JB News
Por Emerson Teixeira
A influenciadora, e ex-assessora parlamentar Katani Adorno Bocardi foi presa preventivamente na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Internacional Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande, logo após desembarcar de uma viagem internacional. Ela retornava de Paris, na França, e já era monitorada pelas forças de segurança desde a chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
O cumprimento do mandado ocorreu assim que o avião pousou em Mato Grosso. Katani é uma das investigadas na Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil para atingir pessoas apontadas como integrantes ou colaboradoras do núcleo financeiro de uma organização criminosa.

A prisão chamou atenção não apenas pela abordagem no aeroporto, mas também pelo histórico profissional da investigada. Antes de entrar na mira da investigação, Katani ocupou diferentes cargos comissionados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, passando por gabinetes parlamentares e por setores ligados à estrutura administrativa da Presidência da Casa.
Registros oficiais da Assembleia mostram que Katani já exercia cargo de assessora parlamentar no gabinete do então deputado estadual Romoaldo Júnior em 2018. A servidora aparece em atos de nomeação e exoneração publicados pela própria ALMT, sob a matrícula funcional 40819.
Posteriormente, ela também passou pelo gabinete do deputado estadual Thiago Silva, do MDB, antes de assumir funções na estrutura administrativa do Legislativo. Katani chegou a atuar como assistente da Superintendência Executiva da Presidência, setor diretamente ligado ao comando institucional da Assembleia. A nomeação para a função consta em ato oficial com efeitos a partir de maio de 2019.

Durante sua passagem pela ALMT, ela ainda teria ocupado o cargo de assessora técnica legislativa em uma unidade responsável pelo suporte técnico e administrativo da Casa. A exoneração definitiva ocorreu em janeiro de 2022, após o encerramento de uma licença-maternidade.
Até o momento, não há informação pública de que os cargos exercidos por Katani na Assembleia tenham relação direta com os fatos investigados na Operação Replay. A passagem pelo Legislativo, porém, passou a ser novamente examinada após a prisão, principalmente para esclarecer sua trajetória profissional, vínculos e evolução patrimonial.
Katani é casada com Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, também preso durante a operação. Segundo a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, Emerson teria ocupado uma posição estratégica no esquema de movimentação e ocultação de recursos da facção.
A investigação aponta que “Gordão” atuava próximo de Paulo Witter Paelo Farias, conhecido como “W.T.”, identificado pela Polícia Civil como um dos responsáveis pelas finanças da organização criminosa. Mesmo preso na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, W.T. continuaria exercendo influência sobre operações financeiras, aquisição de patrimônio e circulação de dinheiro do grupo.

É dentro desse núcleo que os investigadores procuram esclarecer o papel de Katani. A Polícia Civil apura se ela teria participação direta na movimentação, administração ou ocultação de bens e valores ligados ao marido e a outros integrantes da organização. Os detalhes específicos das condutas atribuídas a ela ainda permanecem sob investigação e deverão ser aprofundados no decorrer do inquérito.
A Operação Replay foi estruturada a partir do avanço de investigações anteriores, especialmente as operações Apito Final e Fair Play. O trabalho de inteligência permitiu aos policiais mapear pessoas que, mesmo sem participação direta nas atividades violentas da facção, seriam responsáveis por manter o funcionamento financeiro do grupo.
As apurações identificaram transações suspeitas, aquisição de imóveis, veículos de alto valor, utilização de terceiros para registrar patrimônio e circulação de recursos incompatíveis com a renda formal de alguns investigados. A partir do cruzamento de dados bancários, fiscais, patrimoniais e telefônicos, a Polícia Civil conseguiu reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro.
Com o aprofundamento das diligências, Katani passou a ser monitorada. Ao constatarem que ela estava fora do país, as equipes acompanharam o retorno ao Brasil. O mandado de prisão preventiva não foi cumprido em Guarulhos. Os agentes aguardaram o embarque para Mato Grosso e realizaram a abordagem assim que a investigada desembarcou em Várzea Grande.
Além de Katani e Emerson, a operação resultou nas prisões da advogada Dayane Karol Moreira da Silva, do jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como “Alex Soldado”, e do assessor da Câmara Municipal de Cuiabá Brunno Passos da Silva.
Cada um deles é investigado por uma possível função dentro da engrenagem financeira. A polícia apura a utilização de atividades profissionais, empresas, contas bancárias e registros patrimoniais para conferir aparência legal ao dinheiro proveniente das ações criminosas.
No caso da advogada Dayane Karol, a suspeita é de que a estrutura jurídica e profissional teria sido empregada para facilitar a ocultação de imóveis e outros bens. Alex Soldado, por sua vez, é apontado como uma pessoa ligada ao grupo investigado. Já Brunno Passos teria mantido relações financeiras ou patrimoniais que passaram a ser analisadas pela Draco.
A Justiça autorizou o bloqueio de mais de R$ 15 milhões em contas, propriedades e outros ativos relacionados aos investigados. Também foram determinados o sequestro de imóveis e a indisponibilidade de veículos de luxo. As medidas têm como objetivo impedir a venda, transferência ou ocultação do patrimônio enquanto a origem dos recursos é apurada.
Segundo a Polícia Civil, a estratégia da operação é atingir diretamente o poder econômico da organização criminosa. Os investigadores consideram que a prisão de executores ou integrantes operacionais não é suficiente quando a estrutura financeira continua funcionando por meio de parentes, profissionais liberais, empresários ou pessoas usadas como intermediárias.
A Operação Replay tenta demonstrar justamente como o dinheiro obtido por atividades criminosas teria sido reinserido na economia formal. A suspeita é de que imóveis, automóveis, empresas e contas de terceiros fossem utilizados para esconder os verdadeiros proprietários dos recursos.
Katani deverá passar pelos procedimentos legais e permanecer à disposição da Justiça. Sua defesa poderá apresentar manifestação e contestar as acusações durante o processo. A prisão é preventiva e não representa condenação antecipada.
A investigação continua para identificar outros participantes, rastrear novos bens e descobrir se o núcleo financeiro mantinha ramificações dentro de instituições públicas, empresas privadas ou atividades profissionais utilizadas para movimentar e ocultar recursos da facção.