OPERAÇÃO PERSONA SINTÉTICA

Polícia cumpre 15 ordens judiciais e desarticula central de golpes por WhatsApp em Várzea Grande

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Polícia cumpre 15 ordens judiciais e desarticula central de golpes por WhatsApp em Várzea Grande

JB News

Por Nayara Cristina

Frota: PCMT

Investigação aponta uso de fotografias de familiares, identidades falsas e pedidos fraudulentos de Pix; operação prevê cinco prisões preventivas, cinco buscas e quebra de sigilo telemático

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Persona Sintética para desarticular um grupo criminoso investigado por aplicar golpes virtuais utilizando fotografias de familiares das vítimas, documentos falsificados e contas de WhatsApp para solicitar transferências bancárias. A ação foi divulgada oficialmente nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, e tem como alvo suspeitos que atuariam em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá.

Ao todo, foram expedidas 15 ordens judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva, cinco mandados de busca e apreensão e cinco determinações de afastamento de sigilo telemático. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias — Polo Cuiabá.

A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), unidade da Polícia Civil responsável pela investigação de delitos praticados por meio da internet e de ferramentas digitais.

Conforme as informações divulgadas pela instituição, o grupo investigado utilizava uma modalidade de estelionato conhecida como golpe do falso familiar, na qual criminosos se passam por parentes ou pessoas próximas das vítimas para solicitar dinheiro.

O esquema consistia na utilização de fotografias de familiares em perfis de WhatsApp, criando a aparência de que as mensagens estavam sendo enviadas por pessoas conhecidas.

A partir dessa falsa identificação, os suspeitos procuravam convencer as vítimas a realizar transferências por Pix, explorando a confiança existente entre parentes.

As investigações tiveram início em 2023, depois que uma vítima procurou a polícia para denunciar uma tentativa de fraude envolvendo a utilização indevida de fotografias de seus familiares.

Durante a apuração, os investigadores identificaram elementos que indicavam uma atuação organizada, com a participação de diferentes pessoas na preparação e execução dos golpes.

O trabalho policial avançou em setembro de 2025, quando uma diligência de busca e apreensão resultou na localização de aparelhos celulares e documentos de identidade falsificados.

O material recolhido passou a integrar a investigação e permitiu o aprofundamento das diligências para identificar outros possíveis integrantes do grupo.

A análise dos dispositivos e das informações obtidas levou os investigadores a reunir elementos para solicitar novas medidas cautelares à Justiça.

Com base no material apresentado pela Polícia Civil, o Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias — Polo Cuiabá autorizou a realização da operação, concentrada em endereços de Várzea Grande.

As cinco prisões preventivas determinadas judicialmente têm como objetivo assegurar o andamento das investigações e atender aos fundamentos cautelares reconhecidos pela Justiça.

Já os mandados de busca e apreensão buscam localizar aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que possam auxiliar na identificação dos envolvidos e no esclarecimento das fraudes.

O afastamento do sigilo telemático, também autorizado em cinco medidas, permite aos investigadores acessar informações específicas abrangidas pelas decisões judiciais, respeitados os limites estabelecidos pela Justiça.

Esse procedimento pode contribuir para reconstruir a comunicação entre os investigados, identificar contas utilizadas nas fraudes e verificar a participação de cada suspeito.

A Polícia Civil informou que os investigados poderão responder por associação criminosa, falsificação de documento público e estelionato qualificado mediante fraude eletrônica, conforme a participação individual que vier a ser demonstrada.

Parte dos suspeitos também é investigada por possível envolvimento com o tráfico de drogas.

A existência dessa linha de investigação, entretanto, não significa que todos os alvos da operação estejam envolvidos com o comércio de entorpecentes.

As responsabilidades deverão ser individualizadas a partir das provas reunidas no procedimento policial.

O caso chama a atenção pela utilização de ferramentas digitais de comunicação para simular relações familiares e induzir vítimas a realizar pagamentos.

Nesse tipo de golpe, os criminosos frequentemente utilizam fotografias retiradas de redes sociais e entram em contato com parentes das pessoas retratadas, apresentando justificativas para solicitar dinheiro com urgência.

O pedido costuma ser acompanhado de informações que buscam convencer a vítima de que está conversando com alguém próximo.

Em muitos casos, os suspeitos utilizam números telefônicos diferentes dos verdadeiros, alegando que trocaram de aparelho ou perderam acesso à linha anterior.

A transferência por Pix é um dos meios utilizados porque permite movimentação rápida de recursos, o que pode dificultar a recuperação do dinheiro depois da fraude.

A Operação Persona Sintética busca identificar os responsáveis pelas tentativas de estelionato e esclarecer a estrutura utilizada para a prática dos crimes.

Embora a Polícia Civil tenha informado a expedição de cinco mandados de prisão preventiva, o comunicado inicial não esclarece quantos suspeitos foram efetivamente presos durante o cumprimento das ordens judiciais.

Também não foram divulgados os nomes completos dos investigados, a quantidade de vítimas identificadas, o prejuízo financeiro total atribuído ao grupo ou os valores eventualmente movimentados por meio das fraudes.

A ausência dessas informações impede, neste momento, dimensionar o alcance financeiro do esquema investigado.

Outro ponto que deverá ser esclarecido é a data exata da deflagração. O comunicado oficial foi divulgado em 16 de outubro de 2026, às 6h26, mas apresenta uma referência divergente ao dia da operação. Por isso, a data da divulgação está confirmada, enquanto a data de execução das medidas depende de esclarecimento da Polícia Civil.

A investigação iniciada em 2023 demonstra que a apuração passou por diferentes etapas, incluindo a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos em 2025, antes da autorização das novas medidas judiciais.

A Polícia Civil orienta que pedidos de dinheiro recebidos por aplicativos de mensagens sejam confirmados diretamente com o familiar ou conhecido, preferencialmente por ligação telefônica ou outro meio de contato já utilizado anteriormente.

Também é importante desconfiar de solicitações urgentes de transferência, principalmente quando o dinheiro deve ser enviado para contas de terceiros.

Em caso de suspeita de fraude, a vítima deve preservar mensagens, números telefônicos, comprovantes de pagamento e demais informações que possam auxiliar na identificação dos responsáveis.

Com a Operação Persona Sintética, a Polícia Civil amplia a investigação sobre um possível núcleo de estelionato digital em Várzea Grande, buscando identificar seus integrantes, esclarecer a utilização de documentos falsificados e interromper novas tentativas de fraude.

Os investigados permanecem amparados pela presunção de inocência, e as suspeitas deverão ser apuradas no decorrer do procedimento policial e de eventual processo judicial.