SAÚDE MILIONÁRIA

Empresa Cuiabana de Saúde estabelece nova tabela de valores para OPMEs com projeção acima de R$ 10 milhões

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Empresa Cuiabana de Saúde estabelece nova tabela de valores para OPMEs com projeção acima de R$ 10 milhões

JB News

Por José Teixeira

Nova tabela da Empresa Cuiabana de Saúde Pública estabelece valores para materiais utilizados em ortopedia, neurocirurgia, cirurgia vascular, hemodinâmica, urologia e outras especialidades; documento servirá de referência para credenciamento de fornecedores

A Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) estabeleceu uma nova tabela de valores para o fornecimento de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) destinados aos procedimentos realizados na rede pública de Cuiabá. Considerados os quantitativos previstos no documento, a projeção anual supera R$ 10 milhões.

A medida consta da Portaria nº 106/2026/ECSP, publicada na Gazeta Municipal nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, e alcança materiais utilizados em procedimentos de ortopedia, neurocirurgia, cirurgia vascular, hemodinâmica, cirurgia bucomaxilofacial, endoscopia, cirurgia geral e urologia. 

A portaria não representa, por si só, um contrato de R$ 10 milhões nem significa que esse montante já tenha sido gasto pela administração municipal. Os valores estabelecidos funcionarão como referência para o edital de credenciamento dos fornecedores de OPME da ECSP. 

Entre os maiores volumes financeiros previstos está o grupo das demais OPMEs ortopédicas cadastradas no Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPME do SUS. A projeção é de R$ 220 mil mensais, chegando a R$ 2,64 milhões em 12 meses. 

Na neurocirurgia, a tabela contempla materiais empregados em intervenções de coluna, fechamento de crânio, microcirurgias e tratamento de hidrocefalia.

Um dos produtos relacionados é o conjunto de derivação ventriculoperitoneal (DVP) programável, utilizado em procedimentos relacionados ao controle da hidrocefalia. O valor de referência foi fixado em R$ 13,2 mil por unidade, com estimativa de utilização de 24 conjuntos. A projeção chega a R$ 316,8 mil. 

Outra parcela expressiva aparece nos procedimentos endovasculares.

Para dispositivos de revascularização cerebral empregados em trombectomia mecânica, procedimento utilizado na retirada de coágulos em determinados casos de acidente vascular cerebral isquêmico, a ECSP estima 36 unidades, com preço de referência de R$ 16.890 cada.

Somente esse item pode representar R$ 608.040 na projeção anual. 

A nova tabela também prevê R$ 600 mil para líquidos embolizantes, considerando 150 unidades ao preço de referência de R$ 4 mil cada.

Na urologia, outro volume relevante está relacionado às fibras laser empregadas em procedimentos urológicos. São previstas 330 unidades, com preço de referência de R$ 1,4 mil por fibra, alcançando R$ 462 mil. 

Além desses produtos, a relação inclui fios-guia, cateteres e materiais utilizados em procedimentos de próstata, rins e ureteres, entre diversos outros insumos médico-hospitalares de maior complexidade.

VALORES TÊM REFERÊNCIAS DO SUS E MT SAÚDE

A ECSP informou no próprio ato que utilizou diferentes parâmetros para estabelecer os preços.

Foram consideradas a Tabela SUS, a tabela de referência de OPME do MT Saúde e valores praticados entre fornecedores e a Empresa Cuiabana de Saúde Pública nos anos de 2024 e 2025. 

O histórico mostra que a definição de preços para esses materiais vem sendo atualizada pela empresa pública. Em fevereiro deste ano, por exemplo, outra portaria da ECSP acrescentou à tabela a pinça bipolar baioneta, utilizada em microcirurgias, estabelecendo preço de referência de R$ 850. A estimativa naquele ato era de aproximadamente 100 unidades por ano e impacto de R$ 85 mil. 

A documentação da própria ECSP ressalta a particularidade financeira das OPMEs. Em edital anterior, a empresa registrou que esses materiais possuem alto custo e que seu uso precisa ser conciliado com as necessidades do paciente, disponibilidade financeira do sistema público e cobertura oferecida pela tabela do SUS. 

EQUIPAMENTOS EM COMODATO

Outro detalhe da Portaria nº 106/2026 é que os preços de referência já devem incorporar, quando necessário, os custos relacionados à disponibilização de equipamentos e instrumentais em regime de comodato.

Isso significa que, nos casos previstos, o fornecedor deverá disponibilizar os equipamentos necessários à utilização dos materiais sem cobrança adicional específica à ECSP além das condições estabelecidas para o fornecimento. 

Os preços também não são necessariamente definitivos durante todo o período. A Empresa Cuiabana de Saúde Pública prevê a possibilidade de revisão dos valores conforme alterações nas condições de mercado.

MAIS DE R$ 10 MILHÕES SOB ACOMPANHAMENTO

O ponto de atenção a partir de agora será a execução do futuro credenciamento.

A projeção superior a R$ 10 milhões representa o potencial financeiro calculado a partir dos materiais e quantitativos relacionados na tabela, mas não equivale a dinheiro já desembolsado nem a um contrato fechado com uma única empresa.

A próxima etapa permitirá verificar quais empresas serão habilitadas para fornecer os materiais, os valores efetivamente contratados, quanto será consumido pela rede municipal e qual será o desembolso final da ECSP.

Por envolver insumos de alto custo utilizados em cirurgias de maior complexidade, o credenciamento também abre uma frente de acompanhamento sobre fornecedores, preços praticados, quantidade efetivamente utilizada e eventuais alterações posteriores da tabela.

A própria Prefeitura mantém uma área destinada à divulgação dos editais e procedimentos da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, onde são publicados os processos de contratação. 

Esse acompanhamento será fundamental para diferenciar a projeção financeira agora estabelecida do valor que efetivamente sairá dos cofres da saúde pública de Cuiabá.