OPERAÇÃO REPLAY

R$ 32 milhões sob suspeita: Polícia revela quem são os 15 investigados por operar patrimônio oculto do Comando Vermelho em MT

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R$ 32 milhões sob suspeita: Polícia revela quem são os 15 investigados por operar patrimônio oculto do Comando Vermelho em MT

A Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, revelou a estrutura de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, movimentou aproximadamente R$ 32 milhões em patrimônio ligado ao Comando Vermelho (CV). A ofensiva tem como foco o núcleo financeiro da facção criminosa, responsável por ocultar bens de alto valor por meio de “laranjas”, empresas, imóveis de luxo, veículos e procurações utilizadas para mascarar a verdadeira propriedade dos ativos.

Ao todo, 15 pessoas são investigadas por integrarem a engrenagem financeira da organização criminosa. Entre os alvos estão advogada, ex-servidores públicos, jogadores de futebol amador, empresários e pessoas apontadas como responsáveis por emprestar seus nomes para registrar imóveis e outros bens adquiridos com recursos provenientes, segundo a Polícia Civil, de atividades ilícitas.

No centro da investigação está Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”, apontado como o tesoureiro e principal operador financeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso. Mesmo custodiado na ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele teria comandado toda a estrutura criminosa utilizando sete aparelhos celulares clandestinos. As interceptações mostram que W.T. administrava arrecadações milionárias da facção, autorizava pagamentos, distribuía recursos, determinava alterações em planilhas financeiras e coordenava os chamados “fechamentos” e “recolhes”, expressões utilizadas para identificar o fluxo de dinheiro da organização.

As investigações apontam que seu principal auxiliar era Emerson Ferreira Lima, conhecido pelos apelidos “GD” ou “Gordão”, considerado o executor das ordens expedidas de dentro da prisão. Ele seria responsável por operacionalizar os pagamentos, movimentar recursos e administrar o patrimônio da facção fora do sistema prisional. Em uma das conversas interceptadas, investigadores identificaram referências ao “congelamento” de aproximadamente R$ 14 milhões, indicando o elevado volume financeiro administrado pelo grupo.

Outro nome que aparece na investigação é Alex Júnior Santos de Alencar, o “Dedê”, citado como possível destinatário de valores oriundos da organização criminosa. Os investigadores também apuram sua participação nas movimentações financeiras identificadas ao longo da apuração.

Entre os investigados está ainda Brunno Passos da Silva, jogador de futebol amador e ex-assessor parlamentar do vereador Jeferson Siqueira (PSD). Conforme a investigação, ele teria sido utilizado como proprietário formal de um apartamento de alto padrão localizado em Itapema, no litoral de Santa Catarina. Apesar de figurar como dono no registro, a Polícia Civil sustenta que o imóvel era controlado por integrantes da facção.

Outro ponto considerado relevante pelos investigadores envolve a atuação da advogada Dayane Karol Moreira da Silva, presa durante a operação. Segundo a Polícia Civil, ela exercia papel estratégico na administração de patrimônios milionários atribuídos ao grupo criminoso. Dayane recebeu procuração para administrar uma mansão avaliada em cerca de R$ 3,8 milhões, localizada em um condomínio de luxo em Balneário Camboriú (SC), oficialmente registrada em nome de Anderson Alves de Sousa. Para os investigadores, Anderson seria apenas um “laranja”, sem posse efetiva do imóvel, que passou a ser administrado pela advogada logo após a aquisição.

A investigação também aponta a participação de Thawany Nunes Silva de Bulhões, esposa de W.T. Ela teria assumido papel importante na gestão do patrimônio oculto da facção, administrando imóveis, acompanhando negociações e frequentando propriedades registradas em nome de terceiros, entre elas o apartamento em Itapema vinculado a Brunno Passos.

Também figuram entre os investigados Aldemir de Assis Campos, Giselly Breier Streck, Katani Adorno Bocardi, Ygor Henrique da Silva Martins, Paulo Vinicius Gabriel de Araújo, Wires Alves Guerra, Nagilda Cândida Ferreira Lima e Fernando Wagner Moraes Amorim, todos suspeitos de integrarem, em diferentes níveis, a rede responsável por ocultar patrimônio, movimentar recursos e dar aparência de legalidade ao dinheiro atribuído ao Comando Vermelho.

Durante o aprofundamento da investigação, a Polícia Civil identificou ainda conversas relacionadas à aquisição de armas e munições personalizadas com o símbolo de um “fantasminha”, mascote do time de futebol amador Amigos do W.T.. Para os investigadores, o detalhe reforça a ligação entre o grupo esportivo e a organização criminosa, embora a participação individual de cada integrante ainda esteja sendo apurada.

A Operação Replay é resultado de meses de investigação conduzida pela Polícia Civil, que reuniu interceptações telefônicas, análise de documentos, movimentações patrimoniais, registros imobiliários e dados bancários. O trabalho revelou uma estrutura financeira altamente organizada, criada para esconder o patrimônio milionário da facção por meio de pessoas interpostas e mecanismos destinados a dificultar o rastreamento dos recursos.

Além do cumprimento de mandados judiciais, a operação resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 32 milhões em bens, incluindo imóveis de luxo, apartamentos no litoral catarinense, veículos de alto padrão e outros ativos considerados estratégicos para o funcionamento do esquema criminoso. As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta o surgimento de novos envolvidos e a ampliação das medidas patrimoniais contra integrantes da organização criminosa.