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Por Nayara Cristina
Presidente da Câmara de Cuiabá lamenta assassinato brutal em Chapada dos Guimarães, destaca mais de 18 mil ocorrências de violência doméstica em cinco meses e defende ações efetivas de prevenção e acolhimento às vítimas.
A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), fez um alerta sobre o avanço da violência contra a mulher em Mato Grosso e cobrou o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas. Durante a sessão ordinária desta terça-feira (13 de outubro), a parlamentar chamou a atenção para os 38 feminicídios registrados no Estado até 17 de setembro de 2026, além das milhares de ocorrências de violência doméstica e familiar contabilizadas nos primeiros cinco meses do ano.
A manifestação ocorreu após o assassinato brutal de uma mulher, atingida por 16 golpes de faca pelo ex-companheiro, no último fim de semana, em Chapada dos Guimarães, município localizado a aproximadamente 68 quilômetros de Cuiabá. O crime, cometido em via pública, provocou indignação e reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção às mulheres ameaçadas.
Paula lamentou a morte e afirmou que a violência não pode ser naturalizada pela sociedade nem tratada apenas depois que uma tragédia acontece.
“É muito triste ver uma mulher perder a vida dessa forma. Estamos falando de vidas, de famílias destruídas e de uma violência que não pode ser tratada como algo normal. Precisamos agir antes que seja tarde, acolher as mulheres que pedem ajuda e garantir que elas tenham proteção de verdade”, declarou.
Os números apresentados pela parlamentar revelam a dimensão do problema em Mato Grosso. Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 18.536 ocorrências de violência doméstica e familiar no Estado, segundo dados de segurança pública mencionados pela vereadora.
No mesmo período, foram contabilizados 6.409 registros de ameaça, 3.231 de lesão corporal, 2.339 de injúria, 1.425 de violência psicológica, 1.146 de difamação e 1.070 de perseguição, conhecida como stalking.
Outro dado preocupante diz respeito à procura por proteção judicial. Nos cinco primeiros meses do ano, foram registrados 7.796 pedidos de medidas protetivas, conforme os números apresentados com base em levantamentos da segurança pública e do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Os indicadores expõem um cenário de violência que atinge mulheres de diferentes idades e condições sociais, além de evidenciar a necessidade de aperfeiçoar os instrumentos de prevenção e atendimento às vítimas.
Para Paula Calil, o enfrentamento à violência exige uma atuação permanente dos órgãos públicos, com investimentos em informação, assistência especializada e mecanismos capazes de interromper o ciclo de agressões antes que ele termine em feminicídio.
“Nem sempre a violência começa com uma agressão física. Muitas vezes, começa com o controle, a humilhação, as ameaças e o medo. Por isso, precisamos estar atentos aos sinais e garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha ou desamparada quando decidir pedir ajuda”, ressaltou.
A presidente do Legislativo cuiabano também lembrou que o Brasil celebrou, no último sábado (10), o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, data dedicada à conscientização sobre as diversas formas de agressão, incluindo violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.
No âmbito municipal, Paula Calil destacou iniciativas de sua autoria destinadas a fortalecer a rede de proteção às mulheres de Cuiabá.
Entre elas está o programa Cuiabá Protege Mulheres, que estabelece um protocolo de acolhimento e proteção para mulheres em situação de risco em bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais.
A proposta busca preparar funcionários e responsáveis pelos estabelecimentos para reconhecer situações de perigo e oferecer apoio às mulheres que necessitem de ajuda.
Outra iniciativa defendida pela vereadora é a lei Homens de Verdade Protegem Mulheres, voltada à participação masculina no combate à violência doméstica e na construção de relações baseadas no respeito.
A parlamentar argumenta que o enfrentamento à violência não pode ficar restrito às vítimas ou às instituições de segurança pública, sendo necessária uma mudança de comportamento em toda a sociedade.
“Não basta dizer que somos contra a violência. Precisamos transformar esse discurso em atitudes, leis e políticas públicas que funcionem na prática. Os homens também precisam fazer parte dessa mudança, combater o machismo e entender que respeitar as mulheres é uma obrigação”, afirmou.
Paula também defendeu que campanhas educativas sejam acompanhadas por medidas concretas de acolhimento, orientação e acesso aos serviços públicos, especialmente para mulheres que dependem financeiramente dos agressores ou enfrentam dificuldades para deixar relacionamentos abusivos.
Segundo a presidente da Câmara, o compromisso com a proteção das mulheres precisa ser permanente, independentemente das mudanças políticas ou da ocupação de cargos públicos.
“Meu compromisso com as mulheres de Cuiabá não depende de cargo. Vou continuar defendendo essa causa porque acredito que nenhuma mulher pode ficar desamparada. Quero uma cidade onde todas possam viver com liberdade, segurança e dignidade, sem medo de terminar um relacionamento, sair de casa ou recomeçar a própria vida”, concluiu.
CANAIS DE DENÚNCIA
Mulheres em situação de violência podem procurar atendimento e denunciar agressões. Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, oferece gratuitamente orientações sobre direitos, informações sobre a rede de proteção e encaminhamento de denúncias em todo o território nacional.