INCLUSÃO NAS ESCOLAS

Pivetta destaca 4,7 mil profissionais e anuncia reforço às APAEs para ampliar inclusão em MT

· 4 min de leitura
Pivetta destaca 4,7 mil profissionais e anuncia reforço às APAEs para ampliar inclusão em MT

JB News

Por Nayara Cristina

Durante debate, governador relatou experiência familiar com o autismo e defendeu uma rede integrada entre instituições especializadas e escolas regulares para atender crianças neurodivergentes

O atendimento aos alunos neurodivergentes nas escolas de Mato Grosso colocou novamente frente a frente os candidatos ao Governo do Estado durante o primeiro debate eleitoral de 2026, realizado na manhã desta terça-feira (18) pela Centro América FM e pelo portal Primeira Página.

Ao abordar o tema, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, destacou os investimentos realizados pela atual gestão na contratação de profissionais para acompanhar estudantes que necessitam de atendimento educacional especializado. Segundo ele, aproximadamente 4,7 mil profissionais atuam atualmente na rede estadual para promover a inclusão de alunos neurodivergentes.

Pivetta também anunciou que pretende ampliar a política pública a partir de 2027, com a destinação de recursos para estruturar APAEs, unidades da Pestalozzi e outras instituições filantrópicas que prestam atendimento especializado em Mato Grosso.

“Nós temos hoje 4,7 mil profissionais contratados para cuidar de alunos neurodivergentes nas escolas. Mesmo assim, o desafio é grande”, reconheceu.

Durante a resposta, o governador trouxe ao debate uma experiência pessoal para explicar a complexidade enfrentada pelas famílias. Pivetta revelou que seu neto, Antônio, possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 2 de suporte, e afirmou que a convivência com a criança e com sua filha ampliou sua compreensão sobre as dificuldades existentes no cotidiano.

“Eu tenho um neto chamado Antônio, que tem autismo grau 2. Eu aprendi com ele e com a minha filha o quanto é complexa a vida de uma criança e de um adolescente que têm neurodivergência”, relatou.

Pivetta ressaltou que a inclusão não pode ser tratada apenas como uma questão de saúde mental. Segundo ele, o poder público precisa garantir condições pedagógicas, profissionais capacitados e estruturas adequadas para que crianças e adolescentes neurodivergentes tenham acesso efetivo à educação.

“Não é só cuidar de insanidade mental. É cuidar da educação dessas gerações que estão vindo com esses problemas novos”, afirmou.

A proposta apresentada por Pivetta prevê o fortalecimento financeiro e estrutural das entidades especializadas, especialmente APAEs, Pestalozzi e instituições filantrópicas. A intenção, conforme explicou, é oferecer uma iniciação escolar acompanhada por equipes preparadas e, posteriormente, realizar uma transição gradual para o ensino regular, de acordo com as necessidades e a evolução de cada estudante.

“O nosso programa é aportar recursos para a estruturação das APAEs, Pestalozzi e unidades filantrópicas, para atender, na iniciação escolar, os alunos neurodivergentes. Na medida em que forem sendo identificados, percebidos e conhecidos, a gente vai transferindo para a escola regular”, explicou.

O governador afirmou que o novo programa deverá começar no próximo ano, caso seja reeleito. A proposta busca formar uma rede entre a educação especializada e as escolas estaduais regulares, evitando que o processo de inclusão aconteça sem acompanhamento profissional ou planejamento individualizado.

A fala de Pivetta também indicou que, apesar da contratação dos 4,7 mil profissionais, o Governo reconhece que o atendimento ainda precisa avançar. O aumento do número de diagnósticos, a diversidade das necessidades apresentadas pelos estudantes e a necessidade de apoio permanente às famílias estão entre os principais desafios enfrentados pela rede pública.

No encerramento do embate, Pivetta reforçou que o Estado reformou o Hospital Adauto Botelho e contratou profissionais para acompanhar alunos que necessitam de atendimento especializado. Ele admitiu, contudo, que as medidas existentes ainda não são suficientes para atender integralmente à demanda.

“Nós reformamos o Hospital Adauto Botelho, mas ainda não é suficiente. Contratamos profissionais nas escolas para fazer a inclusão de todos os alunos. Estamos trabalhando para melhorar a educação e a inclusão no Estado de Mato Grosso”, declarou.

A discussão começou depois de um questionamento sobre os programas destinados à assistência e à inclusão de crianças neurodivergentes. O senador Wellington Fagundes (PL) iniciou sua resposta falando sobre a reformulação do sistema de atendimento psicossocial, o antigo modelo do Hospital Adauto Botelho e as políticas de saúde mental.

Wellington afirmou que, durante sua atuação parlamentar, participou da aprovação de mudanças no sistema de atendimento psicossocial e defendeu a expansão dos serviços para o interior do Estado. Ele também relacionou o aumento dos transtornos psicológicos ao consumo de drogas e aos efeitos provocados pela pandemia.

“A questão precisa ser enfrentada, mas não pode ser com empirismo, sem criatividade e, principalmente, sem ouvir os profissionais da área. Merece uma atenção muito especial”, disse.

O candidato declarou ainda que pretende implantar novos Centros de Atenção Psicossocial do tipo III, com portas abertas durante 24 horas, além de reestruturar e modernizar os Centros Integrados de Assistência Psicossocial. Segundo Wellington, o atendimento deverá reunir acompanhamento médico, assistência social e apoio às famílias.

A abordagem, entretanto, foi interrompida por Pivetta, que observou que a pergunta tratava especificamente da inclusão educacional de crianças e adolescentes neurodivergentes, e não apenas da assistência a pessoas com transtornos mentais ou dependência química.

Wellington também acusou a atual gestão de ter tentado interromper a transferência de recursos para as APAEs. Segundo ele, a iniciativa teria sido impedida pelo Congresso Nacional. A declaração foi apresentada pelo candidato durante o debate, sem detalhamento da medida específica ou manifestação imediata do Governo do Estado sobre a acusação.

“Nós não deixamos. Deixar um aluno da APAE sem recurso nenhum, apenas sob a responsabilidade das entidades filantrópicas, é impossível”, declarou Wellington.

Ao diferenciar o atendimento educacional especializado das políticas gerais de saúde mental, Pivetta procurou direcionar a discussão para a permanência, o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes dentro da rede de ensino. A proposta apresentada por ele combina a manutenção de profissionais nas escolas regulares com o reforço financeiro às entidades especializadas.

O debate evidenciou que a inclusão de alunos neurodivergentes deverá ocupar espaço relevante na campanha eleitoral. Além da matrícula, o desafio envolve acompanhamento individualizado, formação dos profissionais, adaptação das atividades pedagógicas, integração com as famílias e garantia de recursos para que APAEs, Pestalozzi e escolas regulares consigam atender os estudantes de acordo com suas necessidades.