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Por Nayara Cristina
As declarações do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, sobre o avanço dos bolsões de pobreza e da favelização em Cuiabá e Várzea Grande repercutiram no Palácio Paiaguás e provocaram uma resposta firme do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Ao comentar o cenário social das duas maiores cidades do Estado, o chefe do Executivo afirmou que não está disposto a tratar a situação como algo normal e garantiu que o enfrentamento da vulnerabilidade social será uma das prioridades do seu projeto de governo.
Durante entrevista à imprensa, Pivetta disse que a realidade encontrada em bairros periféricos da região metropolitana causa indignação e reforça a necessidade de uma atuação mais incisiva do Estado. Segundo ele, a decisão de ampliar a presença do Governo em Várzea Grande já foi tomada e faz parte de uma estratégia permanente para reduzir os déficits urbanos e sociais.
“Eu não estou conformado e nem acomodado. Continuo tendo muita capacidade de indignação. O que tenho visto em Cuiabá e Várzea Grande provoca essa indignação. Nós tomamos a decisão de entrar definitivamente em Várzea Grande e não vamos sair de lá antes de resolver esses problemas”, afirmou.
As declarações foram dadas após Sérgio Ricardo alertar para o crescimento dos bolsões de miséria na Baixada Cuiabana, defendendo uma mobilização dos poderes públicos para enfrentar a pobreza e a exclusão social. O presidente do TCE tem sustentado que o problema ultrapassa a esfera municipal e exige políticas estruturantes capazes de reduzir as desigualdades e impedir o avanço da favelização.
Na mesma linha, Pivetta afirmou que Mato Grosso precisa corrigir os desequilíbrios sociais gerados ao longo das últimas décadas. Para ele, não é aceitável que o Estado conviva naturalmente com famílias vivendo em condições precárias de moradia, infraestrutura e acesso aos serviços públicos.
O governador revelou que uma ampla reforma urbana deverá integrar seu plano de governo e destacou o projeto encaminhado à Assembleia Legislativa para viabilizar a construção de 60 mil moradias populares. Segundo ele, a iniciativa representa um dos principais instrumentos para retirar milhares de famílias da situação de vulnerabilidade.
“As 60 mil casas que queremos construir representam um passo importante para tirar 60 mil famílias da vulnerabilidade. Não vamos normalizar essa realidade. Vamos trabalhar todos os dias para mudar isso”, declarou.
Questionado se a responsabilidade pela situação seria das prefeituras ou do Governo Federal, Pivetta evitou atribuir culpa diretamente aos gestores municipais, mas fez duras críticas ao modelo federativo brasileiro. Na avaliação do governador, a elevada concentração de recursos pela União compromete a capacidade de investimento dos estados e municípios.
“O Estado brasileiro é o grande promotor da miséria. Arrecada uma parcela enorme da riqueza produzida pelos brasileiros e devolve muito pouco em serviços públicos. Os municípios ficam empobrecidos e sem capacidade de investir”, afirmou.
Pivetta destacou que Mato Grosso mantém uma política de fortalecimento das administrações municipais, repassando cerca de R$ 1 bilhão por ano para investimentos nas cidades. Ainda assim, argumentou que problemas históricos nas áreas de saúde, educação e segurança pública demonstram que a estrutura estatal brasileira continua distante de oferecer serviços compatíveis com a carga tributária suportada pela população.
Na avaliação do governador, combater os bolsões de pobreza exige mais do que programas assistenciais. Segundo ele, será necessário ampliar investimentos em habitação, infraestrutura urbana, educação de qualidade e oportunidades para que as famílias possam romper o ciclo da vulnerabilidade social.
Cuiabá e Várzea Grande formam a maior concentração urbana de Mato Grosso e, pelas estimativas mais recentes do IBGE, somam pouco mais de 1 milhão de habitantes, consolidando a principal região metropolitana do Estado.
Ao reforçar o compromisso de enfrentar a pobreza urbana, Pivetta sinalizou que pretende transformar a redução das desigualdades em uma das principais bandeiras da gestão estadual, sustentando que desenvolvimento econômico só será completo quando o crescimento chegar também às famílias que ainda vivem à margem da prosperidade experimentada por Mato Grosso.
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