AGENDA ELEITORAL

Em Cuiabá, Cury exalta força do agro de MT, ataca Lula e Flávio e promete crédito mais barato ao produtor

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Em Cuiabá, Cury exalta força do agro de MT, ataca Lula e Flávio e promete crédito mais barato ao produtor

PRESIDENCIÁVEL EM MT

JB News

Por Nayara Cristina

Candidato do Avante diz que produtores estão “asfixiados” pelos juros, defende Estado mais enxuto e redução de impostos; presidenciável também propõe mudanças no Bolsa Família e responde sobre apoio de Antônio Galvan a Flávio Bolsonaro

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) colocou o agronegócio no centro de seu discurso durante passagem por Cuiabá nesta quinta-feira (24), quando cumpriu agenda eleitoral na Capital e concedeu entrevista coletiva à imprensa. Médico, escritor e empresário, Cury apresentou-se como candidato com experiência direta no setor agrícola, criticou o custo do crédito para produtores rurais e fez ataques aos adversários Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A entrevista ocorreu durante visita à Casa Cury, comitê da campanha instalado no bairro Poção. A programação do presidenciável em Mato Grosso também incluiu encontro com comerciantes e empreendedores do Shopping Popular de Cuiabá antes do deslocamento para o Aeroporto Internacional Marechal Rondon.

Ao ser questionado sobre as prioridades de um eventual governo para Mato Grosso, Cury afirmou ter relação de aproximadamente três décadas com o agronegócio e citou investimentos próprios em diferentes atividades agrícolas.

“Vir para Mato Grosso é como vir para a minha casa, porque eu sou do agro, respiro o agro há mais ou menos três décadas”, declarou.

Cury disse possuir projetos ligados a cacau no Cerrado, citricultura, produção de grãos, mogno africano, seringueira e biotecnologia aplicada à agricultura. Segundo ele, essa experiência permitiria compreender diretamente os problemas enfrentados pelos produtores.

O candidato inicialmente se referiu a Mato Grosso do Sul ao mencionar a participação na produção brasileira de grãos, mas corrigiu a declaração durante a própria entrevista e passou a se referir a Mato Grosso.

“Mato Grosso é o mais notável exemplo de um estado responsável, resiliente, que suporta o desenvolvimento do Brasil, pelo menos parte dele, nas suas próprias costas”, afirmou.

Um dos principais pontos da entrevista foi o custo do financiamento agrícola. Cury argumentou que produtores trabalham com margens reduzidas de lucratividade enquanto encontram crédito bancário a taxas significativamente superiores.

Na avaliação apresentada pelo candidato, essa combinação, somada à oscilação do câmbio, clima, preços das commodities e custos dos insumos, pressiona financeiramente o produtor rural.

“Os produtores rurais estão quebrando, estão asfixiados”, declarou.

Cury defendeu responsabilidade fiscal, redução dos gastos federais, diminuição de impostos e melhoria da infraestrutura logística como instrumentos para ampliar a competitividade do agronegócio de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e da região do Matopiba.

“O governo federal tem que ser responsável fiscalmente, o governo federal tem que gastar muito menos do que arrecada, tem de ter um Estado mais enxuto, nós temos que diminuir os impostos também e temos que melhorar a logística”, afirmou.

A agenda econômica apresentada pelo presidenciável combina medidas de orientação liberal, como redução da estrutura estatal, empreendedorismo e meritocracia, com programas sociais e mecanismos de estímulo aos pequenos negócios.

Cury afirmou que pretende alterar regras relacionadas ao Bolsa Família para permitir que beneficiários ingressem formalmente no mercado de trabalho ou abram uma microempresa sem perder imediatamente o auxílio.

A proposta já consta entre as bandeiras defendidas pelo candidato durante a campanha presidencial. Seu programa de governo prevê políticas de empreendedorismo, qualificação e acesso ao crédito direcionadas à população de baixa renda.

Durante a coletiva em Cuiabá, Cury argumentou que o benefício atualmente pago não seria suficiente para assegurar autonomia financeira às famílias e defendeu a criação de uma transição entre transferência de renda e atividade econômica.

“Os pobres têm direito de ter carteira assinada sem perder o benefício e ter também uma microempresa, pelo menos por um certo tempo”, disse.

O candidato também voltou a defender uma reorganização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A proposta consiste em separar a atuação voltada às grandes empresas daquela destinada aos pequenos empreendedores.

“Vamos dividir o BNDES em dois: o banco da grande empresa e o banco da microempresa”, declarou.

Segundo Cury, seu projeto pretende financiar entre 10 milhões e 15 milhões de microempresas ao longo dos próximos anos. Ele relacionou a medida às transformações provocadas pela inteligência artificial e pela robótica no mercado de trabalho e afirmou que o empreendedorismo funcionaria como alternativa de renda diante da possível eliminação de postos tradicionais de emprego.

Outra área abordada foi a educação profissional. Cury criticou a baixa participação dos estudantes do ensino médio em cursos técnicos e defendeu uma expansão nacional dessa modalidade de formação, incluindo áreas relacionadas à informática e novas tecnologias.

O presidenciável também falou sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), citando o tempo de espera para atendimento especializado e defendendo mudanças na prestação dos serviços. A ampliação da telemedicina integra as propostas apresentadas anteriormente pelo candidato durante a campanha.

Cury dedicou parte da entrevista a temas sociais, como feminicídio, violência sexual e saúde emocional. Defendeu aumento das penas para crimes de abuso sexual e feminicídio e mencionou proposta legislativa que, segundo ele, criaria acompanhamento periódico de crianças por profissionais de saúde com objetivo de identificar situações de abuso.

Foi justamente ao tratar de sua visão econômica e social que o candidato tentou se apresentar como alternativa à polarização nacional. Ele disse defender princípios do capitalismo, liberdade econômica, empreendedorismo, meritocracia e liberdade de expressão, mas sustentou que essas políticas devem ser acompanhadas por proteção social.

“Tudo que é mais notável do capitalismo deve fazer parte da nossa razão. Mas também, ao mesmo tempo, nós temos que ter um coração social”, declarou.

Os ataques mais duros da coletiva foram direcionados a Lula e Flávio Bolsonaro, adversários de Cury na disputa presidencial.

Ao falar do agronegócio, Cury afirmou que os dois não possuem experiência prática no setor e tentou usar sua trajetória empresarial e agrícola como elemento de diferenciação eleitoral.

Sobre Flávio, Cury afirmou que o candidato do PL “nunca plantou uma horta” e questionou sua experiência empresarial. Também mencionou a trajetória política do adversário e argumentou que o senador construiu parte significativa de sua vida profissional em cargos públicos eletivos.

As declarações representam a avaliação política do próprio candidato do Avante sobre seu adversário.

Cury também atacou Lula ao comentar o Bolsa Família. Ele criticou o reajuste recente do programa e acusou o presidente de explorar eleitoralmente a situação das famílias de baixa renda. O governo federal, por sua vez, sustenta que o reajuste é compatível com a responsabilidade fiscal e corresponde a uma recomposição inflacionária.

O candidato ainda criticou as taxas cobradas em algumas modalidades de crédito consignado e defendeu redução do custo financeiro para consumidores e empreendedores.

Um dos momentos de maior conteúdo político local ocorreu quando Cury foi questionado sobre Antônio Galvan, candidato ao Senado pelo Avante em Mato Grosso.

Apesar de pertencer ao mesmo partido do presidenciável, Galvan mantém alinhamento eleitoral com Flávio Bolsonaro, justamente um dos principais alvos das críticas feitas por Cury durante a coletiva.

Questionado sobre a contradição dentro da própria legenda e se havia procurado Galvan para cobrar apoio à candidatura presidencial do Avante, Cury afirmou que não conversou com o candidato ao Senado sobre o assunto.

“Não houve essa conversa. Eu entrei dia 4 de março no partido e já tinham várias alianças que haviam sido costuradas antes”, explicou.

Cury evitou transformar a divergência em confronto interno e afirmou que pretende respeitar a posição adotada pelo correligionário em Mato Grosso.

“A beleza da democracia está na divergência, não está na unanimidade”, respondeu.

A situação envolvendo Galvan expõe uma particularidade da campanha do Avante no estado: enquanto o candidato presidencial da sigla esteve em Cuiabá defendendo sua própria candidatura e fazendo críticas contundentes a Flávio Bolsonaro, um dos nomes do partido na disputa majoritária estadual mantém apoio político justamente ao adversário de Cury.

A Justiça Eleitoral de Mato Grosso chegou a determinar, neste mês, a retirada de material de campanha de Galvan associado a Flávio Bolsonaro, em decisão relacionada às regras de propaganda eleitoral.

Ao final da coletiva, Cury voltou a destacar sua relação com Mato Grosso e direcionou elogios ao papel econômico desempenhado pelo estado.

A passagem por Cuiabá faz parte da movimentação dos presidenciáveis na reta final da campanha para o primeiro turno de 4 de outubro. Depois da coletiva na Casa Cury, a programação previa uma visita ao Shopping Popular, onde o candidato teria contato com comerciantes e empreendedores, encerrando posteriormente a agenda em Mato Grosso com deslocamento ao aeroporto.

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