REAÇÃO À REFORMA TRIBUTÁRIA

Pivetta aposta na industrialização para neutralizar perdas de R$ 1 bilhão em MT

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Pivetta aposta na industrialização para neutralizar perdas de R$ 1 bilhão em MT

JB News

Por José Teixeira

Governador defende verticalização das cadeias da soja, milho e algodão, chegada de novas indústrias e ampliação do consumo como estratégias para proteger a arrecadação estadual

O impacto da reforma tributária sobre as receitas de Mato Grosso colocou em evidência, durante o debate entre os candidatos ao Governo do Estado, a estratégia defendida por Otaviano Pivetta (Republicanos) para reduzir e neutralizar as possíveis perdas de arrecadação. Questionado por Natasha Slhessarenko (PSD) sobre uma redução estimada em aproximadamente R$ 1 bilhão, Pivetta afirmou que o caminho passa pela industrialização, verticalização da produção, geração de empregos e ampliação do consumo dentro do próprio Estado.

A pergunta foi feita por Natasha após o sorteio do tema “Perdas da reforma tributária”. A candidata lembrou que as mudanças serão implantadas gradualmente e questionou como o governo pretende cumprir a previsão de neutralizar os efeitos sobre as receitas estaduais.

Pivetta respondeu que Mato Grosso está em pleno crescimento e possui condições econômicas para enfrentar as mudanças provocadas pelo novo sistema tributário. Segundo ele, os investimentos em infraestrutura realizados ao longo dos últimos sete anos permitiram uma expansão significativa da produção estadual.

O candidato afirmou que o Estado acrescentou 46 milhões de toneladas à sua capacidade produtiva, volume que comparou à produção de um estado inteiro do tamanho do Paraná. Para Pivetta, depois da expansão da infraestrutura e da produção agropecuária, Mato Grosso entra agora em um novo ciclo econômico, marcado pela transformação das matérias-primas dentro do próprio território.

“Com a infraestrutura que nós fizemos nesses últimos sete anos, conseguimos ampliar a nossa produção. Colocamos o equivalente a um Paraná inteiro dentro do Estado de Mato Grosso, 46 milhões de toneladas. E o ciclo agora é verticalização, é industrialização do Estado para agregar valor, gerar melhores empregos e também arrecadar mais”, declarou.

A proposta defendida pelo candidato consiste em aumentar a atividade econômica e ampliar a base tributária, reduzindo a dependência da simples produção e comercialização de matérias-primas. Ao transformar soja, milho, algodão e outros produtos em Mato Grosso, o Estado poderá agregar valor, criar empregos mais qualificados, estimular o consumo interno e gerar novas fontes de arrecadação.

Pivetta também destacou o crescimento populacional como um fator importante para a sustentação da economia estadual. Segundo ele, as projeções indicam que Mato Grosso poderá ser, até 2070, o único estado brasileiro a continuar crescendo do ponto de vista demográfico, enquanto outras unidades da Federação enfrentarão redução populacional.

“Então, no meu governo, eu vou continuar incentivando e estimulando a industrialização, a agroindústria, a industrialização da Baixada Cuiabana, para gerar melhores empregos aqui, qualificar todos os nossos jovens já no ensino médio e desenvolver Mato Grosso. É assim que nós vamos, com menos impostos, arrecadar mais”, afirmou.

A manifestação mostrou que a estratégia governista não está baseada no aumento da carga tributária, mas na ampliação da economia. O objetivo apresentado por Pivetta é fazer o Estado arrecadar mais por meio do crescimento da produção industrial, da geração de renda, da qualificação profissional e do aumento do consumo.

Natasha insistiu na pergunta e afirmou que não havia compreendido como ocorreria a neutralização das perdas. Ela lembrou que o ICMS ainda representa a principal fonte de arrecadação estadual e citou o desaparecimento gradual de benefícios fiscais, especialmente aqueles relacionados ao setor agropecuário.

“Candidato, o senhor não respondeu ainda a forma como vai neutralizar. Não entendi como é que o senhor neutralizaria isso”, questionou.

A candidata também ressaltou que a reforma tributária será implantada gradualmente e ainda envolve incertezas sobre os impactos efetivos nas contas estaduais. Na avaliação dela, Mato Grosso precisa se preparar porque atualmente é um grande produtor, mas possui um mercado consumidor proporcionalmente menor.

Natasha concordou que uma das alternativas é mudar o perfil econômico de Mato Grosso, fazendo com que o Estado deixe de ser apenas fornecedor de matérias-primas e também passe a produzir e consumir mercadorias de maior valor agregado. Ela citou como exemplo o algodão, setor no qual Mato Grosso possui protagonismo nacional, mas ainda não conta com uma indústria têxtil compatível com sua capacidade produtiva.

“Hoje, a reforma tributária que vai vir fará com que o Estado que consuma pouco, e o nosso Estado consome pouco, tenha perdas. O nosso Estado é produtor. Nós precisamos mudar a chave e fazer com que o nosso Estado saia da condição de produtor para a condição de consumidor”, declarou Natasha.

A candidata acrescentou que, com a mudança da tributação para o destino, o consumo terá peso decisivo na divisão das receitas. Por isso, também defendeu a presença de agroindústrias e indústrias de transformação em Mato Grosso.

“Onde já se viu o Estado que é responsável por produzir 70% do algodão não ter nenhuma indústria de fiação ou indústria têxtil aqui?”, questionou.

Ao responder, Pivetta sustentou que nenhum outro governo teria feito tanto pelo desenvolvimento econômico de Mato Grosso. Segundo ele, durante os últimos sete anos, o Estado registrou crescimento real de 54%, já descontada a inflação.

Para o candidato, esse resultado demonstra que os investimentos em infraestrutura e a reorganização administrativa criaram as condições necessárias para a chegada de novas empresas, a expansão da agroindústria e o início de um processo mais amplo de verticalização da economia.

“Ninguém mais do que nós fez para o desenvolvimento do Estado de Mato Grosso. Em sete anos, nós tivemos um crescimento de 54% real, descontada a inflação. Então houve crescimento econômico porque o Estado está se desenvolvendo e a agroindústria está chegando”, afirmou.

Pivetta citou a região da BR-163 como exemplo do modelo que pretende levar para outras partes do Estado. De acordo com ele, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum estão entre os municípios mais industrializados do país em razão da transformação local da produção agropecuária.

O plano apresentado é expandir esse processo para todas as regiões, com atenção especial à Baixada Cuiabana. A chegada do terminal da primeira ferrovia estadual é apontada pelo governo como uma oportunidade para atrair empreendimentos, reduzir custos logísticos e instalar novas unidades industriais.

Na cadeia do algodão, Pivetta anunciou que pretende estimular a implantação de indústrias de fiação e do setor têxtil na região metropolitana. A estratégia busca impedir que Mato Grosso permaneça apenas como exportador de matéria-prima, fazendo com que uma parcela maior da riqueza gerada pela produção permaneça no Estado.

“Na Baixada Cuiabana, especialmente com a chegada do terminal ferroviário, a primeira ferrovia estadual do Estado de Mato Grosso, nós vamos implantar a indústria têxtil aqui. O fenômeno da produção do algodão é novo, é recente. E nós vamos começar a verticalizá-lo. Já fizemos na soja, já fizemos no milho e agora vamos fazer no algodão também”, explicou.

A proposta para a cadeia algodoeira segue o modelo de industrialização já aplicado à soja e ao milho. A transformação desses produtos permitiu o avanço de atividades como fabricação de óleo, farelo, ração, etanol de milho e outros derivados, movimentando diferentes setores da economia e ampliando as possibilidades de arrecadação.

Natasha voltou a confrontar o candidato e questionou por que as iniciativas anunciadas ainda não teriam sido executadas, considerando que Pivetta ocupou o cargo de vice-governador durante sete anos e meio.

“O senhor fala que vai fazer. O senhor teve aí sete anos e meio como vice-governador. Por que essas iniciativas já não foram feitas durante o tempo em que o senhor era vice-governador? O senhor estava aí pouco mais de 40 passos do gabinete do governador”, provocou.

Pivetta rebateu lembrando o cenário encontrado pela administração estadual em 2019. Conforme relatou, Mato Grosso enfrentava atrasos nos salários dos servidores e nos pagamentos aos fornecedores, além de dificuldades financeiras que exigiram a reorganização das contas públicas antes da ampliação dos investimentos.

“Nós fizemos muito. Nós assumimos o Estado quebrado em 2019, com salário do servidor atrasado e fornecedor atrasado. Corrigimos tudo isso e começamos um novo modelo de gestão que nunca antes foi feito”, respondeu.

O candidato citou a construção de 7 mil quilômetros de novas rodovias em oito anos como uma das bases do novo ciclo econômico. As obras de infraestrutura, segundo ele, permitiram ampliar a produção, reduzir gargalos logísticos, atrair investimentos e criar as condições para uma expansão ainda maior da agroindústria.

Pivetta afirmou ainda que o Produto Interno Bruto de Mato Grosso praticamente dobrou e que a projeção é de crescimento adicional de 40% durante os próximos dez anos. Para ele, o desenvolvimento precisa respeitar etapas e o Estado já realizou os investimentos necessários para entrar agora em uma fase de maior industrialização.

“A agroindústria está chegando. Nós quase dobramos o PIB do Estado de Mato Grosso. A projeção é aumentar mais 40% nos próximos dez anos. Então nós estamos desenvolvendo o Estado. A questão também tem que esperar o tempo acontecer”, argumentou.

No encerramento do confronto, Natasha deixou o tema da reforma tributária e direcionou suas críticas para a área social. A candidata acusou a atual administração de não cuidar das pessoas, citando a fila da saúde e afirmando que aproximadamente 500 mil pessoas passam fome em Mato Grosso.

“A questão maior, candidato Otaviano, é que é um governo que não cuidou de gente. É um governo que abandonou as pessoas, que tem a maior fila da saúde e cerca de 500 mil pessoas passando fome no nosso Estado”, acusou.

Apesar do ataque final da adversária, Pivetta utilizou o debate para apresentar o eixo central da reação governista aos efeitos da reforma tributária. A estratégia consiste em aproveitar a infraestrutura construída nos últimos anos para inaugurar uma nova etapa de desenvolvimento, transformando a força produtiva de Mato Grosso em atividade industrial, empregos qualificados, renda, consumo e arrecadação.

As mudanças tributárias ainda serão implementadas gradualmente, e o tamanho definitivo das perdas dependerá da regulamentação e do desempenho econômico ao longo do período de transição. Ainda assim, Pivetta defendeu que Mato Grosso não pode enfrentar o novo cenário apenas com medidas fiscais ou aumento de impostos.

A resposta apresentada pelo candidato está voltada para o crescimento econômico: produzir, transformar e consumir mais dentro do Estado. Com a industrialização das cadeias da soja, do milho e do algodão, a expansão da agroindústria, a chegada da ferrovia à Baixada Cuiabana e a qualificação dos jovens ainda no ensino médio, o governo pretende proteger as receitas e neutralizar as perdas estimadas em R$ 1 bilhão provocadas pela reforma tributária.