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Por Nayara Cristina e. Guilherme Augusto da
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, afirmou nesta quinta-feira que o Estado está promovendo um dos maiores investimentos em infraestrutura energética da sua história ao formalizar, juntamente com a Energisa Mato Grosso, um programa que prevê aportes de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para ampliar a rede trifásica em regiões que ainda convivem com limitações no fornecimento de energia elétrica.
A iniciativa, assinada no Palácio Paiaguás, faz parte de um planejamento mais amplo de expansão da infraestrutura energética mato-grossense e busca atender localidades que, segundo o governador, ficaram à margem do desenvolvimento por não possuírem acesso a energia de qualidade capaz de sustentar atividades produtivas, industriais e turísticas.
Durante o evento, Pivetta destacou que o programa não tem como objetivo apenas levar eletricidade às comunidades, mas garantir uma energia estável e adequada para estimular a geração de renda e o crescimento econômico em todas as regiões do estado.
“O que estamos fazendo é criar oportunidades para que todos os mato-grossenses possam desenvolver suas atividades econômicas onde estiverem. Muitas regiões ainda dependem de redes monofásicas, de baixa qualidade e pouca confiabilidade, o que limita investimentos, dificulta a instalação de agroindústrias e impede o crescimento de diversos setores”, afirmou.
Uma das regiões apontadas como prioridade é o Pantanal. Segundo o governador, grande parte da área turística pantaneira ainda sofre com a ausência de rede trifásica, situação que dificulta a expansão dos empreendimentos voltados ao turismo e restringe novos investimentos.
A rodovia Transpantaneira foi citada como uma das áreas contempladas pelo programa. A expectativa do governo é que a chegada da infraestrutura energética permita ampliar a capacidade de hotéis, pousadas, atrativos turísticos e pequenos negócios que dependem de energia constante para operar.
Além do turismo, a proposta também mira diretamente o fortalecimento da produção rural e da agroindustrialização. Pivetta lembrou que milhares de produtores espalhados pelo interior enfrentam dificuldades para agregar valor à produção por não terem acesso a energia suficiente para instalar equipamentos, câmaras frias, sistemas de irrigação ou pequenas agroindústrias.
“Tem produtor de leite, de carne, agricultor familiar e pequenos empreendedores que querem industrializar sua produção e não conseguem porque só possuem rede monofásica. A universalização da rede trifásica vai permitir que essas atividades avancem e gerem mais renda no interior”, disse.
O governador também relacionou o programa ao processo de industrialização que Mato Grosso busca acelerar nos próximos anos. Segundo ele, a expansão da capacidade energética é fundamental para sustentar novos investimentos, especialmente em segmentos ligados à transformação de matérias-primas produzidas no estado.
A declaração ocorre poucos dias após o lançamento de incentivos voltados à indústria têxtil mato-grossense, setor que busca agregar valor à produção local de algodão. Para Pivetta, não existe desenvolvimento industrial sem energia de qualidade.
“Não basta ter energia. É preciso ter energia estável, segura e confiável. A indústria depende disso. A agroindústria depende disso. O turismo depende disso”, destacou.
O acordo firmado também está inserido em um plano mais amplo de expansão da rede elétrica estadual. Segundo o governador, a Energisa assumiu o compromisso de investir mais de R$ 9 bilhões nos próximos anos para ampliar a capacidade de transmissão e distribuição de energia em Mato Grosso, incluindo a construção de milhares de quilômetros de novas redes.
Pivetta ressaltou que o Estado decidiu participar financeiramente em regiões onde não existe viabilidade econômica para que a concessionária realize os investimentos sozinha. Nesses casos, o governo atuará como parceiro para garantir que localidades menos rentáveis também recebam infraestrutura.
“O Estado está entrando onde o retorno econômico não é suficiente para bancar sozinho os investimentos. Estamos fazendo isso porque entendemos que é papel do poder público complementar ações estratégicas que melhorem a infraestrutura e a qualidade de vida da população”, afirmou.
O governador ainda garantiu que o programa contará com mecanismos de fiscalização e acompanhamento. Um conselho gestor deverá monitorar a execução das obras e a aplicação dos recursos, buscando assegurar transparência e eficiência na implementação dos projetos.
Ao defender a participação do governo nos investimentos, Pivetta comparou a iniciativa às ações realizadas pelo Estado em rodovias federais que foram assumidas para acelerar obras consideradas essenciais ao desenvolvimento regional.
“Quem sofre com a falta de energia são os mato-grossenses. Quando o Estado tem condições de ajudar a resolver esse problema, ele precisa agir. Foi assim em outras áreas da infraestrutura e está sendo assim agora na energia”, concluiu.
A expectativa é que as primeiras obras avancem nos próximos meses, ampliando o acesso à rede trifásica e criando condições para uma nova etapa de desenvolvimento econômico em Mato Grosso, especialmente em regiões historicamente afetadas pela deficiência energética.
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