JBNews
Por José Teixeira
Dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (8) mostram recuperação após tombo de 9% em julho, mas indústria mato-grossense ainda acumula retração na comparação anual
A indústria de Mato Grosso apresentou recuperação de 1% em agosto de 2026, na comparação com julho, mas continua enfrentando dificuldades para recuperar o ritmo de produção. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional.
O resultado representa uma reação depois da queda de 9% registrada em julho. Apesar da melhora mensal, a produção industrial mato-grossense permaneceu 4,4% abaixo do volume observado em agosto de 2025, desempenho inferior ao resultado nacional, que apresentou retração de 1,2% na mesma comparação.
A diferença revela que a recuperação registrada entre julho e agosto ainda não foi suficiente para compensar a perda de produção observada em relação ao ano passado.
O resultado ganha relevância porque Mato Grosso possui uma estrutura industrial fortemente vinculada ao agronegócio, especialmente à transformação de produtos agropecuários, processamento de soja, produção de carnes e fabricação de biocombustíveis.
A indústria de alimentos foi o principal fator de pressão sobre o desempenho estadual na comparação anual, com contribuição negativa de 7,01 pontos percentuais para o resultado geral.
Entre os produtos que influenciaram a retração estão carnes bovinas frescas ou refrigeradas, carne bovina congelada, óleo de soja refinado e resíduos resultantes da extração de soja.
O desempenho desses segmentos é particularmente relevante para Mato Grosso, que concentra importante parcela da produção brasileira de grãos e possui uma ampla cadeia de frigoríficos e unidades de processamento agroindustrial.
Embora o estado mantenha posição de destaque no fornecimento de matérias-primas agropecuárias, os números industriais mostram que o volume produzido pelas fábricas não acompanha necessariamente, na mesma intensidade, o desempenho da produção rural.
Outros segmentos contribuíram para amenizar o resultado negativo.
A fabricação de produtos de minerais não metálicos apresentou contribuição positiva de 1,84 ponto percentual. Também tiveram influência favorável os biocombustíveis, com 0,33 ponto, bebidas, com 0,31 ponto, e produtos de madeira, com 0,21 ponto.
Esses resultados impediram uma retração ainda maior do índice geral, mas não foram suficientes para compensar integralmente o desempenho negativo da indústria alimentícia.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a produção industrial de Mato Grosso registra crescimento de 2%. O número indica que, apesar das dificuldades recentes, o volume produzido nos primeiros oito meses permanece superior ao observado no mesmo período de 2025.
Entretanto, a análise dos últimos 12 meses mostra retração de 1%, sinalizando perda de dinamismo no horizonte mais amplo.
Outro indicador reforça essa tendência. O crescimento industrial, que havia alcançado 4,2% no primeiro quadrimestre, desacelerou para apenas 0,2% no segundo quadrimestre de 2026.
A diferença evidencia que a atividade industrial perdeu intensidade ao longo do ano, mesmo mantendo resultado acumulado positivo.
Para a economia mato-grossense, a evolução desses indicadores merece atenção porque a indústria de transformação desempenha papel importante na agregação de valor à produção agropecuária, na geração de empregos e na movimentação de cadeias de transporte, armazenamento, energia e serviços.
A desaceleração industrial, entretanto, não permite concluir isoladamente que houve redução do emprego ou do faturamento das empresas. Esses efeitos dependem da análise de outros indicadores econômicos.
Os números divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira mostram que Mato Grosso conseguiu interromper parte da queda mensal registrada em julho, mas ainda enfrenta o desafio de recuperar o nível de produção industrial observado no ano passado.
O próximo resultado da pesquisa permitirá verificar se a recuperação de agosto representa o início de uma sequência de crescimento ou apenas uma reação pontual depois da forte retração do mês anterior.