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Por Emerson Teixeira
O Governo de Mato Grosso entrou na fase decisiva da implantação do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande. Além de confirmar a conclusão da infraestrutura do primeiro corredor, o governador em exercício, Otaviano Pivetta, anunciou que a operação do novo sistema ficará sob responsabilidade da Agência Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá (Agem/VRC), que será fortalecida para administrar o modal, integrar a operação entre os dois municípios e coordenar a gestão do transporte coletivo metropolitano.
Durante entrevista concedida nesta semana, Pivetta voltou a fazer duras críticas ao antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), afirmando que o empreendimento foi iniciado sem o planejamento técnico adequado. Segundo ele, houve um erro de concepção ao adquirir os trens antes mesmo da implantação da infraestrutura necessária.
“O que aconteceu no passado foi uma falta de responsabilidade. Compraram os trens antes de fazer os trilhos. Não houve estudo para entender se aquele modal atendia às necessidades de Cuiabá e Várzea Grande”, afirmou o governador.
Para Pivetta, o BRT representa uma solução mais compatível com a demanda da região metropolitana, oferecendo menor custo operacional, maior flexibilidade e possibilidade de expansão gradativa da rede.
As obras atualmente concentram-se na conclusão do primeiro grande corredor exclusivo, que liga o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, ao Centro Político Administrativo (CPA), em Cuiabá. Esse trecho possui aproximadamente 14 quilômetros de extensão e passa pela Avenida da FEB, Ponte Júlio Müller, Avenida da Prainha e Avenida do CPA. As construtoras assumiram o compromisso de concluir a infraestrutura física desse corredor até o fim de junho, com as pistas liberadas para circulação e totalmente sinalizadas.
Segundo o governador, essa entrega representa apenas a conclusão da infraestrutura viária. A operação completa do sistema depende da instalação das estações de embarque, dos terminais e da chegada da frota de ônibus elétricos, etapas que seguem em andamento.
“Nós já iniciamos os terminais e estamos terminando os orçamentos para publicar o edital da compra dos veículos elétricos. Até o dia 10 do mês que vem, no máximo até o dia 15, estaremos publicando o edital. Até o final deste ano estarão rodando os veículos do aeroporto até o CPA e do CPA até o aeroporto”, declarou.
O Governo pretende adquirir veículos totalmente elétricos, equipados com tecnologia de última geração. O sistema contará com dois centros de recarga de baterias, um instalado na região do Aeroporto Marechal Rondon e outro no Terminal do CPA. Segundo Pivetta, serão utilizados ônibus articulados e convencionais, dimensionados conforme a demanda de passageiros da Baixada Cuiabana.
As estações do novo sistema já tiveram ordem de serviço autorizada e estão sendo implantadas ao longo dos corredores da Avenida da FEB, Prainha e Avenida do CPA. Diferentemente dos pontos tradicionais de ônibus, essas estruturas terão embarque em nível, bilhetagem eletrônica e, em parte delas, climatização, proporcionando maior conforto e acessibilidade aos usuários. Também estão em construção os terminais do Aeroporto, Porto e CPA, além do Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por monitorar toda a operação do sistema em tempo real.
Outro eixo importante do projeto será o ramal do Coxipó, que ligará a região sul de Cuiabá ao Centro da Capital pela Avenida Fernando Corrêa da Costa e Avenida Coronel Escolástico. De acordo com Pivetta, as intervenções nesse trecho ganharão ritmo após a consolidação da operação do primeiro corredor, permitindo que a expansão ocorra de maneira gradual e sem comprometer o funcionamento do sistema já implantado.
Para acelerar a execução das obras, o Governo criou uma força-tarefa composta por representantes da Secretaria de Infraestrutura, da Secretaria de Cidades e da área de Turismo, que passou a acompanhar diariamente o cronograma e cobrar das empresas o cumprimento dos prazos estabelecidos. A medida foi adotada após sucessivos atrasos registrados na implantação do modal.
A criação da Agência Metropolitana como gestora do sistema é considerada uma das principais mudanças estruturais do novo modelo. Como o BRT atenderá simultaneamente Cuiabá e Várzea Grande, o Governo entende que a operação precisa ser coordenada por um órgão metropolitano, evitando conflitos administrativos entre os municípios e garantindo integração tarifária, operacional e de planejamento para futuras expansões.
Com investimento estimado em aproximadamente R$ 468 milhões na implantação da infraestrutura, o BRT substituirá definitivamente o antigo projeto do VLT, cujas obras ficaram inacabadas por mais de uma década. A expectativa do Governo é que, até o fim de 2026, o primeiro corredor esteja em funcionamento com ônibus elétricos, inaugurando uma nova fase da mobilidade urbana na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande.
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