FÓRUM DE INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS

“O mundo paga mais por isso”: secretária Andréia Fujioka aposta em marcas coletivas para multiplicar renda da agricultura familiar em MT

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“O mundo paga mais por isso”: secretária  Andréia Fujioka aposta em marcas coletivas para multiplicar renda da agricultura familiar em MT

JB News

Por Nayara Cristina

Mato Grosso cria fórum para transformar produtos da agricultura familiar em marcas reconhecidas nacionalmente

Mato Grosso deu mais um passo estratégico para fortalecer a agricultura familiar e ampliar a renda dos pequenos produtores rurais com o lançamento oficial do Fórum Estadual de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas, realizado nesta segunda-feira (22). A iniciativa, coordenada pelo Governo do Estado, pretende criar mecanismos para valorizar produtos regionais, fortalecer a identidade territorial e abrir novos mercados para itens produzidos por agricultores familiares mato-grossenses.

Durante o lançamento, a secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andréia Fujioka, destacou que a criação do fórum representa uma nova etapa da política pública voltada ao setor. Segundo ela, entre 2019 e 2025, o Governo de Mato Grosso investiu mais de R$ 817 milhões na agricultura familiar e agora busca avançar para uma fase de valorização comercial dos produtos produzidos no campo.

De acordo com a secretária, o objetivo é deixar de comercializar apenas a matéria-prima e passar a vender produtos com identidade própria, história, cultura e reconhecimento de origem, características que agregam valor e aumentam a competitividade no mercado. A proposta segue modelos já consolidados em diversas regiões do Brasil e do mundo, onde produtos associados a territórios específicos alcançam preços mais elevados devido à sua reputação e qualidade diferenciada.

Andréia ressaltou que Mato Grosso possui potencial para desenvolver diversas marcas coletivas e indicações geográficas. Entre os exemplos citados estão os queijos produzidos em Nossa Senhora do Livramento, que já acumulam premiações nacionais e internacionais, os cafés especiais cultivados na região amazônica e no noroeste do estado, inclusive em áreas indígenas e conduzidos por mulheres produtoras, além da banana produzida na região de Cáceres e da piscicultura desenvolvida em municípios do norte mato-grossense.

Segundo ela, o diferencial desses produtos está justamente na ligação com o território e com as tradições locais. A ideia é transformar essa identidade em um ativo econômico capaz de gerar mais renda para os produtores e fortalecer as cadeias produtivas regionais.

A secretária explicou que o fórum funcionará como um espaço permanente de articulação entre diversas instituições públicas e privadas. Participarão dos trabalhos órgãos como a Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Meio Ambiente (Sema), além de entidades parceiras e representantes dos setores produtivos.

O decreto prevê pelo menos duas reuniões anuais para discutir estratégias, identificar produtos com potencial de certificação e construir as bases para a criação das marcas coletivas e indicações geográficas. A intenção é reunir produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de instituições em torno de um mesmo objetivo: fortalecer a identidade dos produtos mato-grossenses.

Andréia revelou que os queijos artesanais devem estar entre os primeiros produtos contemplados pela nova política. O setor já vem sendo trabalhado há anos em parceria com entidades como o Sebrae, por meio de concursos e certificações que ajudaram a elevar o padrão de qualidade da produção estadual.

Ela lembrou ainda que o governo lançou recentemente o primeiro Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso, iniciativa considerada um passo importante na construção da identidade do café produzido no estado. Segundo a secretária, ações como essa já representam um movimento em direção ao reconhecimento territorial e à formação de marcas coletivas.

Na prática, a criação dessas marcas permitirá que produtores sigam padrões específicos de produção, qualidade e identidade visual. Um produto reconhecido por determinada região poderá ser produzido por diferentes agricultores, desde que respeitem regras previamente estabelecidas, preservando características que o tornem único no mercado.

A expectativa é que o modelo incentive tanto a ampliação da produção quanto a entrada de novos produtores nas cadeias produtivas organizadas. Com isso, pequenos agricultores poderão acessar mercados mais exigentes, aumentar sua rentabilidade e fortalecer a economia local.

Para garantir que os pequenos produtores tenham condições de participar desse processo, o Governo de Mato Grosso também mantém aberto o edital do Fundaf 2.1, programa que oferece crédito subsidiado para agricultores familiares que desejam estruturar ou regularizar pequenas agroindústrias.

Por meio da linha de crédito, produtores poderão acessar financiamentos de até R$ 150 mil. O programa prevê dois anos de carência, mais cinco anos para pagamento e juros zerados para quem quitar as parcelas em dia. Caso haja inadimplência, a taxa aplicada será de apenas 4% ao ano. A garantia exigida será o próprio projeto técnico desenvolvido por entidades de assistência técnica, como a Empaer e instituições credenciadas.

A criação do Fórum Estadual de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas é vista pelo governo como uma ferramenta capaz de impulsionar uma nova economia rural baseada na qualidade, na identidade territorial e na valorização dos produtos locais. A expectativa é que Mato Grosso, já reconhecido mundialmente pela força do agronegócio, passe também a ser referência nacional na comercialização de produtos diferenciados oriundos da agricultura familiar, agregando valor à produção e ampliando oportunidades para milhares de famílias do campo.

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