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Por Emerson Teixeira
Candidata a deputada estadual pelo PL, vereadora defende políticas para mulheres, crianças, autistas e famílias; apontada como uma das apostas da direita, ela também critica MDB e rebate adversários: “Se eu fosse pequena, ninguém tentaria me diminuir”
Apontada nos bastidores como uma das candidaturas prioritárias da cúpula da direita para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a vereadora por Cuiabá Samantha Íris (PL) colocou a defesa das mulheres, das crianças e das famílias entre as principais bandeiras de sua campanha a deputada estadual.
Esposa do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), Samanta afirmou que pretende ampliar para todo o estado iniciativas desenvolvidas na capital. Segundo ela, a atuação em defesa das mulheres precisa ultrapassar o campo ideológico e ser transformada em projetos capazes de produzir resultados concretos.
“Em relação à defesa das mulheres, eu pretendo fazer uma defesa real, assim como a gente tem feito em Cuiabá. Levar esses projetos para todo o estado e também criar mecanismos para os municípios desempenharem projetos que realmente mudem a vida das mulheres”, declarou.
A candidata afirmou que pretende defender as mulheres sem aderir ao feminismo e criticou o que classificou como disputas que não apresentam soluções práticas.
“É lutar pela mulher sem ser feminista, com brigas que não levam ninguém a lugar nenhum, mas com projetos que realmente fortaleçam as mulheres”, disse.
Entre as experiências que pretende apresentar aos municípios mato-grossenses, Samantha mencionou um projeto implantado em Cuiabá que começou atendendo aproximadamente 80 mulheres e, de acordo com ela, já se aproxima de mil participantes. A vereadora disse que representantes de cidades do interior têm procurado informações para reproduzir a iniciativa.
Outra prioridade anunciada é a ampliação de políticas públicas para crianças, especialmente nas áreas de saúde, educação e inclusão. Samanta citou a abertura do Centro Médico Infantil de Cuiabá, com atendimento odontológico 24 horas, e destacou que a falta de assistência especializada ainda é uma realidade em diferentes regiões de Mato Grosso.
“A gente sabe que a saúde é uma carência em várias regiões do estado e precisa lutar por isso também”, afirmou.
A candidata também defendeu que experiências como o Centro Amar, voltado ao atendimento educacional de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, sejam levadas para outros municípios. Segundo ela, uma eventual atuação na Assembleia será orientada por políticas destinadas às mulheres, crianças, pessoas com deficiência, idosos e famílias.
“Quero lutar pela família, pelas mulheres, pelas crianças, pelos idosos e também pelos homens. Sou uma mulher de direita e entendo que precisamos trabalhar em conjunto. Eu não quero estar no lugar de um homem. Quero estar no meu lugar, fazendo o meu papel e trabalhando em conjunto”, pontuou.
Atualmente no exercício do primeiro mandato na Câmara Municipal, Samanta participa de espaços estratégicos do Legislativo cuiabano, incluindo a Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Eleita como a mulher mais votada da história da Câmara de Cuiabá, ela afirmou que procura aproveitar todas as oportunidades para participar das discussões e defender publicamente suas posições.
“Se tenho essa oportunidade, preciso todos os dias lutar para fazer o melhor. Quero deixar uma história bonita não apenas para os meus filhos, mas para os filhos dos cuiabanos e para as famílias que estão desesperançosas com a política”, declarou.
Samantha também comentou a doação de R$ 300 mil recebida para sua campanha, atribuída a um empresário ligado ao agronegócio. A candidata disse ter sido surpreendida positivamente com a contribuição e avaliou que o apoio representa confiança em seu projeto político.
“As pessoas acreditam que a Assembleia Legislativa pode ter, pela primeira vez, uma mulher de direita que vai defender a liberdade econômica, o agronegócio, o Estado de Mato Grosso e o desenvolvimento do interior. Fico muito feliz e muito grata por esse apoio”, afirmou.
Ao ser questionada sobre o segundo voto para o Senado e a possibilidade de apoiar Janaina Riva, candidata pelo MDB, Samantha descartou acompanhar a emedebista. Apesar de defender maior participação feminina na política, ela disse que seu apoio está condicionado à afinidade ideológica.
“Eu apoio mulheres de direita na política. Todas buscam seus espaços e eu apoio as mulheres que são de direita. Não tenho como apoiar um partido que esteve contra a gente nas últimas eleições e que tem um histórico de estar contra a gente”, justificou.
A vereadora acrescentou que não considera o MDB alinhado aos valores defendidos pelo PL. Para ela, representatividade feminina e coerência partidária precisam caminhar juntas.
“Eu apoio as mulheres, mas também preciso ser coerente. Apoio as mulheres que têm a mesma ideologia que a minha. Não estou com o MDB porque não acredito que a ideologia deles seja igual à ideologia do PL”, reforçou.
Durante a entrevista, Samantha também reagiu às críticas de adversários que tentariam desqualificar sua candidatura por sua experiência ainda recente na política. Ela afirmou que os ataques demonstram que sua atuação está causando incômodo.
“Se eu fosse pequena, ninguém tentaria me diminuir. Então, já tiro por aí. A gente incomoda quando realmente está desempenhando um papel. Quem se incomodar, que fique incomodado, mas vou continuar desempenhando meu papel, falando quando achar que devo e lutando pelas causas em que acredito. Vou continuar incomodando a esquerda, principalmente”, disparou.
A candidata ainda comentou a situação política envolvendo a vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa, e a possibilidade de Abílio Brunini se licenciar da prefeitura para participar mais diretamente da campanha eleitoral. Samantha disse que a decisão caberá exclusivamente ao prefeito e negou preocupação com uma eventual mudança temporária no comando do Palácio Alencastro.
Ela afirmou, contudo, que ficaria satisfeita com uma presença maior do marido na campanha. Segundo Samanta, os dois vêm conciliando as atividades eleitorais com as responsabilidades institucionais, realizando visitas e compromissos políticos depois do expediente e nos finais de semana.
“Quando puder tê-lo junto comigo, será excelente. Temos feito isso depois do horário do expediente e nos finais de semana, sempre com muita responsabilidade. Ele cuidando de Cuiabá e eu do meu mandato na Câmara. Abílio vai definir, no melhor momento, se vai se licenciar ou não”, explicou.
Ao analisar a situação de Vânia, Samantha afirmou acreditar que a vice-prefeita pode ter sido “iludida pelo MDB”. A vereadora também acusou partidos de esquerda e de centro de utilizarem a defesa das mulheres no discurso, sem garantir espaço efetivo para candidaturas femininas.
“Às vezes, há partidos que falam tanto que defendem as mulheres, mas não as abraçam de fato. Além de falar sobre a mulher, é preciso ser coerente. Não vejo essa coerência no MDB e acredito que a direita tem abraçado as mulheres com muito mais responsabilidade”, concluiu.
Com o discurso direcionado ao eleitorado conservador, Samanta tenta se apresentar como uma candidatura feminina alinhada às pautas da direita, ao agronegócio, à liberdade econômica e à defesa da família. A estratégia é usar a atuação na Câmara de Cuiabá e a proximidade com a administração de Abílio Brunini como vitrines para buscar uma cadeira no Legislativo estadual.
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