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Por Nayara Cristina
Caiado usa Cuiabá como vitrine presidencial, defende união da direita e diz que “boa gestão vacina contra o PT”
O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, transformou sua passagem por Cuiabá em um verdadeiro ato político de fortalecimento da centro-direita nacional. Durante participação no evento promovido pelo LIDE Agro, realizado no Parque Novo Mato Grosso, nesta terça-feira, Caiado aproveitou a presença de lideranças políticas e representantes do agronegócio para defender a união do campo conservador, reforçar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e mandar recados diretos ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores.
Ao lado do governador Otaviano Pivetta e cercado por integrantes do grupo político ligado ao ex-governador Mauro Mendes, Caiado falou sobre alianças eleitorais, disputas internas da direita e a convivência política dentro do PSD, partido ao qual se filiou após deixar o União Brasil para disputar a Presidência da República com apoio do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.
A principal polêmica levantada durante a coletiva foi justamente sobre a composição do PSD em Mato Grosso, onde a legenda é liderada pelo senador e ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre como pretende conduzir palanques em estados onde integrantes do próprio partido apoiam outro projeto político, Caiado afirmou que esse cenário se repete em diversas regiões do país e minimizou o conflito interno.
“Esse problema não é específico do Mato Grosso. Existe em vários estados da federação. Eu estarei no meu palanque com deputados federais, estaduais, senadores, prefeitos e todo mundo que quer derrotar o PT”, declarou.
Em tom provocativo, Caiado afirmou que o Partido dos Trabalhadores perdeu espaço em estados administrados por governos de perfil conservador e atribuiu isso ao desempenho das gestões estaduais. “Onde o PT tem voto no Mato Grosso? Basta ter uma boa gestão que você vacina o estado contra o PT. Em Goiás, o PT não tem nem candidato”, disparou.
O presidenciável também usou sua trajetória política como argumento para defender sua imagem pública e tentar se diferenciar dos adversários. Em um discurso carregado de críticas ao governo federal e ao ambiente político nacional, Caiado afirmou que seus mais de 40 anos de vida pública jamais foram marcados por denúncias de corrupção ou escândalos.
“O senhor nunca me viu envolvido em negociata, enriquecimento ilícito, propina ou patifaria”, afirmou, ao defender que a direita precisa evitar conflitos internos para não favorecer a esquerda nas eleições presidenciais.
Apesar da defesa enfática da unidade da centro-direita, Caiado fez questão de reconhecer publicamente a força política do ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que nenhum integrante do grupo conservador pode ignorar o prestígio popular do ex-chefe do Executivo.
“Ninguém pode negar o prestígio do Bolsonaro. Goste ou não, ele vai para a rua e tem apoio popular”, declarou.
Em outro trecho da fala, o governador goiano utilizou sua formação como médico cirurgião para fazer uma comparação sobre o cenário político brasileiro e a necessidade de união da direita. “Sou cirurgião de coluna. Sei exatamente o que fazer para o doente não morrer. E sei os passos que nós temos que dar para não deixar o Brasil ser enganado novamente”, afirmou.
As críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva também marcaram o discurso. Caiado atacou programas econômicos do governo federal, como o Desenrola Brasil, e ironizou medidas tributárias relacionadas às compras internacionais, conhecidas popularmente como “taxa das blusinhas”. Segundo ele, o governo cria dificuldades econômicas para depois tentar capitalizar politicamente em cima das soluções.
Mesmo diante das disputas internas e das diferentes composições estaduais, Caiado afirmou acreditar que a centro-direita chegará unificada em 2026 e demonstrou confiança na vitória eleitoral. A passagem por Cuiabá também reforçou sua aproximação política com o grupo de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, ambos vistos como importantes peças no xadrez político da direita nacional e do agronegócio brasileiro.
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