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Por Nayara Cristina
O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) deixou o último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso afirmando chegar à reta final da eleição com “sensação de dever cumprido”, mas descartando tratar a disputa como encerrada antes da abertura das urnas.
A três dias do primeiro turno, marcado para domingo (4), Pivetta afirmou que continuará nas ruas ao lado da candidata a vice-governadora Gisela Simona (União) até o último dia permitido de campanha.
“Sensação do dever cumprido. Não é uma tarefa fácil. Quando a gente chega no fim de uma jornada como essa, a gente agradece a Deus e respira. É isso”, declarou.
Questionado se chegava à reta final “sem salto alto” diante dos resultados apresentados pelas pesquisas eleitorais, o governador respondeu que a campanha ainda não terminou e disse que seguirá cumprindo agendas até sábado.
“A campanha continua até sábado. Nós vamos continuar até o último dia, eu e a Gisela”, afirmou.
Pivetta disse que pretende utilizar os últimos momentos da campanha para reforçar aos eleitores as propostas de sua chapa e vinculou a eleição estadual ao cenário político nacional.
Em sua declaração, defendeu uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado e criticou o que classificou como “velha política”. As manifestações representam o posicionamento eleitoral do candidato.
“Nós vamos continuar, obviamente, pedindo para a população prestar atenção nos propósitos”, disse.
O governador também foi questionado diretamente sobre pesquisas que indicam diferentes cenários para a disputa pelo Palácio Paiaguás.
Pivetta evitou transformar os levantamentos em previsão sobre o resultado de domingo.
“Pesquisa, eu já falei para vocês, vou repetir: é um retrato do momento. Cada pesquisa tem um método. Hoje é muito difícil fazer pesquisa conclusiva. A pesquisa conclusiva mesmo vai ser as urnas”, afirmou.
A posição ocorre em uma reta final na qual diferentes levantamentos vêm apresentando cenários distintos para a eleição em Mato Grosso. Uma pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro, por exemplo, registrou Pivetta com 29% e Wellington Fagundes (PL) com 27%, diferença dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Ao falar sobre a possibilidade de a eleição terminar já no domingo ou seguir para uma segunda votação, Pivetta afirmou estar preparado para ambos os cenários.
“Se for no primeiro turno, vamos agradecer e vamos trabalhar muito a partir do dia seguinte. E, se for para ir para o segundo turno, vamos disputar com altivez, com proposta, com integridade”, declarou.
Outro tema abordado após o debate foram os ataques recebidos pelo governador durante os confrontos eleitorais desta semana.
Pivetta afirmou enxergar uma atuação coordenada de adversários contra sua candidatura. A acusação é do próprio candidato e não foi apresentada por ele, nessa entrevista, acompanhada de prova de um acordo formal entre as demais campanhas.
“Vocês todos perceberam que existe um movimento, é uma combinação de consórcio para nos atacar, para tentar destruir a nossa imagem, destruir a nossa candidatura”, declarou.
A mesma linha já havia sido utilizada por Pivetta depois do debate da TV Centro América, realizado na terça-feira (29), quando reagiu às críticas dos adversários e falou em atuação combinada contra sua candidatura.
Pivetta afirmou que decidiu responder às críticas sem alterar a estratégia adotada durante a campanha.
“O que nós fizemos foi, com tranquilidade, nos pronunciar, falamos para o povo com consciência, e a mentira tem perna curta”, disse.
O governador também mencionou uma agenda realizada em Rondonópolis e afirmou ter recebido apoio de lideranças políticas locais. A declaração foi utilizada por ele para rebater críticas feitas durante a campanha, embora Pivetta não tenha detalhado, na entrevista, todos os nomes aos quais se referia.
Um dos momentos mais delicados da entrevista ocorreu quando Pivetta foi questionado sobre a repercussão eleitoral das acusações relacionadas a um episódio de violência doméstica.
O governador admitiu que o assunto o afeta pessoalmente e afirmou considerar inadequado utilizá-lo durante a campanha.
“Esse é um assunto que causa constrangimento. Realmente mexe muito comigo. Mexe com a minha família. Mexe com a família dela”, declarou.
Pivetta afirmou ainda que foi inocentado em duas instâncias e disse sentir-se injustiçado quando o episódio volta ao debate eleitoral.
“Não é um tema para se trazer em campanha política, já disse isso. No ano passado eu fui inocentado. Fui inocentado em duas instâncias. É uma questão que me entristece, me aborrece”, afirmou.
Na parte final da entrevista, Pivetta também foi questionado sobre a preparação para o último debate e se levaria documentos ou anotações ao estúdio.
Disse ter abandonado as chamadas “colinhas” que utilizou nos primeiros encontros porque percebeu que as anotações prejudicavam sua comunicação diante das câmeras.
“Hoje vim sem nada. Vamos ouvir, falar o que nós sabemos, o que está no nosso pensamento, a nossa experiência, nossa capacidade de pensar sobre Mato Grosso e de falar sem precisar colinha”, declarou.
Segundo Pivetta, a experiência nos primeiros debates o levou a mudar de comportamento.
“Nas primeiras vezes eu trouxe colinha, não foi útil para nada e me puxava muito o olhar para baixo. O pessoal comentou sobre isso, parei de trazer colinha e vamos falar pelo coração”, disse.
Com o encerramento dos debates, a campanha entra nos últimos dias antes da votação de domingo.
Pivetta disputa a reeleição tendo Gisela Simona como candidata a vice. A candidatura está deferida pela Justiça Eleitoral.
Apesar da discussão em torno das pesquisas e dos cenários de primeiro ou segundo turno, o governador afirmou que não pretende antecipar o resultado.
Para Pivetta, a resposta definitiva será conhecida somente quando os votos forem contabilizados.
“A pesquisa conclusiva mesmo vai ser as urnas. E nós vamos aguardar até o momento da abertura das urnas”, concluiu.
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