“NÃO TEM CAMPANHA”

DESMOBILIZAÇÃO POPULAR: “Sem alma e sem coração”: Júlio diz que eleição de 2026 é a mais estranha de sua vida política “há 54 anos”

· 3 min de leitura
DESMOBILIZAÇÃO POPULAR: “Sem alma e sem coração”: Júlio diz que eleição de 2026 é a mais estranha de sua vida política “há 54 anos”

JB News

Por Nayara Cristina

Com mais de cinco décadas de experiência na vida pública e uma trajetória que atravessa diferentes períodos da política de Mato Grosso, o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), candidato à reeleição, fez um diagnóstico duro sobre as eleições deste ano: para ele, a campanha de 2026 é a mais “estranha”, “sem graça” e sem mobilização popular que já presenciou ao longo de sua carreira.

Ex-governador de Mato Grosso, ex-senador, ex-deputado federal, ex-prefeito de Várzea Grande e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Júlio afirmou que participa da política partidária há mais de meio século. A trajetória inclui três mandatos na Câmara dos Deputados, além da passagem pelo Governo do Estado entre 1983 e 1987 e pelo Senado entre 1991 e 1999.

É justamente com base nessa experiência que o parlamentar compara o atual processo eleitoral com disputas que acompanhou desde a década de 1970.

“É a campanha mais estranha da minha vida, de esfera política partidária. Disputo eleição desde 1971, há 54 anos, e nunca vi uma campanha tão sem graça, tão sem vibração, tão sem alma, tão sem coração, tão esquisita como esta de 2026”, declarou.

Para Júlio Campos, embora Mato Grosso tenha candidatos disputando os principais cargos majoritários, a eleição ainda não ganhou as ruas. Na avaliação dele, falta movimentação popular e envolvimento do eleitorado em torno das candidaturas ao Governo e ao Senado.

“Não tem campanha eleitoral. Os candidatos a governador, senador, existem quatro, cinco candidatos, mas não se vê movimentação nas ruas”, afirmou.

Na leitura do deputado, a disputa pelas duas vagas ao Senado demonstra algum grau maior de competitividade, mas ainda longe da efervescência de campanhas anteriores. A corrida para deputado federal, segundo ele, também permanece pouco visível.

O cenário seria diferente somente na eleição proporcional para a Assembleia Legislativa, onde Júlio enxerga maior movimentação dos candidatos em busca de votos pelo interior e pela região metropolitana.

“A campanha de senadores está um pouco mais disputada, deputado federal também muito pouco e apenas os deputados estaduais estão na rua, na campanha. Praticamente parece que vai ter eleição apenas para a Assembleia Legislativa”, disparou.

A avaliação chama atenção não apenas pelo conteúdo, mas pela origem. Júlio Campos pertence a uma geração que vivenciou campanhas realizadas antes da consolidação das redes sociais, enfrentou eleições marcadas por grandes comícios, reuniões comunitárias, carreatas e forte presença de candidatos nas ruas. Agora, diante de uma disputa cada vez mais influenciada pelo ambiente digital, o parlamentar diz não identificar em 2026 a mesma vibração eleitoral observada historicamente em Mato Grosso.

Apesar da avaliação negativa sobre o ambiente geral da eleição, Júlio demonstra confiança na própria campanha pela reeleição à Assembleia Legislativa. Ele confirmou em agosto que concorre novamente pelo União Brasil e que sua candidatura foi apresentada à Justiça Eleitoral.

Segundo o deputado, sua campanha tem encontrado receptividade principalmente em Cuiabá e em municípios onde o trabalho realizado durante o atual mandato ganhou visibilidade.

“Essa movimentação [para deputado estadual] é muito grande e, graças a Deus, com o meu nome tudo está indo muito bem. Nós estamos sendo muito bem recebidos”, afirmou.

Júlio também atribuiu parte desse desempenho à repercussão de sua atuação parlamentar nos últimos quatro anos e à exposição dada pela imprensa às posições adotadas por ele na Assembleia.

Ao avaliar a chapa proporcional do União Brasil, o deputado disse acreditar que a legenda tem condições de conquistar duas cadeiras na Assembleia Legislativa. Júlio também projetou desempenho competitivo do partido na disputa para a Câmara Federal.

Mas, para além da própria candidatura, fica o alerta político feito por um dos personagens mais longevos da história recente de Mato Grosso: a eleição de 2026, na visão de Júlio Campos, ainda não despertou no eleitor aquilo que durante décadas caracterizou uma campanha eleitoral.

Para quem acompanha disputas desde os anos 1970, a impressão é direta: há candidatos, propaganda e eleição marcada, mas ainda falta o que ele chama de “alma”, “coração” e vibração nas ruas.

VEJA :

0:00
/3:05