JB Ness
Por Emerson Teixeira
Do Local Guilherme Augusto
Pivetta endurece discurso, promete reagir aos ataques e transforma histórico dos adversários em alvo da disputa pelo Governo de Mato Grosso
A disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026, embora ainda distante do período oficial de campanha, já ganhou contornos de um embate direto entre os dois principais grupos políticos do Estado. De um lado, o governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos), herdeiro político do projeto liderado pelo governador Mauro Mendes. Do outro, o senador Wellington Fagundes (PL), que intensifica sua pré-campanha pelo interior e busca consolidar uma candidatura competitiva ao Palácio Paiaguás. Nesta terça-feira (30), durante coletiva de imprensa concedida após o lançamento da campanha estadual de enfrentamento à violência contra as mulheres e proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade, Pivetta elevou o tom das declarações e deixou claro que pretende enfrentar os adversários sem recuar, mas também sem levar o debate para o campo das ofensas pessoais.
Questionado sobre o cenário eleitoral, Pivetta afirmou que não teme a disputa e demonstrou tranquilidade ao comentar o ambiente político que antecede as eleições. “Não temo, não tenho medo de nada. Sou um homem livre e não tenho medo de absolutamente nada”, declarou, ao ser perguntado sobre os ataques e críticas que vêm sendo trocados entre lideranças políticas nos últimos meses.
Ao comentar o aumento da tensão entre os grupos que deverão protagonizar a sucessão estadual, o governador em exercício reconheceu que, muitas vezes, as críticas surgem naturalmente quando se observa a atuação de determinados adversários. “Quando você pensa no mal que uma determinada pessoa faz, a gente acaba expressando isso na fala. É isso que acontece”, afirmou.
Na sequência, Pivetta deixou evidente qual será a estratégia política adotada pelo Republicanos durante a campanha eleitoral. Segundo ele, o confronto com os adversários acontecerá em alto nível, priorizando a comparação entre as trajetórias públicas dos candidatos.
“Nós pretendemos reagir à altura, mas não baixar o nível, absolutamente. Vamos discutir o comportamento, vamos discutir o histórico de cada candidato, o que cada um fez em prol da população. Essa comparação é legítima”, afirmou.
A declaração foi interpretada nos bastidores como um recado direto ao senador Wellington Fagundes, principal nome do PL para a disputa pelo Governo do Estado. Nos últimos meses, ambos vêm protagonizando uma sequência de declarações públicas, divergências sobre projetos de governo e críticas mútuas, evidenciando um racha político cada vez mais profundo entre Republicanos e PL, partidos que hoje representam dois projetos distintos para a sucessão de Mauro Mendes.
Embora tenha afirmado que experiência administrativa não deve ser o único critério para avaliar um candidato, Pivetta também fez questão de ponderar que o histórico de gestão será um dos principais temas do debate eleitoral.
“O cidadão pode ser gestor pela primeira vez. Isso, para mim, não é o maior problema”, disse, acrescentando que a população deve analisar o conjunto da trajetória política de cada postulante ao Governo.
Foi, porém, uma frase específica que chamou atenção durante a coletiva e imediatamente passou a repercutir nos bastidores políticos. Sem explicar o contexto da declaração, Pivetta afirmou que “as verdinhas são bem piores”, comentário interpretado por interlocutores como mais uma indireta dirigida ao ambiente da disputa eleitoral. A frase, cercada de simbolismo, tende a alimentar novas respostas entre os grupos políticos e aumentar ainda mais a temperatura da corrida pelo Palácio Paiaguás.
Outro momento de destaque ocorreu quando Pivetta respondeu questionamentos envolvendo a eleição para o Senado de anos anteriores e a posição ocupada por Mauro Carvalho dentro do grupo político. O governador em exercício fez questão de rebater especulações sobre mudanças de alianças.
“Ele não é o primeiro suplente. Na eleição passada houve uma coligação, inclusive esse senhor embarcou nela, e ela foi maravilhosa para ele. Foi a única maneira de ele se eleger senador. O primeiro suplente ficou com o nosso grupo, uma pessoa em quem confio muito, que é meu secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho.”
Na sequência, reforçou que não houve qualquer rompimento dentro do grupo político ligado ao governador Mauro Mendes.
“Mauro Carvalho já pertencia ao nosso grupo e continua pertencendo. O nosso lado não mudou nada. Quem mudou de lado foi ele”, declarou.
As declarações consolidam uma estratégia que já vinha sendo desenhada nos bastidores do Republicanos: transformar a eleição de 2026 em um confronto de biografias, resultados administrativos e legado político. A orientação do grupo é levar para o debate público a comparação entre as realizações dos candidatos, destacando obras, investimentos, políticas públicas e capacidade de gestão, em contraposição às críticas que deverão marcar a campanha.
Do outro lado, Wellington Fagundes também tem intensificado sua presença no interior de Mato Grosso, reunindo lideranças, ampliando alianças e buscando consolidar o PL como principal força de oposição ao grupo governista. O senador tem defendido mudanças na condução administrativa do Estado e apresentado críticas a obras, projetos e decisões do atual governo, o que tem provocado respostas frequentes de integrantes da base de Mauro Mendes e de Pivetta.
O ambiente político evidencia que a sucessão estadual deixou de ser um assunto restrito aos bastidores partidários. Mesmo faltando meses para o início oficial da campanha, Republicanos e PL já travam uma disputa aberta pela narrativa que será apresentada ao eleitor mato-grossense. Prefeitos, deputados estaduais, parlamentares federais e lideranças regionais começam a se posicionar, enquanto alianças são construídas e antigas composições passam por rearranjos em todo o Estado.
As declarações de Pivetta nesta terça-feira reforçam esse cenário de campanha antecipada e indicam que o governador em exercício pretende responder aos ataques políticos com comparações entre currículos, experiências administrativas e realizações de governo. Ao afirmar que não tem medo da disputa, que reagirá “à altura” e que o debate deverá se concentrar naquilo que cada candidato efetivamente fez pela população, Pivetta sinaliza que a corrida pelo Palácio Paiaguás já começou e que o confronto entre Republicanos e PL tende a dominar o debate político de Mato Grosso até as eleições de 2026.
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