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Por Emerson Teixeira
Vítima de 66 anos conversou durante três meses com suspeito que se apresentava como “Benjamin Alexander Morrison”, prometia morar com ela em Sinop e recebia dinheiro por contas bancárias de terceiros
Uma idosa de 66 anos procurou a Polícia Civil de Mato Grosso após descobrir que poderia ter sido vítima de um golpe amoroso praticado por um homem que conheceu pelas redes sociais. A mulher, moradora de Sinop, a 500 quilômetros de Cuiabá, relatou ter transferido R$ 3.700 ao suspeito, que se apresentava como “Benjamin Alexander Morrison” e dizia estar apaixonado por ela. O caso foi registrado na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, depois que o homem insistiu em receber mais R$ 6 mil.
De acordo com o boletim de ocorrência, o relacionamento virtual começou aproximadamente três meses antes, quando a idosa conheceu o suposto pretendente pelo Facebook. Após os primeiros contatos, os dois passaram a conversar pelo WhatsApp, aplicativo pelo qual o homem intensificou as demonstrações de carinho e começou a construir uma relação de confiança com a vítima.
Durante as conversas, o suspeito afirmava que pretendia se mudar para Sinop para viver ao lado da mulher. A promessa de uma vida em comum, acompanhada de mensagens afetuosas, teria contribuído para que a idosa acreditasse na sinceridade do relacionamento.
Com o passar do tempo, entretanto, as declarações amorosas começaram a ser acompanhadas de pedidos de dinheiro.
Segundo o relato apresentado à polícia, o homem solicitou inicialmente R$ 6 mil. A idosa não enviou toda a quantia, mas acabou realizando uma transferência de R$ 3 mil, utilizando a conta bancária de uma amiga.
Mesmo depois de receber o primeiro valor, o suspeito voltou a procurar a mulher para solicitar mais recursos.
Em uma segunda ocasião, a vítima realizou uma transferência de R$ 700 por Pix, desta vez para uma conta bancária registrada em nome de outra mulher.
As duas operações totalizaram R$ 3.700, quantia que a idosa afirma ter perdido durante o relacionamento virtual.
O fato de os pagamentos terem sido direcionados a contas de terceiros é um dos pontos que deverão ser analisados pela Polícia Civil. A investigação poderá buscar identificar os titulares das contas, verificar o destino dos valores e esclarecer se essas pessoas tiveram participação consciente na suposta fraude.
Apesar de já ter recebido as duas transferências, o homem continuou pedindo dinheiro.
Na solicitação mais recente, ele voltou a exigir R$ 6 mil e indicou outra conta bancária, também em nome de uma pessoa diferente daquela com quem a vítima acreditava estar mantendo um relacionamento.
Dessa vez, a idosa decidiu não realizar o pagamento.
A insistência por novas quantias, mesmo após os valores anteriormente enviados, levou a mulher a desconfiar das intenções do suposto namorado e procurar a polícia para denunciar o ocorrido.
O caso foi registrado como estelionato e deverá ser investigado pela Polícia Civil de Sinop.
Uma das principais linhas de apuração será a identificação do homem que utilizava o nome “Benjamin Alexander Morrison”. Até o momento, não há confirmação de que essa seja sua verdadeira identidade.
Também não foi informado se o suspeito reside no Brasil ou no exterior, nem se as fotografias eventualmente utilizadas no perfil correspondem à pessoa que mantinha contato com a vítima.
Essas informações são relevantes porque golpes amorosos praticados pela internet frequentemente envolvem perfis falsos, identidades fictícias e fotografias de terceiros para conquistar a confiança das vítimas.
Nesse tipo de fraude, os criminosos costumam iniciar conversas em redes sociais e aplicativos de relacionamento, demonstrando interesse afetivo e criando expectativas de um relacionamento duradouro.
Após estabelecerem um vínculo emocional, passam a solicitar transferências financeiras, muitas vezes utilizando justificativas pessoais ou promessas de encontros e mudanças de cidade.
No caso registrado em Sinop, a promessa de que o homem iria morar com a idosa foi um dos elementos utilizados durante os três meses de aproximação.
O boletim de ocorrência, conforme as informações disponíveis, não detalha quais justificativas foram apresentadas pelo suspeito para os pedidos de R$ 6 mil, nem esclarece se houve promessa de devolução dos valores.
A Polícia Civil também não informou se os recursos transferidos foram movimentados ou sacados das contas bancárias indicadas pelo homem.
A investigação poderá incluir a análise dos comprovantes de transferência, das mensagens trocadas pelo WhatsApp, dos dados do perfil utilizado no Facebook e das informações bancárias relacionadas aos pagamentos.
Esses elementos poderão ajudar a identificar os responsáveis e verificar se outras pessoas foram vítimas de um esquema semelhante.
O episódio também evidencia a vulnerabilidade de pessoas que desenvolvem vínculos afetivos pela internet e acabam sendo pressionadas a realizar pagamentos para alguém que nunca encontraram pessoalmente.
A utilização de contas bancárias de terceiros, a insistência por dinheiro e as promessas de relacionamento são sinais que exigem atenção, especialmente quando não existe confirmação da identidade do interlocutor.
A orientação em situações semelhantes é preservar mensagens, números de telefone, perfis utilizados nas redes sociais e comprovantes de pagamentos, além de procurar imediatamente a instituição financeira e registrar boletim de ocorrência.
No caso da idosa de Sinop, a denúncia foi formalizada após três meses de conversas e duas transferências que somaram R$ 3,7 mil.
O último pedido de R$ 6 mil não foi atendido, impedindo que o prejuízo relatado pela vítima aumentasse para R$ 9,7 mil.
A Polícia Civil deverá apurar a identidade do suspeito, a participação dos titulares das contas que receberam o dinheiro e as circunstâncias em que a mulher foi convencida a realizar os pagamentos.
Até o momento, não há informação sobre prisões ou identificação formal dos envolvidos.
O caso segue sob investigação como suspeita de estelionato.