INVESTIMENTO FLORESTAL

MT aprova R$ 3,87 milhões para fortalecer indústria da madeira e abastecimento de usinas de etanol

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Por José Teixeira

Recursos serão destinados a pesquisas da UFMT, identificação científica de madeiras para exportação e levantamento da biomassa utilizada como fonte de energia; projetos contemplam Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta

O Governo de Mato Grosso aprovou investimentos de R$ 3,87 milhões em três projetos destinados ao fortalecimento da cadeia produtiva florestal, ao desenvolvimento de pesquisas científicas e ao planejamento do abastecimento de biomassa utilizada pela indústria estadual. A decisão foi tomada na quinta-feira (22 de outubro de 2026), durante a segunda reunião extraordinária do Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta, realizada na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), em Cuiabá.

2ª Reunião Extraordinária do Conselho - Foto por: Assessoria/Sedec goto FF

Os recursos serão destinados a iniciativas apresentadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem) e pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Os projetos envolvem a implantação de áreas experimentais para estudar espécies florestais amazônicas, a criação de uma estrutura especializada na identificação científica de madeiras e a elaboração de um diagnóstico sobre a disponibilidade de biomassa para atender às necessidades das indústrias, especialmente das usinas de etanol de milho.

A maior parcela dos recursos, de R$ 1,97 milhão, foi aprovada para a UFMT, campus de Sinop, responsável pelo projeto denominado “Pró-nativas: Vitrines Florestais Amazônicas”.

A proposta prevê a implantação de áreas experimentais em três municípios: Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta. Nesses locais, pesquisadores deverão acompanhar o crescimento, a produtividade e o potencial de utilização industrial de espécies florestais nativas da Amazônia.

O objetivo é reunir informações científicas que possam orientar produtores rurais, empresas e investidores sobre alternativas de cultivo e aproveitamento econômico de espécies nativas.

Os estudos deverão avaliar o comportamento das árvores em condições de plantio, seu desenvolvimento ao longo do tempo e as possibilidades de utilização da madeira pela indústria.

A pesquisa também poderá contribuir para a diversificação da produção florestal de Mato Grosso, atualmente marcada pela exploração de diferentes espécies nativas e pelo cultivo de florestas plantadas destinadas ao fornecimento de matéria-prima.

A proposta busca ampliar o conhecimento técnico sobre espécies amazônicas que apresentem potencial produtivo e industrial, permitindo que futuras decisões de investimento sejam fundamentadas em resultados de campo.

Entretanto, a aprovação do projeto não significa que novas plantações comerciais já tenham sido implantadas ou que determinadas espécies tenham sua viabilidade econômica comprovada.

Essas conclusões dependerão do desenvolvimento dos experimentos e da avaliação dos resultados pelos pesquisadores.

Outra iniciativa aprovada pelo conselho, no valor de R$ 1,49 milhão, foi apresentada pelo Cipem e prevê a implantação de uma xiloteca, estrutura científica destinada ao armazenamento e à organização de amostras de madeira para identificação de espécies.

A xiloteca funciona como uma biblioteca especializada, na qual amostras são catalogadas e utilizadas como referência para análises anatômicas.

A proposta também contempla a criação de uma estrutura técnica para emissão de laudos de identificação de madeiras, serviço considerado importante para empresas que comercializam produtos florestais nos mercados brasileiro e internacional.

A identificação correta das espécies é uma etapa relevante para o controle da origem e da comercialização de produtos madeireiros, especialmente em operações sujeitas a exigências documentais e de fiscalização.

A análise anatômica permite examinar características da madeira que auxiliam na identificação de espécies ou grupos de espécies, contribuindo para a conferência das informações declaradas nos documentos comerciais.

A nova estrutura pretende ampliar a capacidade técnica disponível em Mato Grosso, reduzindo a necessidade de encaminhar determinadas análises para instituições localizadas em outras regiões.

Com isso, a expectativa é diminuir custos operacionais e atrasos relacionados à emissão de laudos, embora ainda não tenha sido divulgada estimativa oficial sobre a economia financeira que poderá ser alcançada pelas empresas.

O diretor-executivo do Cipem, Valdinei Bento dos Santos, destacou que a identificação das espécies representa uma necessidade crescente para o setor, sobretudo diante das exigências relacionadas ao comércio internacional.

“Precisamos ampliar a capacidade técnica de identificação das espécies no estado, especialmente diante das exigências internacionais. Essa estrutura vai ajudar as empresas exportadoras”, afirmou.

A implantação da xiloteca poderá beneficiar indústrias de processamento de madeira, empresas exportadoras, pesquisadores e profissionais responsáveis por análises técnicas.

Além do atendimento às demandas comerciais, uma coleção científica de madeiras pode contribuir para estudos acadêmicos, formação profissional e aprimoramento dos procedimentos de identificação das espécies.

O terceiro projeto aprovado pelo Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta será desenvolvido pelo Imea, com investimento previsto de R$ 400 mil.

A iniciativa consiste na elaboração de um diagnóstico sobre a oferta e a demanda de biomassa em Mato Grosso, com atenção especial ao consumo industrial de madeira e resíduos agrícolas e florestais utilizados como fonte de energia.

O levantamento deverá mapear a disponibilidade desses materiais, identificar regiões produtoras e avaliar as necessidades de abastecimento das indústrias.

Um dos principais focos será o setor de etanol de milho, atividade industrial em expansão em Mato Grosso e que utiliza fontes de energia térmica em diferentes etapas de processamento.

A produção de etanol a partir do milho exige energia para operações industriais, como geração de vapor e processamento da matéria-prima.

Em determinadas unidades, essa energia pode ser obtida pela queima de biomassa, incluindo madeira proveniente de florestas plantadas e outros materiais adequados à utilização industrial.

O crescimento da capacidade produtiva das usinas amplia a importância do planejamento sobre a disponibilidade de combustíveis e matérias-primas energéticas.

A insuficiência de oferta em determinadas regiões pode provocar aumento de custos de transporte, dificuldades de abastecimento e necessidade de buscar fornecedores mais distantes.

Por outro lado, a existência de informações detalhadas sobre a disponibilidade regional de biomassa poderá auxiliar empresas e produtores no planejamento de investimentos em florestas energéticas, logística e fornecimento de matéria-prima.

O diagnóstico do Imea deverá contribuir para identificar possíveis desequilíbrios entre produção e consumo, além de fornecer elementos para orientar políticas públicas e decisões empresariais.

A publicação oficial da Sedec não informa o volume atual de biomassa consumido pelas usinas de etanol de milho, a quantidade disponível no Estado ou a projeção de demanda futura.

Esses dados deverão ser objeto do levantamento aprovado, não sendo possível antecipar seus resultados.

A distribuição dos investimentos demonstra que os três projetos atendem a diferentes etapas da cadeia produtiva florestal.

Enquanto a UFMT pretende ampliar o conhecimento científico sobre o cultivo de espécies nativas, o Cipem busca melhorar a identificação técnica da madeira comercializada, e o Imea deverá produzir informações sobre o abastecimento energético da indústria.

As iniciativas também possuem relação com a competitividade econômica do setor, uma vez que a disponibilidade de matéria-prima, a qualidade das informações técnicas e a eficiência logística influenciam os custos de produção.

A secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Silva Vogel Lisboa, avaliou que a aprovação dos projetos representa um avanço para o desenvolvimento da atividade florestal.

“A aprovação desses projetos demonstra nosso compromisso em buscar soluções para desafios enfrentados pelo setor florestal, desde a produção de matéria-prima até a comercialização da madeira. São investimentos em pesquisa, tecnologia e conhecimento que vão contribuir para dar mais segurança aos produtores e fortalecer nossas indústrias”, declarou.

O Fundo Desenvolve Floresta é um instrumento estadual destinado ao financiamento de ações relacionadas ao florestamento, reflorestamento, manejo florestal sustentável, pesquisa e assistência técnica.

A estrutura recebe recursos provenientes da taxa de reposição florestal, mecanismo relacionado às obrigações previstas na política florestal de Mato Grosso.

A legislação estadual estabelece que esses recursos sejam utilizados para apoiar a manutenção e o desenvolvimento da base florestal, estimular pesquisas e fomentar atividades produtivas sustentáveis.

O Conselho Gestor do Fundo possui caráter deliberativo e está vinculado à Sedec. Entre suas atribuições estão a definição de prioridades, a avaliação de propostas e a orientação sobre a aplicação dos recursos disponíveis.

Sua estrutura está relacionada à Lei Complementar Estadual nº 233, de 21 de dezembro de 2005, que dispõe sobre a política florestal de Mato Grosso, posteriormente alterada pela Lei Complementar nº 698, de 13 de julho de 2021.

A regulamentação da gestão florestal também envolve o Decreto Estadual nº 1.313, de 11 de março de 2022.

O fundo foi concebido para apoiar atividades capazes de assegurar a oferta de matéria-prima florestal, estimular a pesquisa científica e incentivar o manejo e a produção de florestas de forma sustentável.

A decisão anunciada nesta quinta-feira se insere nessa política de financiamento de iniciativas voltadas à cadeia produtiva.

Embora os projetos aprovados somem aproximadamente R$ 3,87 milhões, a publicação oficial apresenta valores arredondados para cada iniciativa.

A soma dos montantes individualmente divulgados, de R$ 1,97 milhão, R$ 1,49 milhão e R$ 400 mil, corresponde a R$ 3,86 milhões. A diferença de R$ 10 mil em relação ao total anunciado decorre da apresentação resumida dos valores, sem que tenham sido divulgados os montantes exatos de cada projeto.

Também não foram apresentados os números dos instrumentos de contratação ou repasse, o cronograma de desembolso, os prazos de conclusão das pesquisas ou as datas previstas para o início das atividades.

Por isso, os R$ 3,87 milhões representam recursos aprovados pelo Conselho Gestor, e não despesas comprovadamente pagas ou projetos já concluídos.

A execução das iniciativas ainda dependerá dos procedimentos administrativos e técnicos correspondentes.

No caso da UFMT, será necessário acompanhar a implantação das áreas experimentais e a evolução das pesquisas em Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta.

Para o Cipem, a etapa seguinte será a estruturação da xiloteca e dos serviços de identificação científica de madeiras.

Já o Imea deverá desenvolver o levantamento que permitirá dimensionar a relação entre a oferta de biomassa e a necessidade de consumo das indústrias mato-grossenses.

A aplicação dos recursos poderá produzir resultados em diferentes horizontes de tempo. A estrutura de identificação de madeiras poderá atender demandas técnicas após sua implantação, enquanto os estudos sobre espécies florestais exigirão acompanhamento prolongado para avaliação do crescimento das árvores.

O diagnóstico energético, por sua vez, poderá oferecer informações para o planejamento industrial e para futuras decisões de investimento.

Para a economia de Mato Grosso, a importância da medida está na tentativa de integrar produção florestal, pesquisa científica, indústria madeireira e geração de energia.

O Estado reúne atividades que dependem diretamente de recursos florestais e enfrenta o desafio de assegurar abastecimento regular, competitividade e cumprimento das exigências ambientais e comerciais.

Com a aprovação dos três projetos, o Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta autoriza uma nova etapa de investimentos em conhecimento técnico e planejamento produtivo.

O resultado efetivo dependerá da execução dos recursos, da conclusão dos estudos e da utilização das informações produzidas pelas empresas, produtores e órgãos públicos.

A próxima fase será acompanhar a formalização dos instrumentos de execução, a liberação dos recursos e a apresentação dos primeiros resultados, especialmente quanto à identificação de madeiras para exportação e à disponibilidade de biomassa para atender à expansão industrial de Mato Grosso.