JÚRÍ CASO ZAMPIERI

Promotor diz que coronel Caçadini chefiava organização de pistolagem em Minas Gerais e réus podem pegar até 30 anos de prisão

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Promotor diz que coronel Caçadini chefiava organização de pistolagem em Minas Gerais e réus podem pegar até 30 anos de prisão

JB News

Por Nayara Cristina

O promotor de Justiça Samuel Fundelo afirmou nesta terça-feira (29) que o Ministério Público mantém aberta uma investigação complementar para apurar se outras pessoas, além das já denunciadas, participaram como mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri. A declaração foi feita pouco antes do julgamento de três acusados de participação na execução do crime, no Tribunal do Júri de Cuiabá.

A manifestação ocorre em meio aos questionamentos levantados pelas defesas sobre a motivação do homicídio, possíveis outros interessados na morte do advogado e os desdobramentos das investigações que surgiram a partir da análise do material apreendido durante a apuração do assassinato.

Segundo Fundelo, o julgamento realizado nesta terça-feira está concentrado na participação de Antônio Gomes da Silva, apontado como executor material; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de participar da logística e fornecer a arma utilizada no homicídio; e o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pela acusação como integrante da estrutura responsável pela contratação e financiamento da execução.

“Hoje serão julgados apenas os executores, o executor material, o Antônio, o Hedilerson, que trouxe a arma e que ajudou na prática do crime, e o coronel Caçadini, que foi contratado para matar o advogado Roberto Zampieri”, declarou o promotor.

Fundelo sustentou ainda que as investigações realizadas inicialmente pela Polícia Civil e posteriormente aprofundadas pela Polícia Federal apontaram a existência de uma organização criminosa ligada à prática de pistolagem e que Caçadini exerceria posição de comando dentro do grupo.

“Está provado nos autos, pelas investigações da Polícia Civil e depois investigações levadas a efeito pela Polícia Federal, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, que o coronel Caçadini integrava e chefiava uma organização criminosa de pistolagem em Minas Gerais. Essa organização foi contratada para matar o Roberto Zampieri, como o que fizeram”, afirmou.

De acordo com o representante do Ministério Público, a responsabilização criminal dos envolvidos não ficará restrita ao julgamento desta terça-feira. Outros denunciados deverão responder em processo relacionado à suposta organização criminosa.

“Eles serão julgados hoje e, posteriormente, acredito que em breve, serão julgados os mandantes e os outros integrantes da organização criminosa, que já foram denunciados, estando a maioria deles inclusive presos aguardando julgamento”, disse.

Questionado diretamente sobre a possibilidade de existirem outros mandantes ainda não identificados, Fundelo afirmou que a investigação permanece em andamento. Segundo ele, o material reunido até agora levou o Ministério Público a apontar o casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, de Rondonópolis, como supostos mandantes do assassinato. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público e respondem à acusação em processo próprio.

O promotor, entretanto, ressaltou que existe um inquérito complementar instaurado a pedido do próprio Ministério Público para verificar a eventual participação de outras pessoas no planejamento ou encomenda do homicídio.

“As investigações, como eu disse, que foram levadas a efeito até o momento pela Polícia Federal e pela Polícia Civil, indicam, comprovam como mandantes o casal Aníbal e Elenice, de Rondonópolis, os fazendeiros de Rondonópolis. Mas há um inquérito complementar instaurado a pedido do Ministério Público, em andamento, para apurar se eventualmente nós temos outros mandantes”, declarou.

Fundelo reforçou que, na avaliação da acusação, há elementos suficientes contra o casal já denunciado, mas diferenciou essa situação da investigação que ainda busca esclarecer se o núcleo de mandantes pode ser maior.

“O casal está comprovado que foram os mandantes. Agora, se tem outros mandantes, nós ainda estamos investigando”, afirmou.

A declaração responde a um dos principais pontos levantados pelas defesas antes do início do júri. Advogados dos réus têm questionado a investigação e sustentado que outras linhas relacionadas à morte de Zampieri precisam ser consideradas. A defesa do coronel Caçadini, por exemplo, levantou nesta terça-feira a possibilidade de os responsáveis pela idealização e contratação do assassinato não estarem entre os três acusados levados ao Conselho de Sentença.

Sobre a pena que será defendida pelo Ministério Público, Fundelo evitou antecipar qual será a decisão do juiz em caso de condenação, mas afirmou que a acusação buscará o reconhecimento das qualificadoras atribuídas aos réus.

“O pedido do Ministério Público é que eles sejam condenados por homicídio triplamente qualificado, mediante paga, promessa de recompensa, utilização de arma de fogo restrito e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima”, declarou.

Segundo o promotor, caso a tese acusatória seja acolhida pelos jurados, a expectativa do Ministério Público é de uma punição elevada.

“Acredito que a pena se aproximará do máximo, 30 anos”, afirmou.

Fundelo acrescentou que os acusados ainda deverão responder pela suposta participação em organização criminosa em outro processo, circunstância que poderá resultar em novas condenações independentes da decisão tomada pelo Conselho de Sentença no julgamento do homicídio.

Roberto Zampieri foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, quando estava dentro de seu veículo, nas proximidades do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Antônio Gomes da Silva é apontado pela acusação como o homem que efetuou os disparos. Hedilerson é acusado de atuar na logística do crime e Caçadini de integrar a estrutura responsável pela contratação e financiamento da execução.

O julgamento desta terça-feira é presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge. A sessão havia sido iniciada anteriormente, em julho, mas precisou ser interrompida depois que um integrante do Conselho de Sentença passou mal. Com a dissolução do conselho de jurados, o procedimento teve de ser reiniciado com uma nova composição.

O assassinato de Zampieri também provocou desdobramentos que ultrapassaram a investigação do homicídio. Informações encontradas no celular do advogado deram origem a outras apurações conduzidas pela Polícia Federal, inclusive sobre suspeitas envolvendo negociações de decisões judiciais. Essas investigações, no entanto, são distintas da acusação submetida aos jurados nesta terça-feira.

No processo relacionado diretamente ao assassinato, o Ministério Público denunciou nove pessoas em maio deste ano. Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo foram apontados pela acusação como integrantes do núcleo mandante, enquanto os demais denunciados são relacionados a diferentes etapas da suposta estrutura montada para viabilizar a execução.

Agora, enquanto o Tribunal do Júri decide sobre a responsabilidade dos três réus levados ao banco dos acusados nesta terça-feira, uma segunda frente investigativa permanece aberta. Conforme revelou Samuel Fundelo, o objetivo é esclarecer se, além dos nomes já denunciados, outras pessoas participaram da decisão de mandar matar Roberto Zampieri.

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