RETOMADA

Após mais de uma década de espera, Governo publica edital para concluir campus da UFMT em Várzea Grande

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Após mais de uma década de espera, Governo publica edital  para concluir campus da UFMT em Várzea Grande
Foto Divulgação Governo-MT

JB News

Por Emerson Teixeira

As informações são do Governo de MT

Depois de mais de dez anos marcados por atrasos, paralisações e sucessivas mudanças no projeto, o Governo de Mato Grosso deu mais um passo para tentar tirar do papel a conclusão do Campus Universitário de Várzea Grande da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) publicou o edital de licitação que prevê a contratação integrada da empresa responsável por revisar os projetos existentes e executar a retomada das obras, em um investimento estimado em R$ 18 milhões.  

A concorrência pública está marcada para o dia 22 de setembro de 2026 e contempla não apenas a conclusão das estruturas inacabadas, mas também a elaboração dos projetos básicos e executivos, adequação técnica das edificações existentes e implantação de toda a infraestrutura necessária para colocar a unidade em funcionamento.

A história do campus é antiga. O projeto começou a ser estruturado em 2012, dentro da política nacional de expansão das universidades federais, e as obras tiveram início em 2014, quando foram criados os cursos de Engenharia de Computação, Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Minas, Engenharia de Transportes e Engenharia Química. A previsão inicial era de entrega em aproximadamente dois anos, mas uma sequência de problemas administrativos, dificuldades financeiras das empresas contratadas, rescisões de contratos e novas licitações impediu que a obra fosse concluída.  

Desde então, milhares de estudantes ingressaram na universidade sem nunca utilizar o campus que lhes foi prometido. Durante todo esse período, os cursos passaram a funcionar provisoriamente no campus de Cuiabá, utilizando salas e laboratórios adaptados, situação que permanece até hoje.  

As estruturas já construídas também sofreram os efeitos do tempo. Parte dos quatro blocos acadêmicos e do restaurante universitário chegou a ser executada, porém anos de abandono provocaram deterioração das edificações, exigindo agora revisão completa dos projetos estruturais, elétricos, hidráulicos, de acessibilidade, prevenção contra incêndio e adequação às normas ambientais e de sustentabilidade.

Segundo a Sinfra, a nova contratação prevê justamente essa atualização técnica antes da retomada definitiva da construção, evitando que problemas acumulados ao longo da paralisação comprometam a segurança e a funcionalidade do empreendimento.

O campus ocupa uma área estratégica na região do Chapéu do Sol, em Várzea Grande, onde também estão previstos importantes equipamentos públicos voltados à ciência, inovação e tecnologia. No mesmo complexo estão projetados o campus do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), unidades da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e o novo Parque Tecnológico de Mato Grosso, formando um dos maiores polos de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico do Estado.

Especialistas avaliam que a conclusão da universidade poderá acelerar o crescimento econômico daquela região, estimular novos empreendimentos, ampliar a produção científica e fortalecer a formação de profissionais altamente qualificados para setores estratégicos da economia mato-grossense, especialmente nas áreas de engenharia, infraestrutura, mineração, logística e tecnologia.

Os R$ 18 milhões utilizados nesta etapa são oriundos de recursos destinados pela UFMT ao convênio firmado com o Governo de Mato Grosso, que assumiu a responsabilidade pela execução da obra por meio da Sinfra. A própria universidade, entretanto, já reconheceu que esse montante deverá ser suficiente para retomar a construção, mas poderá não cobrir integralmente todas as necessidades futuras, como aquisição de mobiliário, equipamentos laboratoriais e demais estruturas necessárias ao pleno funcionamento do campus, o que exigirá novas fontes de financiamento.  

A expectativa é que, superada a fase licitatória e iniciados os trabalhos, o campus finalmente deixe para trás um histórico de mais de uma década de interrupções e se transforme em um dos principais centros de formação tecnológica e de engenharia de Mato Grosso, atendendo uma demanda antiga da comunidade acadêmica e contribuindo para consolidar Várzea Grande como um importante polo de educação superior e inovação no Estado.