FORAGIDA CAPTURADA
JB News
Por Emerson Teixeira
Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, de 34 anos, aparece em vídeos divulgados nesta quarta-feira (23) durante encontros e momentos de lazer na Bolívia, país onde foi localizada e presa depois de permanecer mais de um ano foragida da Justiça.
Nas imagens, Angélica aparece em ambientes sociais e com bebidas. A divulgação ocorreu um dia depois da captura da foragida em Santa Cruz de la Sierra, na noite de terça-feira (22), resultado de uma investigação e do intercâmbio de informações entre as forças de segurança brasileiras e bolivianas.
A prisão mobilizou a Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado, Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e Gerência Estadual de Polinter (Gepol), além da Polícia Boliviana.
Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, acompanhada da detenta Jéssica Leal da Silva, conhecida como “Arlequina”. Desde então, passou a ser procurada pelas forças de segurança.
Durante o período em que permaneceu foragida, seis mandados de prisão foram expedidos contra Angélica. Ela também passou a integrar o Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, destinado à localização de foragidos considerados estratégicos no enfrentamento às organizações criminosas e à criminalidade violenta.
Segundo a Polícia Civil, Angeliquinha é apontada como uma das lideranças do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso, principalmente nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes. As investigações atribuem a ela influência sobre atividades relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e outras práticas criminosas, inclusive em áreas de garimpo.
Mesmo depois da fuga da penitenciária, as investigações sobre o grupo ligado a Angélica continuaram avançando. Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para atingir um núcleo familiar que, segundo os investigadores, dava suporte às atividades criminosas e auxiliava na movimentação e lavagem de recursos.
A operação cumpriu 31 ordens judiciais: quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas. As medidas foram determinadas pela 5ª Vara Criminal de Sinop a partir de investigação desenvolvida conjuntamente pela GCCO/Draco e pela Delegacia de Alta Floresta.
Pai, filha e genro de Angeliquinha figuraram entre os alvos da operação. Conforme a investigação, o núcleo teria movimentado mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, montante considerado incompatível com a renda declarada pelos investigados. A suspeita da Polícia Civil é de que empresas e outros negócios fossem utilizados para conferir aparência de legalidade ao dinheiro proveniente de atividades criminosas.
As apurações também alcançaram possíveis atividades relacionadas à exploração irregular de garimpos na região de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, além de tráfico de drogas e extorsões.
Angeliquinha acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, segundo as informações divulgadas sobre sua ficha criminal. Entre as condenações está uma pena de 99 anos e 11 meses de prisão, aplicada pelo Tribunal do Júri de Nova Monte Verde, em março de 2025.
Nesse processo, ela foi condenada pela participação nos assassinatos de quatro trabalhadores mortos em 2022, no norte de Mato Grosso. As vítimas haviam saído do Paraná para trabalhar no Estado. A investigação apontou que os homens foram mortos após serem associados a uma organização criminosa rival. Angélica foi responsabilizada no processo por homicídios qualificados, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa.
Antes dessa sentença, ela já acumulava outras condenações envolvendo homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa. Com as penas posteriores, o total informado pelas autoridades ultrapassou 260 anos.
A caçada terminou em Santa Cruz de la Sierra. A Polícia Civil informou que a localização foi resultado do trabalho investigativo e da troca de informações entre autoridades brasileiras e bolivianas. Após a identificação do paradeiro, as forças policiais atuaram conjuntamente para realizar a captura.
Com a prisão, Angélica permanece submetida aos procedimentos legais necessários para seu retorno ao Brasil. Após o recambiamento, ela deverá ser colocada à disposição da Justiça para cumprimento das ordens judiciais existentes contra ela.
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