“PREJUDICADA”

Abílio diz que Cuiabá perde R$ 100 milhões por ano e acusa ALMT de “virar as costas” para a Capital

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Abílio diz que Cuiabá perde R$ 100 milhões por ano e acusa ALMT de “virar as costas” para a Capital

JB News

Da redação

Prefeito afirma que há diálogo com deputados, mas falta ação; cobra solução para impasses, acusa parlamentares de prometerem emendas que não chegam e revela uso de recursos recuperados de corrupção em investimentos na saúde

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, elevou o tom contra a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ao afirmar que a Capital vem sendo prejudicada há anos na divisão de recursos e que perde aproximadamente R$ 100 milhões por ano em razão das mudanças envolvendo a participação do município na arrecadação do ICMS. Segundo ele, a discussão não deve ser tratada como uma “briga” com o Legislativo ou com o Governo do Estado, mas como uma defesa dos interesses de Cuiabá.

“Não há uma briga. Seria uma briga se a gente fosse travar algum tipo de conflito. Não há uma briga. É uma defesa do município de Cuiabá. A gente foi muito prejudicado realmente durante os últimos anos. A gente perde em torno de R$ 100 milhões por ano. Ainda que seja o melhor município do Estado, ainda que tenha os melhores indicadores, perderemos R$ 100 milhões por ano”, afirmou.

Abílio disse que a Assembleia Legislativa, em diferentes momentos, não teria atuado para proteger os interesses da Capital, tanto na área financeira quanto em questões territoriais. O prefeito mencionou uma legislação aprovada anteriormente pelo Parlamento estadual que, segundo ele, retirou cerca de R$ 100 milhões do orçamento cuiabano.

“A Assembleia tem virado as costas na defesa do município de Cuiabá em algumas das pautas que a gente tenta defender. A defesa do nosso território, ou seja, recentemente furtaram uma parte do nosso território, e a defesa do nosso orçamento. Aprovaram uma lei também na Assembleia Legislativa, na época em que o presidente era o deputado Botelho, se não me engano, tirando R$ 100 milhões do município de Cuiabá”, declarou.

Na avaliação do prefeito, Cuiabá precisa ampliar sua representação política dentro da Assembleia para ter deputados comprometidos com a defesa da Capital. Ele ressaltou ainda que o município suporta uma pressão adicional na área da saúde por receber pacientes de diversas cidades do interior e da região metropolitana.

Abílio citou como exemplo o Centro Médico Infantil de Cuiabá, que, segundo ele, passou a receber moradores de municípios vizinhos em busca de atendimento pediátrico especializado.

“Depois que a gente abriu o Centro Médico Infantil, a gente recebe todos os nossos municípios vizinhos. A pessoa quer um pediatra especializado, sai lá de Santo Antônio de Leverger, que não tem uma saúde de qualidade, e vem para Cuiabá buscar socorro dentro do nosso município. Por quê? Porque faltam esses profissionais no interior, faltam esses serviços no interior”, disse.

O prefeito defendeu que cidades-polo, como Sinop, Rondonópolis e Tangará da Serra, também ampliem os serviços especializados de saúde, principalmente nas áreas de atendimento infantil e saúde da mulher, reduzindo a concentração da demanda sobre Cuiabá.

“É o papel da Capital também se especializar no atendimento de saúde e é papel da Capital buscar defender o seu orçamento e seu território”, reforçou.

Questionado se existe diálogo com a Assembleia Legislativa desde que assumiu a Prefeitura, Abílio afirmou que as conversas acontecem, mas criticou a falta de resultados concretos.

“Diálogo tem. Diálogo tem, falta ação. Diálogo tem, falta ação”, disparou.

Como exemplo, o prefeito citou o impasse envolvendo a área do Hospital Universitário Júlio Müller. Segundo ele, apesar de diferentes instituições reconhecerem a necessidade de regularização da situação, nenhuma solução definitiva teria sido apresentada até agora.

“Até hoje não resolveu a questão do Hospital Júlio Müller. Está lá. Eu não peço para paralisar a obra, porque eu poderia, mas não peço porque eu não quero prejudicar a obra. Mas fica dependendo da benevolência dos santos deputados em querer regularizar aquela situação”, afirmou.

Abílio acrescentou que representantes do próprio hospital, da universidade, do Governo do Estado e do município já teriam defendido uma revisão da situação.

“O próprio Hospital Júlio Müller já foi lá falar, já pediu. A própria universidade já foi lá, já pediu. O próprio Estado já falou que precisa rever essa situação. O município, todos os envolvidos na saúde entendem que precisa rever, mas até hoje não foi revisto”, reclamou.

O prefeito também fez críticas diretas a deputados que, segundo ele, anunciaram recursos para Cuiabá que não chegaram aos cofres municipais. Entre os citados está o deputado estadual Wilson Santos, que, conforme Abílio, teria prometido recursos para o Contorno Leste.

“Muitos deputados vão lá e falam: ‘Estou mandando tanto para o município de Cuiabá’. Como o caso do Wilson Santos, que falou que ia mandar dinheiro para regularizar o Contorno Leste. Não mandou um centavo”, afirmou.

Abílio também mencionou uma promessa feita por “Fábio” para auxiliar no Contorno Leste, afirmando que o recurso igualmente não teria sido repassado.

“Como o próprio Fábio falou que ia mandar recurso para ajudar o Contorno Leste, não mandou um centavo. Só mentira atrás de mentira”, declarou.

Por outro lado, o prefeito disse reconhecer quando parlamentares com os quais possui divergências políticas efetivamente destinam recursos ao município. Ele citou um caso relacionado a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), sem identificar o deputado durante o trecho da entrevista, afirmando que, apesar das diferenças ideológicas, o recurso prometido foi encaminhado.

“Tem um deputado que temos divergências políticas, o pensamento é totalmente antagonista. Aí mandou um recurso e o recurso chegou. Então o que eu estou dizendo é: nós precisamos defender Cuiabá, até mesmo de deputados que são falastrões, que saem falando um monte de asneira, falam que vão ajudar e não ajudam um centavo”, afirmou.

Abílio também comentou sobre recursos recuperados em processos relacionados a desvios de dinheiro público. Segundo ele, parte dos valores devolvidos pelo ex-deputado estadual José Riva após acordo judicial está sendo direcionada para obras no município.

“Isso não é escondido, oculto, nem nada. Isso está na própria medida do Ministério Público. Lembra do dinheiro que foi desviado, confessado o desvio do Riva, que ele foi lá e confessou o desvio do recurso, declarou o desvio do recurso e fez um acordo na Justiça para devolver o dinheiro? Parte desse dinheiro está vindo para fazer algumas obras no município de Cuiabá”, explicou.

Entre os investimentos, Abílio citou o projeto do CAPS III do Verdão, uma das estruturas anunciadas pela Prefeitura para reforçar a rede municipal de saúde mental.

O prefeito também destacou as parcerias firmadas pela administração municipal com unidades particulares de saúde para reduzir filas do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele mencionou especificamente o Hospital Otorrino, onde pacientes da rede pública já estariam realizando consultas e procedimentos.

“A gente já conseguiu uma parceria, por exemplo, com o Hospital Otorrino. Isso para mim foi muito bom, eu fiquei muito feliz com essa parceria, porque já tem gente fazendo procedimento, já tem gente sendo atendida com o Otorrino. E o Hospital Otorrino é especialista nessa área”, afirmou.

Segundo Abílio, a estratégia é aproveitar a estrutura e a capacidade técnica da rede privada para ampliar o atendimento oferecido gratuitamente à população pelo município.

“Então nós estamos entregando para a população, dentro do serviço de saúde pública, um hospital particular, um serviço particular”, destacou.

As declarações mostram que a disputa de Abílio por uma fatia maior dos recursos destinados a Cuiabá deve permanecer no centro da relação política entre o Palácio Alencastro e a Assembleia Legislativa. Para o prefeito, a Capital precisa recuperar capacidade financeira, preservar seu território e ter maior apoio dos deputados para enfrentar uma demanda por serviços que ultrapassa os limites do próprio município.

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