JB News
Por Emerson Teixeira
O Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva do empresário Henrique dos Santos Ventura, conhecido como “Gugu” ou “Guh”, investigado sob acusação de atuar na movimentação e ocultação de dinheiro de um núcleo ligado ao Comando Vermelho em Mato Grosso.
A decisão foi proferida monocraticamente pelo ministro Joel Ilan Paciornik, em 30 de setembro de 2026, e manteve a custódia cautelar determinada no processo que apura a atuação de integrantes do núcleo financeiro da organização criminosa.
Henrique é apontado pelas investigações como operador de contas utilizadas para movimentar recursos e teria ligação com Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como “Dandão”.
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o empresário teria participado do fracionamento e da dissimulação de recursos apontados como provenientes de atividades ilícitas.
A acusação sustenta que Henrique fazia parte de um núcleo financeiro estratégico da organização e que contas bancárias eram utilizadas como parte do mecanismo de circulação do dinheiro.
A defesa recorreu ao STJ buscando a revogação da prisão preventiva.
Ao analisar o pedido, Paciornik manteve a custódia.
A discussão chegou à Corte Superior depois de decisões anteriores que preservaram a prisão cautelar, sob fundamentos relacionados à gravidade concreta atribuída à atuação investigada e à necessidade de interromper a suposta estrutura financeira.
O ponto central do caso não é apenas a possível vinculação pessoal do investigado a integrantes da facção, mas o papel que os investigadores atribuem às movimentações financeiras.
A estratégia de organizações criminosas de utilizar terceiros, empresas, contas bancárias e operações fracionadas para dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro passou a ocupar espaço central nas investigações contra facções em Mato Grosso.
No caso de Henrique, as acusações ainda estão submetidas ao processo judicial e a manutenção da prisão preventiva não representa condenação definitiva.
A decisão do STJ analisa a legalidade e a necessidade da custódia cautelar, e não estabelece antecipadamente a culpa do investigado pelas acusações apresentadas pelo Ministério Público.
Com a negativa no STJ, “Gugu” permanece preso enquanto o processo segue seu curso.
O caso também mantém no radar das autoridades o núcleo financeiro relacionado a “Dandão”, personagem citado em investigações sobre a estrutura do Comando Vermelho na região de Cuiabá.
A partir de agora, um dos principais pontos de acompanhamento será o avanço da ação penal e a individualização das operações financeiras atribuídas a cada investigado, incluindo valores movimentados, contas utilizadas e eventual identificação de empresas ou terceiros que teriam participado do esquema.