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Pivetta diz que Estado tirou BR-163 do “corredor da morte” ao comentar uso da duplicação pela oposição

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Pivetta diz que Estado tirou BR-163 do “corredor da morte” ao comentar uso da duplicação pela oposição

JBNews

Por Nayara Cristina

DISPUTA PELA BR-163

Governador afirma que rodovia estaria em um “show de horrores” sem intervenção estadual e reage ao uso das obras de duplicação pelo senador Carlos Fávaro durante a campanha

O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), voltou a colocar a BR-163 no centro do debate eleitoral ao afirmar que a intervenção do Governo do Estado foi determinante para destravar a duplicação e mudar a realidade da principal rodovia de escoamento da produção mato-grossense.

A declaração foi dada nesta terça-feira (22), após Pivetta participar da sabatina promovida pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), em Cuiabá. Questionado pela imprensa sobre o senador Carlos Fávaro (PSD) utilizar em sua campanha as obras de duplicação da BR-163, Pivetta afirmou inicialmente que não acompanhou as declarações do adversário, mas passou a defender o protagonismo estadual na recuperação da concessão.

“A 163 é uma rodovia importantíssima para cerca de 60% da população de Mato Grosso. Ela é uma rodovia que é tocada hoje por uma concessionária, que é 100% do povo de Mato Grosso”, declarou.

Na sequência, Pivetta elevou o tom ao comparar a situação atual com o cenário existente antes da entrada do Estado no controle da concessionária.

“Se não fosse o Governo de Mato Grosso e os contribuintes mato-grossenses, a 163 seria aquele show de horrores, seria o corredor da morte que era durante todo o tempo antes de nós chegarmos e assumirmos a 163 para valer”, afirmou o governador.

A declaração ocorre em meio a uma disputa política pela participação de diferentes governos no processo que permitiu a retomada das obras. A BR-163 continua sendo uma rodovia federal e o contrato de concessão permanece submetido à regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O que mudou foi o controle da concessionária Nova Rota do Oeste, assumido pela MT Participações e Projetos (MT Par), empresa controlada pelo Governo de Mato Grosso, após a repactuação do contrato que enfrentava dificuldades para execução dos investimentos.

O modelo firmado prevê investimentos de R$ 7,5 bilhões em até oito anos. O pacote contempla a duplicação de 442 quilômetros, construção de 34 dispositivos de trânsito, sete passarelas para pedestres, 26 quilômetros de vias marginais, implantação de infraestrutura de fibra óptica ao longo do trecho e instalação de 499 câmeras de videomonitoramento.

A concessão administrada pela Nova Rota do Oeste compreende 850,9 quilômetros das BRs 163, 364 e 070, entre Itiquira e Sinop. A rodovia forma o principal corredor terrestre para circulação da produção agroindustrial de Mato Grosso e atravessa alguns dos maiores polos econômicos do Estado.

As obras de duplicação foram retomadas em julho de 2023. Em maio deste ano, a concessionária informava que aproximadamente 230 quilômetros já estavam duplicados e que o planejamento previa antecipar a conclusão das intervenções em relação ao prazo contratual.

Um dos grandes canteiros está localizado entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde. Somente nesse segmento estão previstos 88 quilômetros de intervenções, entre os quilômetros 593 e 681, incluindo duplicação, recuperação e manutenção da pista existente, cinco viadutos e uma ponte sobre o Rio dos Patos. O investimento informado pela concessionária para esse trecho é de R$ 670 milhões.

As frentes de trabalho permanecem ativas. Nesta quarta-feira (23), um dia depois das declarações de Pivetta, a Nova Rota do Oeste implantou um desvio entre os quilômetros 759 e 762, em Sorriso, para permitir a continuidade da duplicação. O tráfego passou a utilizar três quilômetros de pista nova enquanto a estrutura antiga recebe serviços de recuperação.

A expansão da capacidade da rodovia também continua passando pela análise regulatória federal. Em 11 de setembro, a ANTT autorizou a concessionária a elaborar e apresentar projeto executivo e orçamento para a duplicação de mais 1,2 quilômetro da BR-163, entre os quilômetros 461,7 e 462,9. A deliberação permite a elaboração do projeto, mas não representa, por si só, autorização para início da obra.

Ao reivindicar a participação estadual no processo, Pivetta transforma a BR-163 em um dos principais ativos de infraestrutura apresentados por sua gestão na campanha de 2026. A manifestação também responde à narrativa apresentada por Fávaro, que tem citado a participação federal no processo de retomada da concessão. Embora a concessionária esteja sob controle de uma estatal mato-grossense, a rodovia permanece federal e a execução do contrato continua vinculada à ANTT.

Durante a mesma entrevista no CRM-MT, Pivetta também defendeu o modelo de fiscalização dos contratos estaduais. O governador afirmou que sua administração tem “compromisso com as coisas certas” e declarou confiar nas equipes técnicas responsáveis pela execução e auditoria dos serviços públicos.

“Nós temos compromisso com as coisas certas. Não temos compromisso com o erro. Os contratos que nós temos, até que prove o contrário, são bem concebidos. São contratos que são justos, com referência de preço, planilhas, e nós temos uma fiscalização rigorosa, auditoria rigorosa”, afirmou.

A fala foi feita originalmente no contexto dos contratos da Saúde, mas reforçou o discurso adotado pelo governador durante a coletiva de que a gestão de contratos, fiscalização e controle são pilares do modelo administrativo defendido por ele. (24 HORAS MT)

Na infraestrutura, porém, foi a BR-163 que concentrou a manifestação política mais contundente. Ao classificar a antiga situação da rodovia como “corredor da morte”, Pivetta atribuiu diretamente ao Estado e aos contribuintes mato-grossenses a mudança no cenário de uma estrada que durante anos acumulou cobranças por duplicação, problemas contratuais e elevado número de acidentes.

Agora, em plena campanha eleitoral, a rodovia que durante anos simbolizou um dos maiores gargalos logísticos de Mato Grosso também passou a ocupar espaço na disputa política sobre quem deve receber o crédito pela retomada das obras.

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