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Corte de R$ 0,63 na gasolina e tributo zero para etanol mexem com mercado bilionário de biocombustíveis em MT

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Corte de R$ 0,63 na gasolina e tributo zero para etanol mexem com mercado bilionário de biocombustíveis em MT

JB News

Por Redação

Uma mudança temporária na tributação federal dos combustíveis coloca Mato Grosso, maior polo brasileiro de etanol de milho, diante de uma nova disputa de preços entre gasolina e biocombustível.

O Decreto nº 13.116/2026, assinado em 9 de setembro e com efeitos iniciados nesta quinta-feira (10), reduziu em R$ 0,63 por litro a carga de PIS/Pasep e Cofins incidente sobre a gasolina.

Com a alteração, os dois tributos passam a representar cerca de R$ 0,16 por litro de gasolina.

No caso do etanol hidratado, as contribuições foram zeradas, produzindo uma redução tributária equivalente a aproximadamente R$ 0,19 por litro. A medida permanecerá em vigor até 9 de outubro. A decisão tem repercussão particular em Mato Grosso.

O Estado vive uma expansão acelerada da indústria de biocombustíveis e já responde por aproximadamente 62% de toda a produção nacional de etanol de milho.

A projeção para a safra 2026/27 é de aproximadamente 8,44 milhões de metros cúbicos de etanol, equivalentes a 8,44 bilhões de litros, considerando as diferentes matérias-primas utilizadas no Estado. (Bioind MT⁠)

Isso significa que qualquer mudança relevante na relação de preço entre gasolina e etanol pode produzir efeitos muito além das bombas.

Ela interfere na demanda das usinas, na quantidade de milho processada dentro do Estado, na produção de DDG destinada à alimentação animal, na logística e na rentabilidade de uma cadeia que recebeu bilhões de reais em investimentos nos últimos anos.

A redução tributária beneficia também o etanol ao zerar PIS/Pasep e Cofins sobre o hidratado. Entretanto, a gasolina recebeu uma redução nominal maior, de R$ 0,63 por litro.

Isso não permite afirmar, isoladamente, que haverá perda automática de competitividade para o etanol.

O resultado dependerá do repasse efetivo dos cortes às bombas, dos preços cobrados pelas distribuidoras, do comportamento do petróleo e dos valores praticados pelas usinas.

Por isso, o principal termômetro estará nas próximas semanas nos postos de Cuiabá, Várzea Grande e municípios produtores.

Se a relação de preços mudar de forma relevante, Mato Grosso poderá sentir a alteração dentro de uma indústria que passou a desempenhar papel cada vez maior na absorção da gigantesca produção estadual de milho.

A medida federal vale apenas até outubro, mas será suficiente para produzir um teste importante: mostrar como um mercado bilionário instalado em Mato Grosso reage quando gasolina e etanol recebem simultaneamente fortes cortes de impostos.