INFRAESTRUTURA

Debate na Centro América: Pivetta destaca 7 mil km de novas rodovias em MT e rebate ataques: “É tempo de denúncia e calúnia”

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Debate na Centro América: Pivetta destaca 7 mil km de novas rodovias em MT e rebate ataques: “É tempo de denúncia e calúnia”

JB News

Por Nayara Cristina

Governador afirma que atual gestão construiu, em oito anos, uma malha superior à pavimentada nos 271 anos anteriores de Mato Grosso; Natasha questiona custos das obras, financiamento da BR-163 e cobra explicações sobre denúncias de corrupção

O volume de investimentos realizados pelo Governo de Mato Grosso nas rodovias estaduais protagonizou um dos primeiros grandes embates do debate entre os candidatos ao Palácio Paiaguás, realizado na manhã desta terça-feira (18) pela Centro América FM e pelo portal Primeira Página.

Durante o confronto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, apresentou um balanço das obras executadas pela atual administração e afirmou que Mato Grosso praticamente dobrou sua malha rodoviária pavimentada nos últimos oito anos.

Segundo Pivetta, o Estado possuía aproximadamente 6,3 mil quilômetros de estradas asfaltadas antes do início da gestão da qual faz parte. Esse número teria sido acumulado ao longo dos 271 anos de história de Mato Grosso. Em oito anos, conforme sustentou o governador, foram construídos cerca de 7 mil quilômetros de novas rodovias pavimentadas.

“Nós pegamos Mato Grosso com 6,3 mil quilômetros de estrada em todo o seu território. Isso ao longo dos seus 271 anos. Fizemos, nesses últimos sete anos — oito, quando terminar este ano — 7 mil quilômetros de novas estradas”, declarou.

Pivetta reconheceu que existem trechos apresentando problemas de qualidade e conservação, mas classificou essas ocorrências como pontuais diante do volume de obras entregue pela administração estadual. Segundo ele, o Governo já está identificando e corrigindo as falhas encontradas.

“Nós temos algumas estradas com problemas. Nós temos e estamos resolvendo os problemas que existem. Mas o importante é que fizemos muito e muita obra bem-feita”, afirmou.

O candidato também disse que Mato Grosso recuperou sua capacidade de investimento e alcançou condições financeiras e operacionais para manter um ritmo de aproximadamente mil quilômetros de pavimentação por ano.

Para Pivetta, esse desempenho representa uma mudança histórica na infraestrutura estadual, especialmente em um território de grandes dimensões, com economia fortemente dependente do transporte rodoviário para o deslocamento da população e o escoamento da produção agropecuária.

“Vamos continuar fazendo mil quilômetros por ano, que é a capacidade que nós temos hoje no Estado de Mato Grosso”, garantiu.

Além das rodovias estaduais, Pivetta apresentou a retomada da duplicação da BR-163 como uma das principais realizações do governo na área de infraestrutura. Embora seja uma rodovia federal, a estrada teve o controle de sua concessionária assumido pelo Governo de Mato Grosso após anos de paralisação das obras previstas no contrato original.

O controle acionário da então Rota do Oeste foi transferido ao Estado por valor simbólico de R$ 1, dando origem à Nova Rota do Oeste. A operação permitiu a reestruturação da concessão e a retomada das obras de duplicação e recuperação do principal corredor logístico mato-grossense.

“É obrigação do Governo Federal, mas nós assumimos para o Estado, compramos a concessionária por R$ 1 e viabilizamos a duplicação da BR-163, que era uma espera de 30 anos de todo esse povo que vive na área de influência da rodovia”, ressaltou.

Pivetta afirmou que a falta de duplicação provocou sofrimento durante décadas, tanto pelos acidentes registrados quanto pelos prejuízos causados à logística. Para ele, a intervenção estadual foi decisiva para retirar o projeto da estagnação.

“A BR-163 é a estrada mais importante do Brasil para as exportações brasileiras. Nós, Governo do Estado, Mauro e eu, fomos lá e fizemos a 163”, disse, em referência à parceria administrativa mantida com o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).

A candidata Natasha Slhessarenko (PSD), no entanto, contestou a forma como Pivetta apresentou os investimentos e destacou a participação do Governo Federal na operação financeira que viabilizou a continuidade das obras da BR-163.

Natasha lembrou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou mais de R$ 5 bilhões em crédito para financiar as obras executadas pela Nova Rota do Oeste.

Conforme as informações divulgadas sobre a operação, o financiamento aprovado pelo BNDES foi de aproximadamente R$ 5,05 bilhões, destinado à duplicação de 444 quilômetros da BR-163 e a outras melhorias no trecho concedido entre Itiquira e Sinop. O projeto completo prevê investimentos superiores a R$ 9 bilhões.

Pivetta reconheceu a importância do financiamento federal, mas enfatizou que não se trata de recurso concedido gratuitamente. Segundo o governador, o dinheiro deverá ser devolvido pela concessionária, com o pagamento de juros e correção.

“A senhora tem razão em citar os problemas que existem nas rodovias. São pontuais e, perto de tudo o que foi feito, é muito pouco. Sobre a BR-163, é verdade que o BNDES emprestou para a Nova Rota do Oeste R$ 5,5 bilhões. É um empréstimo com juros e correção”, respondeu.

Natasha também questionou o custo das obras estaduais. A candidata afirmou que o quilômetro de pavimentação em Mato Grosso estaria variando entre R$ 1,8 milhão e R$ 2,8 milhões e perguntou por que, segundo sua avaliação, o asfalto mato-grossense seria o mais caro da região Centro-Oeste.

“É uma pena que a gente tenha que discutir estradas ruins em um Estado que precisa tanto de logística e de estradas boas e de qualidade”, criticou.

Pivetta não respondeu diretamente ao cálculo apresentado pela adversária, mas voltou a sustentar que os problemas encontrados em algumas rodovias representam uma parcela pequena diante dos aproximadamente 7 mil quilômetros construídos pela atual gestão. Também reforçou que as falhas estão sendo enfrentadas pontualmente pelo Governo do Estado.

O embate ficou mais tenso quando Natasha relacionou a discussão sobre as rodovias às denúncias de corrupção registradas em Mato Grosso. A candidata afirmou que o Estado estaria “mergulhado em escândalos” e cobrou esclarecimentos sobre mais de R$ 400 milhões que, segundo ela, estariam ligados à MT Participações e Projetos S.A. (MT Par) e deveriam ser empregados na duplicação da BR-163.

“Fazer a qualquer custo é muito complicado. Nós temos muita corrupção no nosso Estado. Aliás, o nosso Estado está mergulhado em escândalos de corrupção. Quando a gente fala da BR-163 e da MT Par, precisamos saber para onde foram mais de R$ 400 milhões que eram para a duplicação dessa rodovia”, disparou Natasha.

A candidata também alegou que três escândalos recentes poderiam provocar prejuízos próximos de R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Em sua argumentação, afirmou que esse montante seria suficiente para pavimentar aproximadamente 1,3 mil quilômetros de rodovias ou construir cerca de 13 mil moradias populares.

Os valores foram apresentados por Natasha durante o debate e não foram acompanhados, naquele momento, da identificação detalhada dos três casos nem da apresentação de decisões judiciais definitivas que confirmassem os prejuízos mencionados.

“Se não tivéssemos somente esses três últimos escândalos, que dão quase R$ 2 bilhões de prejuízo aos cofres do nosso Estado, teríamos condições de pavimentar 1,3 mil quilômetros. Também poderiam ser construídas cerca de 13 mil moradias populares”, argumentou.

Natasha encerrou sua participação cobrando uma manifestação do Governo do Estado sobre as denúncias.

“O povo de Mato Grosso precisa saber, precisa conhecer. É importante que o governo venha dizer por que existe tanta corrupção no nosso Estado”, afirmou.

Com apenas quatro segundos disponíveis para responder, Pivetta rejeitou as acusações e classificou a manifestação da adversária como parte da estratégia eleitoral adotada durante o período de campanha.

“É tempo de campanha, de denúncia, de calúnia. Vale tudo”, rebateu.

O confronto sobre infraestrutura abriu o primeiro debate da eleição estadual de 2026. Além de Pivetta e Natasha, participou o senador Wellington Fagundes (PL). O encontro reuniu os três candidatos cujos partidos atendem ao critério mínimo de representação no Congresso Nacional estabelecido pela organização.

Com duração prevista de uma hora e meia, o debate foi dividido em três blocos. O primeiro e o terceiro foram destinados a perguntas com temas determinados, enquanto o segundo reservou espaço para questionamentos de tema livre. As considerações finais também foram previstas para o terceiro bloco.