“MENSALIDADE” DO CV

STJ mantém preso investigado em esquema do CV que movimentou R$ 2,8 milhões por Pix

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STJ mantém preso investigado em esquema do CV que movimentou R$ 2,8 milhões por Pix

JBNews

Por Emerson Teixeira

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva de Kayky Carvalho de Oliveira, investigado por suposta participação em uma estrutura ligada ao Comando Vermelho na região de Barra do Garças. Ele foi preso no âmbito da terceira fase da Operação Tudo 2, investigação que identificou movimentação financeira de aproximadamente R$ 2,8 milhões em cerca de um ano.

A decisão mantém a medida cautelar decretada durante a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Segundo os elementos reunidos no procedimento, o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada de arrecadação, divisão de funções e circulação de recursos.

A terceira fase da Operação Tudo 2 foi deflagrada em maio deste ano para avançar sobre o núcleo financeiro da organização investigada. Foram expedidas 40 ordens judiciais, sendo 19 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão.

As medidas alcançaram Barra do Garças, Primavera do Leste, Rondonópolis, Novo São Joaquim e Cuiabá, em Mato Grosso, além de Aragarças, no estado de Goiás.

A investigação aponta que os aproximadamente R$ 2,8 milhões teriam circulado em um período de cerca de 12 meses. Conforme o Gaeco, os recursos investigados estavam relacionados a diferentes atividades atribuídas à organização, entre elas tráfico de drogas, golpes virtuais, apostas pela internet, jogos de azar e cobranças internas feitas aos integrantes.

Uma das formas de arrecadação identificadas pelos investigadores era uma espécie de mensalidade cobrada dos próprios membros. Dentro da estrutura investigada, o pagamento era chamado de “camisa” ou “peita”.

Os repasses eram realizados, inclusive, por transferências via Pix. A investigação identificou depósitos fracionados, entre eles pagamentos de R$ 100 vinculados à cobrança interna atribuída à facção.

O Gaeco também encontrou grupos de WhatsApp utilizados na estrutura investigada. Entre os nomes identificados aparecem “Escola José Ângelo” e “Supermercado Cogal”, denominações que, segundo a investigação, eram utilizadas como fachada nas comunicações dos integrantes.

As conversas e dados financeiros passaram a integrar os elementos utilizados pelo Ministério Público para reconstruir a estrutura da organização, identificar responsáveis pela movimentação dos valores e individualizar a participação dos investigados.

A apuração também identificou situações em que contas utilizadas nas movimentações pertenciam a pessoas que recebiam benefícios sociais. A circunstância passou a integrar a investigação financeira sobre a origem, circulação e destino dos recursos.

A Operação Tudo 2 não começou nesta terceira etapa. A investigação avançou a partir de informações obtidas durante a segunda fase, realizada em 24 de abril de 2025. A partir daquele material, os investigadores afirmam ter identificado integrantes responsáveis por diferentes atividades e pelo gerenciamento dos recursos.

O núcleo financeiro já levou outros investigados ao STJ. Em junho deste ano, a ministra convocada Nilsoni de Freitas negou pedidos de liberdade apresentados em favor de Alana Almeida Falcão e Dâmalla Ferreira Ramos, também presas durante a terceira fase da operação.

No caso de Dâmalla, a investigação apontou que uma chave Pix vinculada a ela teria sido utilizada para pagamento de mensalidade da organização. Em relação a Alana, relatório de análise do Gaeco apontou movimentações financeiras padronizadas e conversas por aplicativo com outros investigados.

Ao analisar os pedidos relacionados à operação, o STJ tem considerado elementos como a estrutura organizada descrita na investigação, o risco apontado de reiteração e a necessidade de interromper as atividades atribuídas ao grupo.

A manutenção da prisão de Kayky não representa condenação. A prisão preventiva é uma medida cautelar aplicada durante a tramitação do processo, e as acusações ainda dependem da análise definitiva pelo Judiciário, com garantia do contraditório e da defesa.

A investigação, entretanto, colocou no centro da apuração a estrutura financeira utilizada para sustentar as atividades atribuídas ao grupo. Além do tráfico de drogas, o Gaeco tenta reconstruir a rede de transferências bancárias, cobranças internas, apostas, jogos e outras fontes que, somadas, teriam feito aproximadamente R$ 2,8 milhões circular em apenas um ano.