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Por Nayara Cristina
A disputa pelas duas cadeiras de Mato Grosso no Senado entra nos últimos dias de campanha depois de uma corrida marcada por rearranjos políticos, alianças que nem sempre se reproduziram na escolha dos candidatos ao Senado e uma batalha particular pelo segundo voto. É nesse ambiente, às vésperas de o eleitor tomar a decisão nas urnas, que Mauro Mendes (União Brasil) aparece com 54,9% das intenções de voto no novo levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado nesta quarta-feira (30).
A pesquisa coloca Janaína Riva (MDB) com 33,3% e José Medeiros (PL) com 29,3%. Considerando a margem de erro de 2,7 pontos percentuais, os intervalos dos dois candidatos se sobrepõem. Na sequência aparecem Carlos Fávaro (PSD), com 18%, Pedro Taques (PSB), com 14,1%, Antonio Galvan (Avante), com 4,3%, Coronel Darwin, com 3,3%, Professor Nelson Ferreira (Agir), com 2,4%, Margareth Buzetti (PP), com 0,4%, e Beny Godoy (Agir), com 0,1%.
Como Mato Grosso escolherá dois senadores, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. Essa característica ajuda a explicar não apenas por que os percentuais da pesquisa ultrapassam 100%, mas também parte das movimentações políticas observadas nesta reta final. Além da tentativa de consolidar o primeiro voto, as campanhas trabalham para ocupar a segunda escolha do eleitor, abrindo espaço para apoios que atravessam as alianças montadas para a disputa pelo Governo.
O levantamento mostra que Mauro passou de 52,3% para 54,9% na comparação com a pesquisa divulgada em 18 de setembro, diferença de 2,6 pontos percentuais. A série do Paraná Pesquisas registra Mauro com 52,3% em agosto, 55% no primeiro levantamento de setembro, novamente 52,3% na rodada seguinte e agora 54,9%.
A separação entre primeira e segunda opção mostra como essa dinâmica funciona. Mauro é citado como primeiro voto por 37,5% dos entrevistados. Janaína aparece com 18% e Medeiros com 16%. Quando a pergunta trata exclusivamente da segunda escolha, Mauro registra 17,4%, Janaína 15,3% e Medeiros 13,3%.
Os números mostram também que uma parcela importante do eleitorado ainda não definiu completamente as duas escolhas. Na segunda opção para senador, 31,5% dos entrevistados afirmaram não ter um segundo nome. É justamente sobre esse contingente que parte das campanhas concentra os esforços nos últimos dias.
A disputa pelo segundo voto também ganhou dimensão política ao longo da campanha. As composições formadas para a eleição ao Governo não produziram, necessariamente, uma transferência automática das mesmas alianças para as duas escolhas ao Senado. Lideranças passaram a declarar uma primeira preferência e, em alguns casos, deixar aberta ou indicar outra candidatura para a segunda vaga.
Um dos exemplos ocorreu com o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que declarou José Medeiros como seu primeiro voto ao Senado e colocou Mauro Mendes ou Antonio Galvan entre as possibilidades para sua segunda escolha. O movimento expôs uma das características desta eleição: um eleitor ou uma liderança pode apoiar candidatos ao Senado pertencentes a campos políticos diferentes, mesmo que esses grupos estejam em lados distintos na disputa pelo Palácio Paiaguás.
Mauro disputa o Senado pelo União Brasil e integra o campo político que sustenta a candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo. Já Medeiros é do PL, partido do candidato ao Governo Wellington Fagundes. Janaína Riva, por sua vez, concorre pelo MDB, legenda que se aliou ao projeto de Wellington na eleição estadual. Ainda assim, a disputa entre os próprios candidatos ao Senado manteve estratégias e bases eleitorais próprias durante a campanha.
Esse cruzamento de apoios tornou a reta final especialmente importante para a segunda escolha. Enquanto os candidatos buscam preservar o eleitor que já declara o primeiro voto, o esforço final passa também pela tentativa de conquistar quem ainda não definiu o segundo nome.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam previamente a relação de candidatos, Mauro também aparece com o maior percentual de citações, alcançando 27,6%. Medeiros registra 16,6%, Janaína 14,7%, Fávaro 8,3% e Taques 4,7%. Outros 38,8% não souberam ou não opinaram.
A diferença entre os números da pesquisa estimulada e da espontânea também demonstra o grau de indefinição ainda existente. Embora os candidatos mais conhecidos concentrem as maiores citações quando seus nomes são apresentados, uma parcela expressiva dos entrevistados não aponta espontaneamente uma candidatura.
O Paraná Pesquisas ouviu presencialmente 1.352 eleitores de Mato Grosso entre os dias 27 e 29 de setembro. O levantamento alcançou dezenas de municípios do Estado, tem margem de erro de aproximadamente 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e grau de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MT-02094/2026.
Os números chegam, portanto, no momento em que a disputa deixa progressivamente o campo das articulações partidárias e entra na fase definitiva da decisão do eleitor. Depois de meses de construção de candidaturas, acordos, rompimentos, declarações públicas de apoio e tentativas de composição entre diferentes grupos, as campanhas utilizam os últimos dias para consolidar o primeiro voto e, principalmente, disputar a segunda escolha para o Senado.
O levantamento representa um retrato do eleitorado entrevistado entre 27 e 29 de setembro, dentro da margem de erro informada pelo instituto, e não uma antecipação do resultado das urnas. A definição das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado ocorrerá com a votação, encerrando uma campanha em que a possibilidade de dois votos colocou aliados e adversários em combinações políticas diferentes ao longo da corrida eleitoral.