OPERAÇÃO SISAMNES

Acusado de movimentar R$ 7,4 milhões com Zampieri não é notificado e Zanin dá novo prazo

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Acusado de movimentar R$ 7,4 milhões com Zampieri não é notificado e Zanin dá novo prazo

JB News

Por José Teixeira

Acusado de movimentar R$ 7,4 milhões com Zampieri não é notificado e Zanin dá novo prazo

Produtor rural Bernardo Mazzutti foi denunciado pela PGR por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa; investigação aponta pagamentos milionários ligados a disputa pela Fazenda Eldorado

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma nova tentativa para concluir a notificação do produtor rural Bernardo Mazzutti, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que investiga um suposto esquema de negociação de decisões judiciais revelado pela Operação Sisamnes.

A determinação consta de decisão assinada por Zanin em 2 de setembro de 2026. No despacho, o ministro voltou a requisitar informações à Direção do Foro da Justiça Federal de Mato Grosso sobre o cumprimento da carta precatória expedida para notificar Mazzutti e estabeleceu novo prazo de 10 dias para cumprimento da diligência. (Jusbrasil)

O ministro registrou que, até aquele momento, não havia informação sobre o cumprimento da notificação, apesar de sucessivos despachos anteriores cobrando providências.

A situação não permite, entretanto, afirmar que Mazzutti seja formalmente foragido. O que está documentado no processo é que a notificação ainda não havia sido efetivamente informada ao STF quando Zanin proferiu a nova decisão.

Bernardo Mazzutti figura entre os denunciados pela PGR no braço da Sisamnes que investiga suposta negociação de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é acusado de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As acusações ainda serão submetidas ao Judiciário e não representam condenação.

O nome do produtor aparece em um dos episódios mais milionários identificados a partir das investigações realizadas depois do assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá.

O caso envolve uma disputa judicial pela Fazenda Eldorado, em Barra do Garças, propriedade avaliada em aproximadamente R$ 70 milhões.

Segundo a acusação da PGR, a operação financeira relacionada ao litígio teria contado com pelo menos R$ 5,2 milhões movimentados em espécie entre pessoas envolvidas nas tratativas.

A Polícia Federal identificou ainda transferências de Bernardo Mazzutti para Roberto Zampieri que totalizaram R$ 7,42 milhões entre 2021 e 2023.

De acordo com os elementos reunidos na investigação, mais de 70% desse montante teria sido movimentado em espécie. Registros contábeis das propriedades ligadas ao produtor, mensagens e dados bancários integram o conjunto de provas utilizado na apuração. (Olhar Direto)

A disputa pela Fazenda Eldorado chegou ao STJ depois de uma série de processos envolvendo a propriedade.

Segundo a investigação, o imóvel havia sido utilizado como garantia fiduciária em operações de crédito superiores a R$ 70 milhões. Paralelamente, a área também esteve envolvida em contrato de compra e venda posteriormente desfeito por inadimplência, desencadeando uma longa disputa judicial.

É justamente nesse conjunto de recursos que a PGR aponta a atuação do grupo investigado.

A acusação sustenta que Zampieri e o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves atuavam na intermediação de interesses relacionados aos processos e teriam acesso antecipado a minutas de decisões que tramitavam no STJ.

Um dos servidores citados no episódio é Márcio José Toledo Pinto, que trabalhou no gabinete da ministra Isabel Gallotti.

Segundo a denúncia, perícias realizadas em arquivos digitais apontaram Márcio como autor de minutas que teriam sido compartilhadas antes da assinatura e publicação oficial das decisões.

Em uma das situações investigadas, mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram Zampieri e Andreson comparando uma minuta obtida antecipadamente com o conteúdo posteriormente publicado.

A PGR sustenta que Mazzutti, Zampieri e Andreson teriam atuado para oferecer e viabilizar vantagens indevidas relacionadas ao esquema. Márcio, por sua vez, foi denunciado por corrupção passiva e violação de sigilo funcional.

Todas essas imputações integram a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República e dependem de julgamento.

A Operação Sisamnes ganhou dimensão nacional depois que a Polícia Federal teve acesso ao telefone celular de Roberto Zampieri.

As mensagens armazenadas no aparelho abriram uma nova frente de investigação sobre possíveis negociações envolvendo processos judiciais e levaram as apurações de Mato Grosso até Brasília.

O material passou a subsidiar investigações envolvendo advogados, empresários, lobistas e servidores do Judiciário, além de procedimentos relacionados a magistrados.

Agora, a decisão de 2 de setembro de 2026 cria um novo prazo para que o STF receba informações concretas sobre a notificação de Bernardo Mazzutti.

Caso a diligência continue sem cumprimento, o processo poderá voltar à análise de Cristiano Zanin para definição das providências processuais cabíveis.

O próximo movimento, portanto, será verificar se Mazzutti será efetivamente notificado dentro do novo prazo de 10 dias e qual será sua resposta formal às acusações apresentadas pela PGR.