EXPORTAÇÃO EM DESACELERAÇÃO

MT exporta US$ 2,1 bilhões, mas vendas ao exterior recuam 6,2% em setembro

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MT exporta US$ 2,1 bilhões, mas vendas ao exterior recuam 6,2% em setembro

JBNews

Por José Teixeira

Apesar da queda nas exportações e da redução de 23,7% no volume embarcado, Mato Grosso acumula US$ 26,5 bilhões em vendas internacionais e superávit comercial de US$ 24,5 bilhões em 2026

Mato Grosso movimentou US$ 2,1 bilhões em exportações durante setembro de 2026, mantendo sua posição entre os maiores exportadores brasileiros. Apesar do resultado bilionário, os números revelam uma desaceleração do comércio exterior estadual, com queda de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano passado e retração de 12,6% na comparação com agosto deste ano.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (13), pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), com base nas informações oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), consolidadas pelo DataHub MT.

O levantamento mostra que Mato Grosso ocupou a sexta posição no ranking nacional de exportadores, respondendo por aproximadamente 6% de todas as vendas brasileiras ao mercado internacional. Ao longo de setembro, produtos mato-grossenses foram comercializados com 115 países, demonstrando a abrangência da produção estadual no comércio mundial.

Entretanto, um dos indicadores que mais chamam atenção é a redução do volume físico embarcado. Em setembro, Mato Grosso exportou 4,75 milhões de toneladas de produtos, quantidade 23,7% inferior à registrada no mesmo período de 2025.

A retração evidencia que, embora o estado continue movimentando bilhões de dólares, houve diminuição significativa na quantidade de mercadorias destinadas ao exterior. A diferença entre a queda do volume físico e a redução do valor exportado também sugere mudanças na composição das vendas e nos preços médios dos produtos comercializados.

O milho liderou a pauta exportadora de setembro, com US$ 641,1 milhões em vendas internacionais, consolidando sua importância para a economia mato-grossense. A soja apareceu na segunda posição, movimentando US$ 354 milhões, seguida pela carne bovina congelada, responsável por US$ 257,5 milhões.

Os derivados da extração de óleo de soja também tiveram participação expressiva, com US$ 249,3 milhões, enquanto o algodão respondeu por US$ 163,3 milhões em exportações.

Os números reforçam a forte dependência da economia exportadora estadual em relação ao agronegócio, especialmente às cadeias produtivas de grãos, proteína animal e fibras.

Mesmo diante da desaceleração registrada em setembro, o desempenho acumulado de Mato Grosso permanece positivo.

Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações estaduais alcançaram US$ 26,5 bilhões, crescimento de 16,9% em comparação com os nove primeiros meses de 2025. Em valores absolutos, o avanço representa aproximadamente US$ 3,8 bilhões adicionais em vendas ao exterior.

O resultado demonstra que, apesar da retração mais recente, a economia exportadora mato-grossense conseguiu ampliar sua participação comercial ao longo do ano.

Outro indicador relevante é o saldo da balança comercial. Somente em setembro, Mato Grosso registrou superávit de aproximadamente US$ 1,9 bilhão, resultado da diferença entre exportações e importações.

No acumulado de janeiro a setembro, o saldo positivo chegou a US$ 24,5 bilhões, crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O superávit expressivo confirma a capacidade de Mato Grosso de gerar receitas internacionais por meio da comercialização de commodities agrícolas e produtos industrializados de origem agropecuária.

A China permaneceu como principal destino das exportações estaduais em setembro, adquirindo US$ 342,3 milhões em mercadorias produzidas em Mato Grosso.

A presença chinesa na liderança evidencia a importância do mercado asiático para o agronegócio estadual e a exposição das cadeias exportadoras às oscilações da demanda internacional.

Enquanto as exportações movimentaram US$ 2,1 bilhões, as importações mato-grossenses totalizaram US$ 233 milhões em setembro.

As compras internacionais ficaram concentradas principalmente em fertilizantes e defensivos agrícolas, insumos fundamentais para a manutenção da produtividade nas lavouras estaduais.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as importações chegaram a aproximadamente US$ 2 bilhões.

A composição dessas compras revela uma característica importante da economia de Mato Grosso: embora o estado seja um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, parte significativa de sua produção depende de insumos adquiridos no mercado internacional.

Essa dependência torna os custos agrícolas sensíveis às oscilações cambiais, aos preços internacionais de fertilizantes e às condições de fornecimento dos principais países produtores desses insumos.

O desempenho do comércio exterior também possui reflexos sobre diferentes setores da economia estadual, incluindo transporte rodoviário, armazenagem, operações logísticas, processamento agroindustrial e prestação de serviços relacionados ao agronegócio.

A queda de 23,7% no volume embarcado em setembro merece atenção especialmente por seus possíveis efeitos sobre a movimentação de cargas e a demanda por serviços logísticos. Entretanto, os dados comerciais, isoladamente, não permitem afirmar que houve redução proporcional de empregos ou da atividade econômica nesses setores.

Para os próximos meses, o comportamento das exportações dependerá de fatores como preços internacionais das commodities, demanda dos principais compradores, disponibilidade de produtos para embarque e condições logísticas.

O contraste entre o crescimento acumulado de 16,9% e a retração de 6,2% registrada em setembro revela dois movimentos distintos da economia estadual: Mato Grosso continua ampliando suas vendas internacionais no conjunto do ano, mas apresenta sinais de perda de ritmo no período mais recente.

Com US$ 26,5 bilhões exportados em nove meses e saldo comercial positivo de US$ 24,5 bilhões, o estado mantém uma posição de destaque no comércio exterior brasileiro. O desafio agora será sustentar esse desempenho diante das oscilações dos mercados internacionais e da redução recente no volume de produtos embarcados.