JB News
Por Nayara Cristina
Do local Guilherme Augusto
A senadora Margareth Buzetti fez um duro diagnóstico sobre o momento vivido pelo campo conservador ao afirmar que a direita atravessa uma crise provocada por ataques internos, discursos considerados ofensivos contra mulheres e disputas públicas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista concedida nesta terça-feira (30), a parlamentar afirmou que episódios recentes envolvendo a senadora Damares Alves, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e integrantes do próprio bolsonarismo podem causar prejuízos políticos à direita, especialmente junto ao eleitorado feminino.
Durante a entrevista, Margareth disse ter ficado “chocada” com o tom dos ataques dirigidos a Damares Alves e classificou como inaceitáveis as manifestações feitas pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e pelo blogueiro Oswaldo Eustáquio. Segundo a senadora, ambos ultrapassaram todos os limites do debate político ao utilizar expressões consideradas ofensivas e machistas contra uma das principais lideranças femininas da direita. Ela afirmou que episódios dessa natureza enfraquecem o discurso conservador justamente em um momento em que o grupo busca ampliar sua base eleitoral entre as mulheres.
“Ontem foi um dia que me chocou. E olha que eu não me choco com quase nada. As agressões e a violência política contra mulheres foram horrorosas.”
Margareth fez referência às declarações de Paulo Figueiredo, que viralizaram nas redes sociais ao afirmar que mulheres “não sabem votar” e utilizar uma expressão de cunho sexual para atacar feministas. A parlamentar também condenou as manifestações de Oswaldo Eustáquio contra Damares Alves, classificando-as como agressivas, desrespeitosas e incompatíveis com os valores que a própria direita costuma defender. As declarações provocaram forte repercussão entre lideranças conservadoras e reacenderam o debate sobre o tratamento dispensado às mulheres dentro do movimento.
Para a senadora, o silêncio de lideranças nacionais diante desses episódios também contribui para ampliar o desgaste político.
“O Flávio tem que se posicionar. Eu não vi ele se posicionando em relação ao ataque contra a Damares. Quem cala consente. Se ele permanece omisso, passa a impressão de que concorda. Ele precisa vir a público repudiar essas agressões.”
Ao comentar o recente vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, no qual a ex-primeira-dama fez um desabafo sobre conflitos internos e a necessidade de união no campo conservador, Margareth revelou que o conteúdo não foi uma surpresa para quem acompanha os bastidores da direita. Segundo ela, Michelle já havia externado as mesmas preocupações durante uma reunião reservada com lideranças femininas dias antes da publicação.
“Tudo o que ela falou naquele vídeo ela já havia conversado conosco anteriormente. Foi um desabafo. Eu não gosto de lavar roupa suja pela imprensa, acho que essas questões deveriam ser resolvidas internamente, mas entendo que ela sentiu necessidade de falar.”
A senadora também foi questionada sobre o impacto das declarações de integrantes da família Bolsonaro na imagem do movimento conservador. Sem hesitar, afirmou que parte dos desgastes enfrentados pela direita decorre justamente da postura adotada por alguns dos filhos do ex-presidente.
“Não tenho dúvida. O discurso deles prejudica a direita. Sempre falei que o melhor deles é o Flávio. Os outros… o discurso dos outros não dá. Como mulher, eu não aceito.”
As declarações ocorrem em um momento de forte tensão dentro do campo conservador. Nas últimas semanas, divergências públicas entre aliados de Jair Bolsonaro, críticas cruzadas nas redes sociais e manifestações de lideranças femininas ampliaram a percepção de um ambiente de disputa interna às vésperas da consolidação das alianças para as eleições de 2026. O vídeo de Michelle Bolsonaro pedindo maior unidade entre os conservadores também foi interpretado nos bastidores como um alerta sobre o desgaste provocado pelos conflitos internos.
Margareth afirmou que esse ambiente de enfrentamento interno beneficia adversários políticos e dificulta a construção de um discurso unificado da direita, sobretudo em temas ligados à proteção das mulheres. Para ela, o combate à violência política de gênero precisa deixar de ser apenas discurso e se transformar em uma postura concreta das principais lideranças conservadoras.
“Não tem como dizer que isso não enfraquece a direita. Claro que enfraquece. Quem quer representar esse eleitorado precisa condenar esse tipo de comportamento.”
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