JB News
Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto
“A federação é maior que qualquer membro do partido”, diz Fábio Garcia ao defender comissão que decidirá rumos de 2026 em MT
A recém-criada Federação União Progressista (UP), formada pela união entre União Brasil e Progressistas, deu mais um passo na organização de sua estrutura em Mato Grosso ao oficializar os integrantes da comissão estadual que terá papel decisivo na definição dos rumos eleitorais do grupo para as eleições de 2026. O colegiado, composto por lideranças das duas siglas, será responsável por mediar eventuais divergências internas e terá a palavra final sobre alianças, composição de chapas e projetos majoritários caso não haja consenso entre os partidos federados.
Entre os nomes escolhidos para integrar a comissão estão o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, a senadora Margareth Buzetti, o senador Jaime Campos e outras lideranças consideradas estratégicas dentro da nova configuração partidária. O grupo foi formalizado nesta semana e passa a ocupar posição central nas discussões políticas da federação no estado.
A criação da comissão também ocorre em meio às discussões internas sobre a sucessão estadual dentro da própria federação. Um dos principais nomes colocados para a disputa ao Governo de Mato Grosso é o senador Jaime Campos, que tem reiterado publicamente sua intenção de disputar o Palácio Paiaguás em 2026. Em diversas manifestações recentes, o parlamentar afirmou que mantém sua pré-candidatura e que pretende participar do processo de escolha que será conduzido pela federação.
Nos bastidores, a formação do colegiado passou a ser observada como um dos movimentos mais importantes da União Progressista no estado justamente porque a instância terá poder para arbitrar eventuais divergências entre União Brasil e Progressistas. A comissão reúne lideranças de forte influência política, muitas delas alinhadas ao grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes e ao projeto governista que hoje tem o governador Otaviano Pivetta como um dos nomes mais cotados para a sucessão estadual.
Embora Jaime Campos também integre a comissão, a composição anunciada pela direção nacional reforçou o protagonismo de integrantes ligados ao atual grupo de governo. Com isso, eventuais decisões sobre alianças, candidaturas majoritárias e composição de chapas passarão necessariamente pelo colegiado, caso não haja consenso entre os partidos que compõem a federação.
Em entrevista ao JBN News nesta quinta-feira, durante agenda no Palácio Paiaguás, o deputado federal Fábio Garcia explicou como funcionará o processo decisório da federação e destacou que a comissão somente será acionada em situações de divergência entre União Brasil e Progressistas.
Segundo Garcia, o rito previsto pela federação respeita inicialmente a autonomia de cada partido. “O processo prevê primeiro a convenção partidária do União Brasil e a convenção do PP. Se houver divergência entre as convenções, essa comissão estadual é que vai ter a palavra com relação ao caminho que vai seguir”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que a criação do colegiado busca justamente evitar interferências externas e garantir que as decisões sejam tomadas dentro do próprio estado. “A proposta nacional é não interferir. Por isso foi criada uma comissão. Se fosse para interferir, não precisava nem da comissão”, declarou.
Questionado sobre os efeitos da composição da comissão no cenário eleitoral e sobre o futuro das pré-candidaturas já colocadas dentro da federação, Fábio Garcia evitou antecipar qualquer avaliação. Segundo ele, o momento ainda é de construção interna e será necessário aguardar o desenrolar do processo partidário antes de qualquer definição.
O deputado também comentou discussões envolvendo filiados da federação e reforçou que eventuais investigações ou denúncias devem ser tratadas individualmente, sem comprometer o conjunto da legenda. “Qualquer cidadão, seja membro do PP, do União Brasil, do MDB, do PL ou de qualquer outro partido, pode ser investigado. Se for culpado, tem que responder pelos seus atos. A federação é maior do que qualquer filiado”, afirmou.
Garcia ressaltou ainda que o processo democrático previsto no estatuto da federação deve prevalecer sobre interesses individuais. Segundo ele, as decisões serão tomadas de forma institucional e dentro das regras estabelecidas pelos dois partidos. “Agora é aguardar. Como qualquer processo democrático e eleitoral, você tem que esperar o resultado final para se pronunciar”, disse.
A comissão ganha relevância em um momento em que o cenário político mato-grossense começa a se movimentar para a disputa de 2026. Com a oficialização do colegiado, a União Progressista passa a contar com uma instância própria para solucionar impasses e consolidar posições políticas, transformando o grupo em um dos principais centros de decisão da federação no estado.
Na prática, o colegiado terá influência direta sobre a construção das alianças, a definição de candidaturas majoritárias e a condução dos entendimentos políticos que deverão moldar a participação da União Progressista nas próximas eleições estaduais.
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