TROFÉU PARLAMENTO

Prêmio da ALMT chega à UFMT e abre espaço para novos talentos do jornalismo

· 4 min de leitura
Prêmio da ALMT chega à UFMT e abre espaço  para novos talentos do jornalismo

JBNews

Por

Emerson Teixeira

Troféu Parlamento aproxima universidade do Legislativo e estimula estudantes a transformar leis, fiscalização e políticas públicas em produção jornalística; inscrições seguem até 9 de novembro

A formação de novos jornalistas em Mato Grosso ganhou um estímulo que ultrapassa a sala de aula. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) levou à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), nesta segunda-feira (14), a segunda edição do Prêmio ALMT de Jornalismo – Troféu Parlamento, iniciativa que reserva espaço específico para trabalhos produzidos por universitários e oferece R$ 30 mil ao vencedor da categoria.

A apresentação foi realizada pela Secretaria de Comunicação Social da Assembleia na Faculdade de Comunicação da UFMT, em Cuiabá, reunindo professores e acadêmicos dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Cinema e Audiovisual.

Mais do que ampliar o número de concorrentes, a aproximação coloca estudantes diante de uma experiência fundamental para quem pretende ingressar no mercado: encontrar uma pauta, compreender seu impacto público e transformá-la em conteúdo capaz de informar a sociedade.

O tema desta edição é “Onde a lei nasce, a cidadania cresce”. A proposta direciona os participantes para assuntos relacionados ao funcionamento do Poder Legislativo e aos efeitos que leis, fiscalização, políticas públicas, audiências, comissões e decisões parlamentares produzem na vida dos mato-grossenses.

Para os estudantes de Jornalismo, particularmente, o concurso abre uma oportunidade de aprofundar uma área que exige conhecimento técnico e capacidade de tradução da informação pública.

A cobertura do Legislativo não se resume às sessões plenárias ou aos discursos dos deputados. É dentro da Assembleia que tramitam projetos capazes de modificar impostos, orçamento, regras para setores econômicos, políticas de saúde e educação, direitos dos cidadãos e a aplicação de recursos públicos.

O secretário adjunto de Comunicação Social da ALMT, José Marques, destacou que levar o prêmio para dentro das universidades também busca aproximar os futuros profissionais do funcionamento da instituição.

“É importante incentivar esses futuros profissionais a buscar mecanismos para fortalecer o lado profissional, mas também levar o nome da Assembleia Legislativa como algo participativo. Afinal, nós somos uma Casa cidadã”, afirmou.

Uma característica desta edição é a possibilidade de produção em coautoria, abrindo caminho para que estudantes de diferentes áreas desenvolvam um mesmo projeto.

Um trabalho pode, por exemplo, combinar apuração jornalística, produção audiovisual, fotografia, roteiro e recursos de publicidade e comunicação.

“A comunicação é muito ampla. Nós temos jornalistas, publicitários, profissionais do cinema e fotógrafos e toda uma estrutura envolvida. Essa integração é fundamental”, ressaltou José Marques.

Para quem ainda está na graduação, a premiação também pode funcionar como uma primeira vitrine profissional.

A estudante do quarto semestre de Publicidade e Propaganda Beatriz Carvalho pretende participar pela primeira vez de uma competição dessa natureza. Ela vê no concurso uma oportunidade para testar fora da universidade aquilo que aprende durante a formação.

“Participar vale pela experiência que é criada. Agora é a chance de aproveitar esse segundo concurso. Isso nos dá bagagem para o nosso futuro na profissão da comunicação e nos auxilia também para a vida pessoal”, declarou.

A coordenadora de Publicidade e Propaganda, Débora Cristina Tavares, avalia que experiências como concursos e congressos permitem ao acadêmico colocar o conhecimento em prática antes mesmo de entrar definitivamente no mercado.

“Todos os desafios colocados para os alunos dão oportunidades para colocar em prática tudo que está sendo feito dentro da universidade e mostrar que isso funciona lá fora”, afirmou.

No Jornalismo, a expectativa também é de participação.

A estudante do sétimo semestre Lorenza Neves já pretende apresentar uma proposta na segunda edição e destaca que uma premiação conquistada ainda durante a universidade pode repercutir posteriormente no currículo profissional.

“É algo novo para minha vida acadêmica. Ganhar um prêmio como esse é importante não apenas pelo valor, mas também pelo currículo acadêmico”, disse.

A coordenadora do curso de Jornalismo, Nealla Valentin Machado, chama atenção para outro aspecto essencial da iniciativa: o reconhecimento de trabalhos construídos a partir dos fundamentos da profissão.

“Aqui os resultados aparecem porque trabalhamos para que os alunos façam um jornalismo ético e responsável, baseado em fatos. O prêmio é o resultado de um trabalho bem feito”, destacou.

O diretor da Faculdade de Comunicação Social, Cristóvão Almeida, afirmou que a UFMT pretende repetir os resultados obtidos na primeira edição e considera a premiação uma forma de levar para fora do ambiente universitário aquilo que é produzido pelos acadêmicos.

Segundo ele, a iniciativa promove diálogo com a comunidade e permite apresentar produções desenvolvidas dentro da universidade.

A presença dos estudantes de Cinema e Audiovisual amplia ainda mais essa possibilidade.

Para o professor e coordenador do curso, Moacir Machado, o prêmio estimula produções capazes de discutir não apenas o processo de criação das leis, mas principalmente como essas normas chegam à população.

“É a forma de o Parlamento estimular a produção audiovisual, de fotografia e de escrita jornalística, pensando a sociedade mato-grossense e, com isso, refletindo sobre a prática das leis, como elas atingem a população”, afirmou.

R$ 300 MIL EM PREMIAÇÕES

A segunda edição do Troféu Parlamento possui cinco categorias: Telejornalismo, Texto, Radiojornalismo, Fotojornalismo e Universitário.

Cada categoria distribuirá R$ 60 mil aos três primeiros colocados. O campeão receberá R$ 30 mil e o Troféu Parlamento. O segundo colocado ficará com R$ 20 mil e uma placa de homenagem, enquanto o terceiro receberá R$ 10 mil e uma placa.

Consideradas as cinco modalidades, a premiação pode distribuir R$ 300 mil aos vencedores.

As inscrições permanecem abertas até 9 de novembro de 2026, dando aos profissionais e universitários praticamente dois meses para desenvolver e inscrever os trabalhos.

A cerimônia de entrega está prevista para 28 de janeiro de 2027.

Para a nova geração de jornalistas de Mato Grosso, porém, existe um ganho que não cabe apenas no valor da premiação.

A aproximação entre universidade e Parlamento pode incentivar estudantes a entrar mais cedo em contato com documentos públicos, projetos de lei, orçamento, fiscalização, comissões e políticas públicas — justamente alguns dos ambientes nos quais estão escondidas pautas que muitas vezes só chegam ao conhecimento da população depois de uma apuração jornalística.

Em um momento no qual a velocidade das redes sociais disputa espaço com a informação profissional, estimular universitários a produzir jornalismo baseado em fatos, documentos e interesse público também significa investir na próxima geração de profissionais que terá a responsabilidade de fiscalizar o poder em Mato Grosso.