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Tomate dispara 24%, diesel sobe 3,7% e inflação chega a 4,62% em 12 meses no Brasil

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Tomate dispara 24%, diesel sobe 3,7% e inflação chega a 4,62% em 12 meses no Brasil

JBNews

Por José Teixeira

A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou em outubro, mas os preços dos alimentos e combustíveis continuaram pressionando o orçamento das famílias. Dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o tomate ficou 24,54% mais caro, o óleo diesel subiu 3,70% e a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,62%, ultrapassando o limite superior da meta estabelecida para o país.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro, resultado inferior aos 0,70% observados em setembro. Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada no ano chegou a 4,15%.

O resultado mostra um comportamento desigual dos preços. Enquanto a redução nas tarifas de energia elétrica e nas passagens aéreas ajudou a conter o índice geral, produtos essenciais da alimentação registraram aumentos expressivos.

O grupo alimentação e bebidas apresentou alta de 0,88% no mês. Considerando apenas os alimentos consumidos dentro de casa, o avanço chegou a 1,01%, acima dos 0,38% registrados em setembro.

O tomate liderou as altas, com valorização de 24,54%. A cebola ficou 13,63% mais cara, a batata-inglesa subiu 10,96% e o arroz apresentou aumento de 5,80%.

Os reajustes atingem diretamente o custo das compras nos supermercados e feiras, especialmente para famílias que destinam parcela significativa da renda à alimentação.

Alguns produtos, entretanto, apresentaram redução de preços. A cenoura ficou 10,67% mais barata, as frutas recuaram 1,37% e o café moído registrou queda de 1,16%.

Nos transportes, os combustíveis apresentaram aumento médio de 1,20%. O óleo diesel liderou as altas, com valorização de 3,70%, seguido pelo etanol, que subiu 2,73%, e pela gasolina, com reajuste de 0,92%.

O aumento do diesel merece atenção especial em estados com forte atividade agropecuária, como Mato Grosso, onde o transporte rodoviário representa uma etapa fundamental para o escoamento de grãos, carnes e outros produtos destinados ao mercado nacional e à exportação.

A elevação dos custos de transporte pode pressionar os valores dos fretes e afetar diferentes setores da economia, embora os efeitos dependam das condições comerciais e logísticas de cada atividade.

Em sentido contrário, as passagens aéreas registraram redução média de 9,24%, contribuindo para a desaceleração da inflação de outubro.

O grupo habitação apresentou variação negativa de 0,10%, influenciado pela queda de 0,89% nos preços da energia elétrica residencial. A mudança da bandeira tarifária amarela para verde eliminou a cobrança adicional por consumo de energia no período analisado.

Mesmo com essa redução, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram aumento de preços em outubro.

O IPCA-15 considera os preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro, comparados aos valores do período anterior. A pesquisa abrange regiões metropolitanas e municípios selecionados, não incluindo diretamente Cuiabá entre as localidades pesquisadas.

O indicador é considerado uma referência importante para acompanhar a trajetória da inflação brasileira e orientar as expectativas do mercado financeiro sobre a política de juros.

O resultado divulgado nesta sexta-feira reforça que, embora a inflação mensal tenha perdido força, a pressão sobre produtos essenciais, especialmente alimentos e combustíveis, continua sendo um desafio para o orçamento das famílias e para os custos das atividades econômicas.