POTENCIAL MINERAL

ALMT avança na exploração de minerais estratégicos e prepara Expominério 2026 para atrair investimentos a MT

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ALMT avança na exploração de minerais estratégicos e prepara Expominério 2026 para atrair investimentos a MT

JBNews

Por José Teixeira

Grupo de trabalho presidido por Max Russi discute política estadual de mineração, mapeamento geológico, terras raras e projetos educacionais que devem alcançar mais de 22 mil estudantes

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) avançou, nesta segunda-feira (19 de outubro), nas discussões para estruturar uma política estadual voltada ao desenvolvimento da mineração, com atenção especial ao aproveitamento dos recursos minerais, à segurança jurídica, ao mapeamento geológico e à atração de novos investimentos. Os assuntos foram debatidos durante a oitava reunião do Grupo de Trabalho da Mineração, realizada na sala de comissões do Parlamento estadual.

Entre os principais temas discutidos estão a construção da Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais, o desenvolvimento do projeto Educa Mineração, os preparativos para a Expominério 2026 e a ampliação das relações internacionais voltadas ao setor mineral.

O grupo é presidido pelo deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa, e tem como vice-presidente a advogada Taís Paula Costa Leite. A composição do colegiado foi atualizada pelo Ato nº 078/2026/SSL/ALMT, assinado em 13 de outubro.

A proposta é criar condições para que Mato Grosso avance no conhecimento de suas reservas minerais, amplie a capacidade de planejamento e fortaleça um ambiente institucional que permita o desenvolvimento da atividade com critérios técnicos, jurídicos e ambientais.

Durante a reunião, Taís Costa avaliou positivamente os resultados alcançados pelo grupo e destacou a importância de estabelecer uma política pública permanente para o segmento.

Segundo ela, uma das prioridades é organizar a governança estadual dos recursos minerais, permitindo que o poder público disponha de informações mais abrangentes sobre as características geológicas do território mato-grossense e as possibilidades de aproveitamento econômico.

O mapeamento geológico é considerado uma ferramenta fundamental para identificar ocorrências minerais, orientar pesquisas, ampliar o conhecimento sobre depósitos existentes e subsidiar decisões relacionadas à infraestrutura e ao planejamento territorial.

A discussão ganha importância diante da presença de recursos minerais tradicionais e do interesse crescente por substâncias consideradas estratégicas para diferentes segmentos industriais.

Além do ouro e do calcário, recursos já associados à atividade mineral em Mato Grosso, o grupo apontou perspectivas de pesquisas envolvendo terras raras, fósforo e outros minerais.

As terras raras formam um conjunto de elementos químicos utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos, motores elétricos, sistemas de geração de energia, tecnologias industriais e outros produtos de alta complexidade.

O crescente interesse internacional por esses materiais colocou a pesquisa mineral entre os assuntos estratégicos relacionados à indústria, à tecnologia e à segurança das cadeias de abastecimento.

Em Mato Grosso, entretanto, a identificação de ocorrências ou de áreas com potencial mineral não significa, necessariamente, a existência de reservas economicamente viáveis para exploração. A confirmação depende de pesquisas, estudos técnicos, licenciamento e cumprimento das exigências legais.

Outro ponto debatido foi a necessidade de ampliar a segurança jurídica para os empreendimentos minerais. A vice-presidente do grupo destacou que a atividade enfrenta desafios regulatórios, especialmente diante das discussões nacionais e internacionais sobre minerais críticos e estratégicos.

A construção de uma política estadual deverá considerar a competência da União sobre os recursos minerais e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e regulação da atividade.

Nesse contexto, a Agência Nacional de Mineração (ANM) exerce papel central na administração dos direitos minerários e na fiscalização do aproveitamento dos recursos minerais brasileiros.

A elaboração de diretrizes estaduais também deverá observar questões ambientais, uso do solo, recuperação de áreas degradadas, proteção dos recursos hídricos e os impactos da atividade sobre as comunidades.

O debate na Assembleia busca aproximar representantes do poder público, especialistas, instituições de ensino e setores produtivos para discutir caminhos de desenvolvimento da mineração.

Além das discussões regulatórias, o grupo acompanha a preparação da Expominério 2026, evento voltado à divulgação do potencial mineral de Mato Grosso e à aproximação entre representantes do setor e possíveis investidores.

A proposta é utilizar a programação para ampliar o diálogo institucional, estimular conexões comerciais e apresentar oportunidades relacionadas à pesquisa, à tecnologia e ao aproveitamento dos recursos minerais.

A agenda internacional também esteve entre os assuntos da reunião. O objetivo é ampliar a inserção de Mato Grosso nas discussões sobre mineração e nas relações com instituições e agentes econômicos interessados no setor.

A aproximação com mercados e organizações internacionais pode contribuir para ampliar o intercâmbio técnico e o conhecimento sobre tecnologias aplicadas à pesquisa mineral, ao beneficiamento de minérios e à sustentabilidade.

Outra frente de atuação apresentada pelo grupo envolve a formação de estudantes e a divulgação do conhecimento científico.

O projeto Educa Mineração, desenvolvido por iniciativa de Max Russi, prepara uma nova etapa de atividades educativas em escolas públicas de Mato Grosso.

Em novembro, oito escolas estaduais de Várzea Grande receberão oficinas voltadas à compreensão dos recursos minerais, às geociências, à sustentabilidade e à importância dos minerais na vida cotidiana.

A programação está prevista para ocorrer entre os dias 4 e 13 de novembro, com expectativa de alcançar mais de 8 mil estudantes.

As atividades serão conduzidas por professores e acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a Assembleia Legislativa.

Entre as instituições incluídas na programação estão as escolas estaduais Dunga Rodrigues, Governador Dante Martins de Oliveira, José Leite de Moraes e Militar Tiradentes Tenente-Coronel Louirson Rodrigues Benevides.

O projeto busca apresentar aos estudantes conceitos relacionados à formação da Terra, à identificação de minerais, às aplicações industriais e tecnológicas dos recursos naturais e à importância da responsabilidade ambiental.

A iniciativa integra um planejamento mais amplo, com previsão de atendimento a 22.637 alunos de 24 escolas públicas de Mato Grosso.

A proposta é aproximar a comunidade escolar de conhecimentos científicos e demonstrar como os recursos minerais estão presentes em diferentes setores da economia, desde a construção civil e a agricultura até a produção de equipamentos eletrônicos e sistemas tecnológicos.

O desenvolvimento da mineração também está relacionado ao setor agropecuário, especialmente pela utilização de minerais na correção dos solos e na produção de fertilizantes.

O calcário, por exemplo, desempenha papel importante na correção da acidez do solo, enquanto o fósforo integra a composição de fertilizantes utilizados na produção agrícola.

A disponibilidade, a pesquisa e o aproveitamento desses recursos estão entre os temas que conectam a mineração às estratégias de desenvolvimento econômico de Mato Grosso.

A oitava reunião do Grupo de Trabalho da Mineração reforçou a agenda de construção de instrumentos estaduais para organizar informações, discutir propostas normativas e ampliar a articulação institucional.

Apesar dos avanços anunciados, a Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais ainda está em fase de construção. A reunião não representou a aprovação definitiva de uma nova legislação nem a autorização de projetos específicos de exploração mineral.

O grupo deverá continuar acompanhando as discussões sobre segurança jurídica, pesquisa geológica, minerais estratégicos, educação e organização de eventos voltados ao setor.

A expectativa dos participantes é que essas iniciativas contribuam para ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais de Mato Grosso e oferecer subsídios técnicos para futuras políticas públicas, investimentos e atividades econômicas.

A reunião foi realizada nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, e os encaminhamentos integram a agenda de trabalho da Assembleia Legislativa voltada ao planejamento do setor mineral no estado.