prática nefasta. Muita gente. E isso foi um dos motivos de indignação de Antônio. Isso vai ser esclarecido hoje”, afirmou.
Ao ser questionado se essa alegada revolta poderia ter levado Antônio a se aproximar do caso envolvendo Zampieri ou se teria alguma relação direta com a motivação do homicídio, o advogado evitou antecipar detalhes e afirmou que a explicação seria apresentada aos jurados.
“Vocês não conhecem o Antônio. Vocês não fazem ideia de quem é Antônio. Antônio veio de Minas Gerais para Cuiabá atrás de justiça. Vocês vão entender isso no júri”, declarou.
A defesa também contestou a caracterização de Antônio como um “sicário” ou matador profissional. O advogado afirmou ter questionado o Ministério Público sobre a existência de outros homicídios atribuídos ao acusado e sustentou que não lhe teria sido apresentado outro episódio que, na avaliação da defesa, demonstrasse atuação anterior como executor profissional.
“Antônio é tachado como sicário, assassino, matador. Eu indaguei ao promotor ontem: me dê um outro assassinato, um outro homicídio, um outro ato sicário. E não me trouxeram um outro ato sicário”, disse.
Os defensores também levantaram questionamentos sobre a forma como Antônio chegou a Mato Grosso. Segundo a tese que deverá ser explorada no plenário, ele teria vindo a Cuiabá sem portar arma de fogo, circunstância utilizada pela defesa para questionar a acusação de que teria desembarcado na Capital já na condição de matador contratado.
“Sicário que vem para Cuiabá sem uma arma de fogo? Que sicário é esse que assassina, que chega em Cuiabá e não traz uma arma? Então aguarde no plenário”, declarou o advogado.
A defesa também foi questionada sobre Maria Angélica, nome mencionado durante as discussões relacionadas ao caso, e se Antônio teria falado sobre ela aos advogados. Nesse ponto, os defensores preferiram não antecipar o conteúdo que pretendem levar ao Conselho de Sentença. “Você é muito curiosa. Vamos para o plenário”, respondeu um dos advogados.
O julgamento começou nesta terça-feira (29), no Fórum de Cuiabá, e entrou nesta quarta-feira (30) em uma fase considerada decisiva pelas partes. Antônio Gomes da Silva confessou a execução de Roberto Zampieri, mas a discussão no Tribunal do Júri envolve também as circunstâncias, a motivação e a participação atribuída aos demais acusados no homicídio.
Zampieri foi assassinado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Antônio é apontado como o autor dos disparos.
Com a promessa de apresentar novos detalhes sobre a motivação do crime, a defesa tenta deslocar parte do debate desta quarta-feira para os acontecimentos que, segundo sua tese, antecederam a execução. As alegações feitas pelos advogados sobre supostas irregularidades envolvendo decisões judiciais ainda dependem da apresentação e análise das provas no plenário e não podem ser tratadas como fatos comprovados.
A expectativa agora se concentra no conteúdo que será apresentado pela defesa e, principalmente, na versão de Antônio Gomes da Silva sobre os acontecimentos. Os próprios advogados evitaram antecipar nomes e detalhes, sustentando que as informações serão expostas diretamente aos jurados durante o julgamento.
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