ELEIÇÃO DA MESA

Paula reconhece força de Ilde, prega pacificação e rebate ‘puxadinho’ de Abilio: “Narrativas infundadas”

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Paula reconhece força de Ilde, prega pacificação e rebate ‘puxadinho’ de Abilio: “Narrativas infundadas”

PACIFICAÇÃO NA CÂMARA

JBNews

Por Nayara Cristina

A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), reconheceu nesta terça-feira (6) a habilidade política do vereador Ilde Taques (Podemos) na construção da nova Mesa Diretora, defendeu a decisão de seu grupo de aderir à chapa única e afirmou que o movimento foi necessário para iniciar um processo de pacificação dentro do Legislativo cuiabano após semanas de disputas e articulações de bastidores.

Ilde foi eleito para comandar a Câmara no biênio 2027/2028 depois de conseguir consolidar inicialmente um bloco de 15 vereadores, número suficiente para assegurar sua vitória. Sem condições políticas de apresentar uma candidatura capaz de derrotá-lo, o grupo que havia trabalhado por uma alternativa decidiu acompanhar a chapa, transformando a votação em uma manifestação de unidade dentro da Casa.

Paula afirmou que a eleição foi conduzida com imparcialidade, respeito ao Regimento Interno e dentro da legalidade. Segundo a presidente, quando ficou evidente que Ilde já havia reunido maioria suficiente, os vereadores de seu grupo avaliaram que insistir em uma disputa apenas ampliaria as divisões internas.

“Entendemos que o vereador Ilde Taques, que vem fazendo uma construção há algum tempo, teve habilidade e consolidou os 15 votos. Hoje pela manhã tivemos uma conversa com os vereadores do nosso grupo para que acompanhássemos essa chapa”, afirmou.

Para Paula, a decisão de transformar a eleição em uma disputa com chapa única representa também uma tentativa de encerrar o ambiente de confronto político que marcou a sucessão da Mesa Diretora.

“Nós queremos uma Câmara harmônica, uma Câmara que não tenha conflitos entre os pares e que tenha um bom ambiente de trabalho, porque o nosso interesse maior é defender os interesses da população”, declarou.

A presidente disse desejar “sucesso e sabedoria” a Ilde e defendeu que o Legislativo permaneça independente, mas sem transformar divergências políticas em obstáculos para o funcionamento da instituição.

Questionada sobre uma eventual interferência externa na eleição, inclusive do presidente da Assembleia Legislativa nas articulações envolvendo vereadores, Paula evitou apontar participação direta de qualquer liderança.

Ela ponderou, entretanto, que uma eleição para a Mesa Diretora não ocorre isoladamente do restante do ambiente político de Mato Grosso.

“Eu não posso dizer que houve uma interferência da Assembleia Legislativa, mas a gente entende que é um conjunto. É um mundo político. Nós temos a Assembleia Legislativa, temos o Executivo Municipal, temos a Câmara de Vereadores. Tudo é um conjunto e faz parte dessa articulação da Mesa”, disse.

A declaração ocorre depois de uma intensa movimentação nos bastidores envolvendo diferentes grupos políticos e parlamentares até a consolidação da candidatura de Ilde. Paula reconheceu que o adversário demonstrou habilidade para construir maioria e, diante do cenário definido, defendeu a composição como caminho para reduzir as tensões.

Ao fazer um balanço de sua própria passagem pelo comando da Câmara, Paula afirmou que tentou estabelecer durante seu mandato uma convivência institucional com o Executivo municipal sem abrir mão da independência do Legislativo.

Segundo ela, o papel da Presidência nunca foi determinar individualmente como a Câmara deveria se posicionar, mas assegurar que projetos fossem encaminhados às comissões, analisados e posteriormente submetidos à decisão soberana dos vereadores em plenário.

Foi justamente nesse ponto que Paula reagiu às críticas de que, durante sua gestão, a Câmara teria funcionado como uma espécie de “puxadinho” da Prefeitura de Cuiabá.

A vereadora classificou essa interpretação como uma narrativa sem sustentação e argumentou que nenhuma decisão relevante da Câmara depende exclusivamente da Presidência.

“Aqui as decisões não são monocráticas. Quem decide é o plenário. Quando você fala em puxadinho do Executivo, como assim? Se quem avalia é o plenário? O voto aqui não é um voto único, monocrático. O voto é do plenário, o plenário é que decide”, rebateu.

Para Paula, é incorreto atribuir exclusivamente à Presidência as decisões tomadas coletivamente pelos vereadores.

“Nós não podemos ficar com narrativas infundadas. São só narrativas, porque tudo que chega aqui tramita pelas comissões e vem para apreciação do plenário. Cada vereador se posiciona de acordo com aquilo que acredita”, acrescentou.

A presidente também citou a tramitação das peças orçamentárias para demonstrar a responsabilidade institucional da Câmara. Ela lembrou que a Lei Orçamentária Anual chegou ao Legislativo no dia 30 e deverá passar pelas etapas regimentais, enquanto a Lei de Diretrizes Orçamentárias precisa estar aprovada para permitir o avanço do processo.

Segundo Paula, questões dessa dimensão exigem que a Câmara mantenha seu funcionamento institucional independentemente das disputas políticas existentes entre os vereadores ou entre Legislativo e Executivo.

“Nós temos responsabilidades a cumprir com o cidadão”, resumiu.

Ela também rebateu avaliações de que teria faltado impor limites ao prefeito Abilio Brunini (PL). Paula afirmou que manteve uma relação “independente e harmônica” com o Executivo e que procurou garantir aos vereadores acesso às informações necessárias antes das votações.

Como exemplo, lembrou que a Câmara abriu espaço para que integrantes da equipe técnica da Prefeitura apresentassem aos parlamentares detalhes sobre a situação financeira do município.

Paula explicou ainda que costuma estudar as propostas encaminhadas à Câmara para poder orientar os vereadores durante as sessões sempre que surgem dúvidas sobre o conteúdo das matérias.

“Às vezes o vereador tem uma vida muito corrida, chega na sessão e tem um projeto para ser analisado e pergunta: ‘Que projeto é esse?’. Aí você dá as orientações, explica do que o projeto trata. Sempre procuramos dar todos os esclarecimentos aos vereadores”, afirmou.

Ao tratar do legado de sua gestão, Paula destacou investimentos na estrutura administrativa da Câmara, melhorias nas condições oferecidas aos servidores e ações que, segundo ela, buscaram modernizar uma instituição que possuía equipamentos defasados havia anos.

Entre as medidas citadas estão a aquisição de equipamentos, intervenções na estrutura física do Legislativo, melhorias destinadas aos servidores efetivos e comissionados e a implantação da Procuradoria Especial da Mulher.

A presidente também destacou a criação de um refeitório para os servidores, permitindo que os funcionários tenham um espaço adequado durante o horário de almoço.

“A Câmara hoje conta com um refeitório para que o servidor tenha dignidade na hora do seu almoço, para que venha para um ambiente fazer a sua refeição. Nós procuramos cuidar da Câmara como ela merece”, afirmou.

Paula definiu como um dos principais legados de sua passagem pela Presidência justamente a tentativa de cuidar da estrutura da instituição e das condições de trabalho dos servidores.

Segundo ela, desde que assumiu o comando da Casa procurou tratar igualmente vereadores governistas, independentes e oposicionistas, inclusive aqueles que não haviam apoiado sua eleição para a Presidência.

A postura, segundo Paula, foi reconhecida até mesmo por integrantes da oposição durante os debates desta terça-feira.

“Desde o início procurei cuidar e dar condições para que todos os vereadores exercessem o seu mandato, sejam vereadores da base, independentes ou da oposição. O presidente, dentro das suas atribuições, tem que cuidar de todos”, afirmou.

Paula disse que procurou conduzir a Câmara com imparcialidade e garantir condições de funcionamento aos 27 gabinetes independentemente do posicionamento político de cada parlamentar.

A vereadora também falou sobre o próprio futuro político. Apesar das especulações sobre uma eventual candidatura a cargos maiores, afirmou que sua prioridade imediata é desempenhar o mandato de vereadora e construir condições para buscar a reeleição.

Ela, contudo, não descartou uma mudança de projeto mais adiante e admitiu que poderá avaliar, futuramente, uma candidatura ao Executivo.

“Neste momento, minha intenção é fazer um bom trabalho enquanto vereadora. Eu procuro dar o meu melhor porque estou aqui para servir e buscar uma reeleição. E aí, no futuro, quem sabe buscar uma projeção para um cargo Executivo”, declarou.

A eleição de Ilde encerra uma das disputas políticas mais intensas enfrentadas pela atual composição da Câmara. Depois de semanas de conversas, formação e dissolução de grupos e tentativas de construção de uma candidatura alternativa, o vereador do Podemos chegou ao dia da votação com sua vitória assegurada.

Para Paula Calil, que seguirá no comando da instituição até o encerramento do atual biênio, a prioridade agora é reduzir as divisões produzidas pela disputa e garantir uma transição sem novos conflitos.

Ao reconhecer publicamente a habilidade do sucessor na formação da maioria e orientar seu grupo a acompanhar a chapa, Paula colocou um ponto final na batalha pela Mesa Diretora e sinalizou que pretende concluir sua passagem pela Presidência defendendo exatamente a imagem que buscou construir durante a entrevista: a de uma Câmara capaz de conviver com o Executivo, mas que, segundo ela, continua tendo no plenário — e não no prefeito ou no presidente da Casa — a palavra final sobre os destinos do Legislativo cuiabano.

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