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Por José Teixeira
Vendas perderam força em julho e desempenho ficou abaixo da média nacional; retração acende alerta sobre consumo, faturamento das empresas e comportamento da arrecadação estadual
O comércio varejista de Mato Grosso apresentou uma das maiores retrações do país em julho de 2026. O volume de vendas caiu 2,2% na comparação com junho, colocando o Estado na terceira pior posição entre as 27 unidades da Federação.
Os números foram divulgados nesta terça-feira (15 de setembro) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dentro da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).
O resultado mato-grossense ficou consideravelmente abaixo da média brasileira. No país, o comércio varejista recuou 0,8% na passagem de junho para julho.
Entre os estados, somente Amapá e Tocantins, ambos com retração de 2,5%, apresentaram desempenho pior. Mato Grosso aparece imediatamente depois, com os 2,2% negativos.
A queda ganha relevância porque mostra uma perda de força do consumo justamente em uma economia fortemente movimentada pela renda produzida pelo agronegócio e pela cadeia de serviços ligada à produção rural.
No conjunto do Brasil, 20 das 27 unidades da Federação tiveram redução nas vendas entre junho e julho. Seis estados cresceram e Alagoas permaneceu estável.
O Espírito Santo liderou os resultados positivos, com avanço de 3%, seguido por Sergipe, com 1,3%, e Rondônia, com 1,1%.
A retração registrada em Mato Grosso não significa, isoladamente, que o comércio estadual esteja em recessão. O indicador mede a variação do volume de vendas de um mês para outro e utiliza uma série com ajuste sazonal, mecanismo que elimina efeitos recorrentes do calendário para permitir uma comparação mais adequada entre os períodos.
Mesmo assim, a intensidade da queda coloca um sinal de alerta sobre o comportamento do consumo no Estado.
No cenário nacional, cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram retração em julho.
O maior recuo ocorreu no segmento de móveis e eletrodomésticos, que caiu 4,9%. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram redução de 4,2%, enquanto tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,7%.
Outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 2,2%. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registraram redução mais moderada, de 0,2%.
Na direção contrária, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 0,6%. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação também avançaram 0,6%, enquanto combustíveis e lubrificantes tiveram alta de 0,3%.
Existe, entretanto, uma diferença importante quando se amplia a análise.
O chamado varejo ampliado, que acrescenta veículos, motocicletas, material de construção e atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo ao comércio tradicional, apresentou crescimento nacional de 0,4% em julho.
Isso mostra que a desaceleração não ocorreu de maneira uniforme em toda a atividade comercial.
Para Mato Grosso, o próximo passo será verificar se a retração de julho foi apenas uma oscilação mensal ou o início de uma sequência de perda de ritmo do consumo.
O comportamento das vendas também merece ser confrontado com a arrecadação estadual.
O ICMS é uma das principais fontes de receita do Governo de Mato Grosso, e uma desaceleração persistente do comércio pode, dependendo dos segmentos atingidos e da evolução dos preços, repercutir sobre o recolhimento do imposto. A queda de 2,2% no volume vendido, porém, não permite concluir automaticamente que houve redução de 2,2% na arrecadação, já que os dois indicadores têm metodologias e bases diferentes.
Outro ponto será observar o comportamento das famílias.
Juros, endividamento, disponibilidade de crédito e renda influenciam diretamente a compra de bens de maior valor, especialmente móveis, eletrodomésticos e veículos. Uma redução prolongada dessas compras acaba chegando também às empresas por meio de faturamento menor e decisões mais cautelosas de contratação e investimento.
Mato Grosso vinha apresentando indicadores robustos de geração de riqueza e atividade econômica, mas o resultado de julho revela que o desempenho do agronegócio e o crescimento de determinados setores não necessariamente se transformam, na mesma velocidade, em expansão do consumo dentro das lojas.
A divulgação do próximo levantamento do IBGE será decisiva para mostrar se a queda de 2,2% foi pontual ou se o comércio mato-grossense entrou em uma trajetória mais prolongada de desaceleração.