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Por José Teixeira
O mercado financeiro brasileiro encerrou esta sexta-feira (23) com queda do dólar, valorização da Bolsa de Valores e forte alta do petróleo no mercado internacional. O último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), foi marcado por ajustes nas posições dos investidores, incertezas políticas e preocupações com o agravamento das tensões no Oriente Médio.
O dólar comercial fechou cotado a R$ 4,993, com desvalorização de 0,92% no dia. Durante as negociações, chegou à mínima de R$ 4,989, atingindo o menor patamar de fechamento desde 9 de outubro. No acumulado da semana, a moeda norte-americana recuou 1,58%, revertendo parte da valorização de 1,77% registrada na semana anterior.
A queda da moeda ocorreu mesmo diante do fortalecimento do dólar no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa norte-americana em relação a uma cesta de moedas internacionais, subia 0,19% no fim da tarde, aos 101,799 pontos.
Na Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou o pregão com valorização de 0,47%, alcançando 205.082,56 pontos. O volume financeiro negociado chegou a R$ 30,7 bilhões.
Apesar do resultado positivo de sexta-feira, o índice acumulou queda de 0,17% na semana. Em outubro, entretanto, registra valorização de 10,06%, enquanto a alta acumulada desde o início de 2026 alcança 27,28%.
As ações de empresas ligadas aos setores de petróleo e mineração estiveram entre os destaques positivos, acompanhando o desempenho das commodities internacionais.
O petróleo também chamou a atenção dos investidores. O barril do tipo Brent, referência para o mercado internacional, disparou 3,13% e encerrou o dia cotado a US$ 116,72, atingindo o maior patamar desde abril. Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, avançou 3,82%, chegando a US$ 103,27.
Na semana, o Brent acumulou valorização de 6,24%, enquanto o WTI subiu 4,29%.
A disparada foi impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio, especialmente diante da possibilidade de novos confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. As ameaças de ataques contra instalações militares e estruturas estratégicas ampliaram o temor de interrupções no fornecimento mundial de petróleo.
O cenário internacional representa um fator de preocupação para Mato Grosso, cuja economia depende fortemente do agronegócio e do transporte rodoviário de cargas.
A eventual transferência da alta do petróleo para o preço do diesel poderá elevar os custos do transporte de soja, milho, algodão, fertilizantes e outros produtos que movimentam bilhões de reais na economia estadual.
O encarecimento dos combustíveis também poderá atingir transportadoras, empresas de logística e consumidores, dependendo das condições do mercado interno e da política de preços praticada pelas distribuidoras.
Por outro lado, a queda do dólar pode reduzir os custos de determinados produtos importados, como máquinas agrícolas, equipamentos e fertilizantes. Para os exportadores, entretanto, uma moeda norte-americana mais barata pode diminuir o valor recebido em reais pelas vendas internacionais, caso os preços das mercadorias permaneçam estáveis.
No ambiente doméstico, a proximidade do segundo turno presidencial também influenciou as negociações. Investidores acompanharam as expectativas em torno da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), especialmente seus possíveis efeitos sobre as contas públicas, a política econômica, os investimentos e a trajetória dos juros.
O mercado financeiro também recebeu novos números da inflação brasileira. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou alta de 0,32% em outubro, abaixo dos 0,70% registrados em setembro. Apesar da desaceleração mensal, o indicador acumula 4,62% em 12 meses, acima do limite superior de 4,5% da meta de inflação.
Com o dólar abaixo de R$ 5, a Bolsa acima dos 205 mil pontos e o petróleo em forte valorização, o Brasil encerra a semana diante de um cenário de atenção redobrada.
A próxima sessão do mercado financeiro brasileiro, prevista para segunda-feira (26), será a primeira após o resultado das eleições presidenciais e deverá refletir tanto a reação dos investidores às urnas quanto os desdobramentos da crise internacional.