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Por Nayara Cristina
Luiz Evaristo Ricci Volpato é professor, doutor pela USP, ex-presidente do CRO-MT e integrou a diretoria do Conselho Federal de Odontologia; PF investiga suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro envolvendo recursos entregues a empresa que, segundo a investigação, não tinha autorização para operar no mercado financeiro
O cirurgião-dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato, de Cuiabá, está entre os alvos da Operação Apolônia, deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar a investigação sobre a destinação de aproximadamente R$ 40 milhões do Conselho Federal de Odontologia (CFO). Volpato ocupou cargo na diretoria financeira da entidade no período relacionado aos fatos investigados.
A operação foi deflagrada na quinta-feira (17) e investiga suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro envolvendo recursos do CFO. Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso e São Paulo por determinação da 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.
O nome de Volpato ganha relevância no caso justamente por sua trajetória dentro do sistema dos conselhos de Odontologia. Natural de Cuiabá, ele é graduado em Odontologia pela Universidade de Cuiabá (Unic), mestre em Saúde e Ambiente pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e doutor em Odontologia pela Universidade de São Paulo (USP), na Faculdade de Odontologia de Bauru.
Também possui especializações em Saúde Pública e Odontopediatria. Na carreira acadêmica, atua há anos como professor e pesquisador, inclusive na graduação e pós-graduação. Seu currículo registra ainda atuação no serviço público estadual e municipal e passagem pelo Hospital de Câncer de Mato Grosso.
Antes de chegar à direção nacional da categoria, Volpato presidiu o Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT). Posteriormente, integrou a diretoria do Conselho Federal de Odontologia. No período relacionado à investigação, a defesa afirma que ele exercia a função de diretor financeiro da entidade.
É justamente a movimentação de recursos do Conselho Federal que está no centro da Operação Apolônia.
R$ 40 milhões sob investigação
Segundo a Polícia Federal, aproximadamente R$ 40 milhões pertencentes ao CFO teriam sido destinados a uma empresa privada para gestão de investimentos.
A investigação aponta que essa empresa não possuía autorização do Banco Central nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado financeiro.
Os investigadores também identificaram movimentações consideradas suspeitas, incluindo transferências entre empresas e pessoas relacionadas aos investigados e operações internacionais.
Durante o cumprimento dos mandados da Operação Apolônia, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 300 mil em espécie, além de veículos.
A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de até R$ 57 milhões em contas e bens relacionados às pessoas físicas e jurídicas investigadas. Entre os alvos da investigação estão ex-dirigentes do CFO e empresários.
No caso de Luiz Evaristo, a busca foi realizada em sua residência em Cuiabá. Segundo o advogado Mauricio Magalhães, responsável por sua defesa, os policiais apreenderam apenas o telefone celular e um notebook do cirurgião-dentista. A defesa afirma que nenhum dinheiro foi encontrado na residência.
Até o momento, a Polícia Federal não tornou pública uma descrição individualizada da suposta participação de Volpato nas irregularidades investigadas.
Defesa diz que dentista foi enganado
A defesa de Luiz Evaristo nega que ele tenha se beneficiado dos recursos investigados e sustenta que o dentista teria sido enganado dentro da própria estrutura administrativa do Conselho Federal de Odontologia.
Segundo o advogado, Volpato exercia a função de diretor financeiro, mas as supostas irregularidades teriam sido praticadas por outras pessoas ligadas à administração da entidade.
A defesa afirma ainda que o cirurgião-dentista está tranquilo, pretende prestar todos os esclarecimentos solicitados e não teria obtido qualquer vantagem financeira com as operações investigadas.
O argumento defensivo deverá agora ser confrontado com o material recolhido pela Polícia Federal e com os elementos já existentes na investigação. Celular, computador e demais documentos apreendidos poderão ser submetidos à perícia.
Gestão anterior do CFO
O Conselho Federal de Odontologia informou que os fatos investigados pela Polícia Federal estão relacionados a investimentos realizados durante uma gestão anterior.
Segundo o CFO, a administração responsável pelo período investigado já havia sido afastada por decisão da Justiça Federal em razão de irregularidades identificadas na destinação dos recursos.
O atual presidente da entidade, Jairo Santos Oliveira, assumiu o comando em 28 de janeiro de 2026, por designação da Justiça Federal.
O Conselho afirma que a atual gestão vem colaborando com a Polícia Federal, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União na tentativa de esclarecer os fatos e recuperar os recursos.
O CFO informou ainda que três ex-dirigentes já foram condenados solidariamente pelo TCU a devolver mais de R$ 50 milhões aos cofres da entidade. Em 26 de agosto deste ano, a atual administração também reprovou as contas referentes ao período em que os investimentos agora investigados eram contabilizados.
Investigação continua
A Operação Apolônia não representa condenação dos investigados. As buscas e os bloqueios patrimoniais fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal.
No caso de Luiz Evaristo Ricci Volpato, a PF confirmou a existência da investigação e o cumprimento da medida judicial, mas ainda não divulgou publicamente qual conduta específica atribui individualmente ao cirurgião-dentista.
O material apreendido durante a operação deverá ajudar os investigadores a reconstruir o caminho percorrido pelos recursos do Conselho Federal de Odontologia e identificar a eventual responsabilidade de cada pessoa envolvida nas operações financeiras.