TRANSPORTE MAIS CARO
JB News
Por Nayara Cristina
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o custo do transporte coletivo para o município já chegou a aproximadamente R$ 12 por passageiro transportado, mais que o dobro dos R$ 4,95 cobrados atualmente de quem paga a tarifa. Segundo ele, o custo do sistema aumentou mais de 20%, ao mesmo tempo em que houve redução do número de usuários, situação que vem ampliando a necessidade de recursos públicos para manter os ônibus em circulação.
Ao falar sobre a situação do transporte público da Capital, Abilio também afirmou que considera a Prefeitura “refém” de um contrato de 30 anos firmado com as empresas que operam o sistema e disse que a administração busca alternativas para promover o reequilíbrio econômico da concessão e modificar pontos do acordo.
A diferença entre o valor pago pelo usuário e o custo total de cada embarque é coberta pelo sistema com participação do poder público.
“A passagem pra nós hoje já custa R$ 12. Enquanto alguém paga R$ 4,95 ou usufrui da gratuidade, o município de Cuiabá paga R$ 12 por cada vez que a pessoa passa na catraca. Se ela vai e volta, custa pro município de Cuiabá R$ 24”, declarou.
Foi a partir desses números que o prefeito comparou o custo do transporte coletivo com viagens realizadas por aplicativos.
“Muita viagem de Uber é mais barata que isso. Então, se o município pudesse pagar uma viagem de Uber pra cada cidadão que usa o transporte público, sairia muito mais barato do que usufruir do transporte público como está”, afirmou.
A comparação foi feita pelo prefeito para dimensionar o custo atual do sistema e não representa anúncio de substituição dos ônibus por transporte de aplicativo.
Segundo Abilio, o custo do transporte coletivo municipal apresentou crescimento superior a 20% em relação ao patamar anterior. Em outro momento da entrevista, ele situou o aumento em “quase 20%” na comparação entre 2024 e o cenário atual.
O prefeito relacionou a elevação a dois movimentos simultâneos: investimentos realizados na renovação da frota e redução da quantidade de passageiros utilizando os ônibus.
“Infelizmente, o custo só aumenta”, afirmou.
De acordo com Abilio, as concessionárias cumpriram uma cláusula contratual relacionada à renovação dos veículos e aproximadamente 70 ônibus novos já estariam circulando pelas ruas da Capital.
A entrada dos veículos, porém, também produz reflexos sobre os custos reconhecidos dentro da operação do sistema, segundo o prefeito.
“Esses 70 ônibus novos trazem também um aumento de valores pra nós. Ou seja, esses quase 20% a mais de 2024 pra agora é tudo por causa dessa situação do transporte público ter aumentado o custo do sistema e diminuído o número de passageiros”, declarou.
Abilio afirmou que a redução de usuários cria uma equação financeira desfavorável porque os custos necessários para manter a estrutura permanecem elevados mesmo quando menos pessoas utilizam os ônibus.
Segundo ele, parte dos antigos passageiros vem migrando para motocicletas e outras formas de deslocamento.
O prefeito acredita que a ampliação do uso de veículos elétricos individuais, especialmente motocicletas, poderá acentuar esse movimento nos próximos anos.
“Os passageiros hoje têm optado por moto, por outra modalidade. Agora estão chegando os veículos elétricos, como moto elétrica, que ainda não está tão em moda no município de Cuiabá, mas a tendência é ter um número maior de veículos elétricos”, afirmou.
Na avaliação apresentada pelo prefeito, uma nova queda na demanda produziria pressão adicional sobre o custo por passageiro.
“Essa mudança vai acabar aumentando o custo do transporte, porque você tem um sistema caro com menor número de usuários. Esse rateio do número de usuários do sistema vai ficar mais caro pra nós”, declarou.
Prefeito diz ser “refém” de contrato de 30 anos
Abilio também voltou suas críticas para o modelo contratual que rege o transporte coletivo da Capital.
Segundo ele, o contrato com as empresas foi celebrado por volta de 2021 ou 2022 e estabeleceu uma concessão com duração de 30 anos.
“O município tem um contrato que foi feito em 2021 ou 22, se eu não me engano, para 30 anos com essas empresas. Só pra você ter ideia, eu sou refém desse contrato. Um contrato de 30 anos”, afirmou.
A declaração de Abilio representa a avaliação do prefeito sobre as limitações impostas pelo contrato à atual administração.
Ele afirmou que existem obrigações estabelecidas no acordo, inclusive relacionadas à renovação da frota, e que alterações mais profundas dependem da estrutura jurídica e econômica da concessão.
Segundo o prefeito, a administração pretende buscar primeiro um reequilíbrio econômico do contrato.
Somente depois disso, conforme explicou, poderá ser analisada a celebração de aditivos para promover outras mudanças no sistema.
“Poderá ser feito um aditivo contratual posteriormente? Sim, assim que a gente conseguir fazer um reequilíbrio econômico desse contrato”, disse.
Abilio não detalhou, durante a declaração, quais cláusulas pretende alterar nem apresentou os valores envolvidos no reequilíbrio em discussão.
Ônibus elétrico é projeto do Estado para o BRT
O prefeito também esclareceu a circulação de um ônibus 100% elétrico apresentado recentemente em Cuiabá.
Segundo Abilio, o veículo não integra, neste momento, um projeto da Prefeitura para substituir os ônibus do sistema municipal.
O modelo está sendo avaliado pelo Governo de Mato Grosso dentro dos estudos relacionados ao BRT.
“O BRT, né? Eles estão estudando os veículos, analisando como que o veículo fica na resistência aqui. É demonstrativo de um veículo que poderá estar sendo usufruído pelo BRT”, explicou.
Questionado sobre a possibilidade de a Prefeitura implantar esse tipo de veículo, Abilio respondeu que a iniciativa atualmente em avaliação pertence ao Estado.
“Não é a Prefeitura. É o Governo do Estado que poderá estar comprando aqueles veículos”, afirmou.
A possibilidade de substituir futuramente veículos da frota municipal por ônibus elétricos dependeria, segundo ele, das condições do contrato vigente e de eventual alteração contratual.
As declarações colocam o custo do sistema no centro das discussões sobre o futuro do transporte coletivo de Cuiabá. Pelos números apresentados pelo prefeito, duas passagens pela catraca ao longo do dia representam um custo total de aproximadamente R$ 24 ao sistema, enquanto o passageiro que paga a tarifa desembolsa R$ 9,90 na ida e na volta.
Abilio sustenta que a Prefeitura tenta modificar aspectos do contrato para reduzir a pressão financeira sobre o município, mas afirma que as possibilidades de alteração estão condicionadas à concessão de longo prazo atualmente em vigor.
“É um contrato, como eu disse, de 30 anos, e a gente está tentando modificar muitas coisas dele pra tentar melhorar essas questões de custo”, afirmou.
Os valores de R$ 12 por passageiro, crescimento superior ou próximo de 20% no custo e cerca de 70 ônibus novos em circulação foram apresentados pelo próprio prefeito durante a entrevista. A declaração não veio acompanhada, naquele momento, da planilha tarifária ou dos demonstrativos financeiros utilizados para chegar aos números.
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