OPERAÇÃO AD REM

Polícia mira patrimônio de facção, sequestra cinco imóveis e investiga movimentação de R$ 661 mil em MT

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Polícia mira patrimônio de facção, sequestra cinco imóveis e investiga movimentação de R$ 661 mil em MT

Operação atinge propriedades em Várzea Grande e chácara entre Cuiabá e Chapada; investigação aponta uso de familiares e terceiros para ocultar bens ligados ao tráfico de drogas

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, a Operação Ad Rem, com o objetivo de atingir a estrutura financeira e patrimonial de uma organização criminosa investigada por envolvimento com o tráfico de drogas. A ação resultou na expedição de ordens judiciais para o sequestro de cinco imóveis, cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e uma prisão preventiva, após os investigadores identificarem movimentações financeiras de aproximadamente R$ 661 mil relacionadas às atividades sob apuração.

A operação é um desdobramento da Operação Ruptura CPX e foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), unidades especializadas da Polícia Civil de Mato Grosso.

De acordo com as informações divulgadas oficialmente às 9h17 desta segunda-feira, as medidas judiciais alcançam quatro imóveis localizados em Várzea Grande e uma chácara situada na região do Rio dos Peixes, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

As propriedades passaram a ser investigadas diante de indícios de que integrantes do grupo criminoso utilizariam familiares e terceiros para registrar bens e dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelo patrimônio.

A estratégia é conhecida nas investigações de lavagem de dinheiro como utilização de pessoas interpostas, popularmente chamadas de “laranjas”, para ocultar a titularidade ou a origem de recursos.

Entre os imóveis identificados pela Polícia Civil está uma propriedade rural negociada por aproximadamente R$ 180 mil. Segundo a investigação, cerca de R$ 100 mil teriam sido pagos em dinheiro vivo, circunstância analisada pelos policiais durante o rastreamento das movimentações patrimoniais.

A existência de pagamento em espécie, isoladamente, não comprova irregularidade. No contexto da investigação, entretanto, a operação financeira passou a ser examinada em conjunto com outros elementos relacionados à possível ocultação de patrimônio.

O objetivo das medidas de sequestro é impedir a transferência ou alienação dos bens enquanto a Justiça analisa sua eventual ligação com recursos provenientes de atividades criminosas.

Um dos principais alvos da operação é um homem apontado pelos investigadores como integrante da estrutura de comando financeiro do tráfico de drogas.

Segundo a Polícia Civil, ele exerceria funções relacionadas à arrecadação e administração de valores movimentados pela organização, além de participar do controle das atividades de distribuição de entorpecentes.

O investigado já havia sido preso durante a Operação Ruptura CPX, mas conseguiu posteriormente a revogação da prisão preventiva.

Na ocasião, a defesa sustentou que ele atuaria apenas como pessoa utilizada por terceiros para movimentações ou registros, sem exercer as funções de liderança atribuídas pela investigação.

A partir do aprofundamento das diligências, a Polícia Civil afirma ter reunido novos elementos que indicariam uma atuação mais ampla do suspeito dentro da organização criminosa.

Conforme a apuração, ele também estaria envolvido no controle de estoques de drogas, distribuição de entorpecentes, gerenciamento de pontos de venda e administração de recursos financeiros de outros integrantes do grupo.

Essas informações foram utilizadas para fundamentar novas medidas cautelares submetidas ao Poder Judiciário.

Durante a análise financeira, os investigadores identificaram movimentações de aproximadamente R$ 661 mil em um dos períodos examinados.

A Polícia Civil associa essas transações às atividades investigadas, embora o comunicado inicial não especifique a duração exata do período analisado nem apresente a identificação individual das contas bancárias relacionadas aos valores.

A movimentação financeira investigada também não deve ser confundida automaticamente com lucro da organização ou com quantia integralmente apreendida ou bloqueada.

O trabalho policial busca esclarecer a origem e o destino dos recursos, identificar os responsáveis pelas transações e verificar a existência de vínculos com a atividade criminosa apurada.

A Operação Ad Rem tem como foco justamente a descapitalização financeira da facção, estratégia que busca reduzir a capacidade de manutenção das atividades criminosas por meio da identificação e restrição judicial de bens e recursos.

Diferentemente de operações concentradas apenas na apreensão de drogas e na prisão de suspeitos, essa modalidade de investigação procura alcançar o patrimônio que poderia ter sido adquirido ou mantido com recursos de origem ilícita.

O sequestro de imóveis constitui uma medida judicial destinada a preservar bens para eventual destinação futura, conforme o resultado das investigações e dos processos.

Não significa, nesta fase, que as propriedades já tenham sido definitivamente confiscadas pelo Estado.

A presença de quatro imóveis em Várzea Grande entre os bens atingidos evidencia a importância da região metropolitana nas apurações patrimoniais desenvolvidas pela Polícia Civil.

A inclusão de uma chácara na região do Rio dos Peixes amplia o alcance da investigação para propriedades rurais próximas à capital.

Segundo os investigadores, a utilização de familiares e terceiros na aquisição ou manutenção de imóveis pode dificultar a identificação da titularidade real dos bens, exigindo cruzamento de documentos, movimentações bancárias e informações sobre negociações patrimoniais.

As seis buscas e apreensões autorizadas judicialmente têm como finalidade localizar documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer as relações entre os investigados e o patrimônio identificado.

Já a nova prisão preventiva foi determinada no contexto dos elementos apresentados à Justiça sobre a suposta atuação do investigado na organização criminosa.

A Polícia Civil não informou, no comunicado inicial, se a prisão foi efetivamente cumprida ou se o alvo já estava sob custódia no momento da operação.

Também não divulgou os nomes completos dos investigados, a identificação dos proprietários formais dos imóveis nem o número do processo judicial.

A data exata da assinatura das ordens judiciais também não foi informada. A divulgação oficial da nova fase ocorreu em 19 de outubro de 2026.

O caso representa uma nova etapa da investigação iniciada com a Operação Ruptura CPX, agora direcionada ao rastreamento de bens e movimentações financeiras atribuídas a pessoas vinculadas à organização criminosa.

As suspeitas ainda dependem de apuração e eventual responsabilização judicial, sendo assegurados aos investigados o direito de defesa e a presunção de inocência.

Com a Operação Ad Rem, a Polícia Civil pretende atingir não apenas a atividade de comercialização de drogas, mas também os mecanismos utilizados para movimentar recursos e preservar patrimônio supostamente ligado ao tráfico.

O resultado das buscas e das medidas patrimoniais deverá indicar se novos bens, documentos ou movimentações poderão ser incorporados à investigação, que segue concentrada na estrutura financeira da organização criminosa em Mato Grosso.