CASO ZAMPIERI

Júri derruba versões dos réus e condena trio a mais de 68 anos pelo assassinato de advogado em Cuiabá

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Júri derruba versões dos réus e condena trio a mais de 68 anos pelo assassinato de advogado em Cuiabá

JB News

Por Nayara Cristina

Depois de três dias de um dos julgamentos criminais de maior repercussão dos últimos anos em Mato Grosso, o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri.

A sentença foi anunciada na madrugada desta sexta-feira (2), depois de mais de 38 horas de trabalhos em plenário. Somadas, as condenações alcançam 68 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão.

Hedilerson recebeu a maior pena: 25 anos de prisão.

Antônio Gomes da Silva, que confessou durante o julgamento ter executado Zampieri, foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias. A confissão foi considerada como circunstância atenuante na dosimetria.

O coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas também recebeu 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. No caso dele, foi considerada a atenuante relacionada à idade.

Os jurados reconheceram a responsabilidade dos três pelo homicídio qualificado de Roberto Zampieri, morto a tiros dentro de seu veículo, em Cuiabá, em dezembro de 2023.

O Conselho de Sentença reconheceu qualificadoras relacionadas ao motivo torpe, ao recurso que dificultou a defesa da vítima e ao emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.

O resultado encerrou uma batalha de versões apresentada ao longo dos três dias de julgamento.

Antônio admitiu diante dos jurados que matou Zampieri, mas tentou afastar a responsabilidade dos outros acusados e sustentou ter tomado sozinho a decisão de executar o advogado.

Caçadini negou ter financiado ou participado da contratação para o assassinato. Sua defesa atacou duramente a investigação e sustentou durante os debates que não existiriam provas suficientes para vinculá-lo ao planejamento do crime.

Hedilerson também negou participação na execução e contestou a versão apresentada pela acusação sobre seu papel na engrenagem que levou ao assassinato.

Os jurados, ao final, acolheram a responsabilização criminal dos três.

O julgamento começou na terça-feira, 29 de setembro, no Fórum de Cuiabá, sob a presidência do juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri.

Somente no primeiro dia os trabalhos avançaram das 9h até aproximadamente 22h.

Seis testemunhas foram ouvidas, entre elas os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, além do empresário José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.

O segundo dia foi marcado pelos interrogatórios dos três acusados e pelas discussões jurídicas provocadas pelas defesas.

Na quinta-feira (1º), terceiro dia de julgamento, acusação e defesa passaram aos debates diante dos sete jurados.

O Ministério Público foi representado pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins. O advogado Giovani Santin, vice-presidente da OAB-MT, atuou como assistente da acusação.

Durante a argumentação, o Ministério Público apresentou aos jurados elementos recolhidos durante a investigação, inclusive mensagens recuperadas de aparelhos celulares.

Entre elas apareceu um diálogo atribuído a Antônio no qual, ao ser questionado sobre quando iria parar, teria respondido: “Quando morre sim”.

As defesas reagiram.

No caso de Caçadini, os advogados voltaram a atacar a condução da investigação e defenderam a absolvição sob o argumento de insuficiência de provas que demonstrassem participação do coronel no planejamento ou financiamento do assassinato.

A tese não convenceu o Conselho de Sentença.

O processo levado ao Tribunal do Júri ultrapassa 55 mil páginas, resultado de uma investigação que atravessou diferentes órgãos e ganhou dimensão nacional diante das circunstâncias do assassinato e dos personagens investigados.

Zampieri foi executado na noite de 5 de dezembro de 2023, quando deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

O advogado estava dentro de um Fiat Toro quando foi atingido pelos disparos.

A investigação avançou inicialmente sobre o núcleo diretamente relacionado à execução e posteriormente alcançou outros personagens apontados pela acusação como integrantes de diferentes etapas do crime.

O julgamento encerrado nesta madrugada, porém, não encerra toda a discussão criminal sobre o assassinato.

A ação penal possui outros acusados que não integraram este Conselho de Sentença, e a apuração sobre os supostos mandantes tornou-se um capítulo próprio do caso.

Além disso, as defesas dos três condenados poderão recorrer da sentença.

Para Antônio, Caçadini e Hedilerson, contudo, a madrugada desta sexta-feira marcou uma mudança definitiva na situação processual: depois de três dias de depoimentos, interrogatórios, acusações, negativas e embates entre Ministério Público e defesas, os sete jurados reconheceram a responsabilidade criminal dos três pelo assassinato de Roberto Zampieri.