TERROR E SANGUE

Operação após sequestro de caminhoneiro e extorsão de 35 mil, termina com cinco presos e dois mortos em Várzea Grande

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Operação após sequestro de caminhoneiro e extorsão de 35 mil, termina com cinco presos e dois  mortos em Várzea Grande

jBNews

Por Emerson Teixeira

Momentos de terror vividos por um caminhoneiro terminaram com o desmantelamento de uma organização criminosa que atuava no roubo de cargas, extorsão e sequestro de motoristas em Mato Grosso. Uma operação realizada pela Força Tática entre Várzea Grande e Cuiabá resultou na prisão de cinco integrantes da quadrilha, na morte de dois suspeitos durante confronto armado e no resgate da vítima, que permaneceu por quase um dia em poder dos criminosos.

O motorista foi rendido na noite de quarta-feira (15), enquanto fazia uma parada para jantar em um posto de combustíveis às margens da Rodovia dos Imigrantes. A partir daquele momento, iniciou-se um verdadeiro pesadelo. Sob forte ameaça, ele foi colocado em um veículo da quadrilha e levado para um imóvel utilizado como esconderijo. No dia seguinte, acabou transferido para um cativeiro improvisado em uma área de mata, onde permaneceu sob vigilância constante, sem qualquer possibilidade de pedir ajuda.

Durante todo o período em que esteve sequestrado, os criminosos obrigaram o caminhoneiro a fornecer senhas bancárias, realizar transferências eletrônicas e entregar cartões de crédito e débito. As movimentações financeiras ultrapassaram R$ 35 mil, valor retirado das contas da vítima. A Polícia Civil também investiga a suspeita de que os sequestradores tenham tentado negociar um pedido de resgate com familiares, além de planejar a venda do caminhão para ampliar o lucro obtido com o crime.

As diligências começaram após policiais militares abordarem dois homens em atitude suspeita. A partir das informações levantadas durante a abordagem, as equipes identificaram uma série de imóveis utilizados pela organização criminosa como pontos de apoio para esconder vítimas, armazenar armamentos e coordenar as ações do grupo.

O caminhoneiro foi localizado em um cativeiro instalado em uma região de mata, apresentando sinais de desgaste físico e emocional provocados pelas horas de cárcere. No local, dois suspeitos foram presos em flagrante. As buscas continuaram ao longo do dia e levaram os policiais a outros endereços ligados à quadrilha, onde mais três criminosos acabaram capturados, totalizando cinco prisões.

Em uma das residências utilizadas pelo grupo, localizada em Cuiabá, dois suspeitos reagiram à chegada das equipes policiais e houve intenso confronto. Ambos foram baleados e morreram ainda no local. Nenhum policial ficou ferido durante a operação.

No imóvel onde ocorreu o confronto foram apreendidos armamentos, rádio comunicador, uniforme camuflado, abraçadeiras plásticas utilizadas para imobilizar vítimas, um facão e diversas roupas pertencentes ao caminhoneiro sequestrado. O material reforça a suspeita de que a residência funcionava como base operacional da organização criminosa e servia para manter vítimas antes da transferência para os cativeiros.

Uma mulher também foi encontrada no imóvel e prestou esclarecimentos aos investigadores. Ela afirmou conhecer os dois suspeitos mortos e relatou que ambos chegaram ao local durante a madrugada transportando uma mala com roupas. A Polícia Civil trabalha para esclarecer se ela possuía participação direta nas atividades da quadrilha ou se apenas frequentava o imóvel sem conhecimento da prática criminosa.

As investigações também revelaram que um dos criminosos mortos possuía extensa ficha criminal, utilizava tornozeleira eletrônica e havia sido preso por roubo poucas horas antes da operação. Mesmo assim, acabou colocado em liberdade após audiência de custódia e voltou a atuar com o grupo criminoso, sendo localizado novamente durante a ação policial.

Os primeiros levantamentos apontam que a organização criminosa possuía atuação estruturada, com divisão de funções entre os integrantes, incluindo vigilância das vítimas, movimentação financeira, ocultação de veículos e manutenção de imóveis utilizados como cativeiros. A suspeita é de que o grupo tenha praticado outros crimes semelhantes na região, hipótese que passa a ser investigada.

A Polícia Civil prossegue com as investigações para identificar todos os envolvidos, esclarecer a participação individual de cada integrante da quadrilha, localizar possíveis comparsas que permanecem foragidos e recuperar valores desviados das contas da vítima. Paralelamente, será instaurado o procedimento para apurar as circunstâncias do confronto que terminou com a morte dos dois criminosos.

A operação representa um duro golpe contra uma modalidade criminosa que vem preocupando as forças de segurança em Mato Grosso. Além do roubo de veículos de carga, grupos especializados têm adotado o sequestro de caminhoneiros como forma de ampliar os lucros por meio de extorsões bancárias, pedidos de resgate e comercialização clandestina de caminhões e cargas, aumentando o clima de insegurança nas rodovias que cortam o

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